Reflexões sobre a polêmica do pré-sal

Wagner Pires

Precisamos ter os pés no chão e saber que o governo brasileiro encontra-se entre a cruz e a espada. Temos uma riqueza enorme em petróleo do pré-sal, equivalente a R$ 3,144 trilhões. Mas esta riqueza está inerte no fundo do mar. A questão se resume no tempo de exploração desse petróleo: se em 20, 30, 40 anos ou mais.

O que todos deveriam saber é que ao governo faltam recursos para promover os investimentos que o país necessita para se desenvolver. Se ficarmos com o monopólio do pré-sal, poderemos levar mais de quarenta anos para explorá-lo, e os resultados econômicos para o país também serão estendidos por igual período.

Se seguirmos com a política de concessões, já teremos garantido, com a participação direta, o mínima de 30%, equivalente a R$ 1 trilhão. Ou, 1/3 de todo o PIB nacional. Além dos royalties e as parcelas tributárias. Há também a grande geração de empregos para o país, divisas etc.

CONCESSÕES

Parece-me, sem querer ser advogado do diabo, que valem mais as concessões gerando o máximo de recursos para o país, neste momento, do que esperar ver o resultado da exploração do petróleo trazer riquezas num período de mais de 40 anos. Atrasando a evolução da economia e da sociedade.

Deixar o petróleo como reserva estratégica para os próximos quarenta anos é burrice, pois, todo o desenvolvimento advindo com a exploração desse recurso neste momento trará resultados para todos nós desde já, para nossos filhos e nossos netos. Não podemos nos dar ao luxo de não explorar o pré-sal no mais exíguo tempo, pois, somos uma população carente dos recursos mais básicos.

O Brasil tem pressa. O desenvolvimento do país é para ontem!

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGVocê pode estar com a razão, Pires. Até torcemos para que esteja. Mas há muitas dúvidas sobre esse leilão. O prof. Ildo Sauer, que foi diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, quando Dilma Rousseff era ministra de Minas e Energia, vai entrar na Justiça para suspender o leilão. No mínimo, está faltando transparência ao governo e à Petrobras. Quando as coisas ficam bem explicadas, tudo melhora. (C.N.)

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7 thoughts on “Reflexões sobre a polêmica do pré-sal

  1. otima ideia por a raposa no galinheiro, vc deve ser um “otimo” gestor Wagner pires igualmente o PT e PSDB, vender por 1% do valor real ou ate muito menos do que isso, realmente vale a pena afinal agente vai ter muito trabalho para retirar todo esse petroleo sozinhos, é melhor Dividi-lo com algum “irmao bem intencionado” que só deseja o melhor do povo brasileiro e da propia Petrobras… enquanto isso agente continua comprando ativos podres q fizeram a crise financeira global para reaplicarmos os supostos lucros(nesse caso inexistentes) em educaçao,saude e todo o resto.

    e o neo-entreguismo continua…

  2. Certo, Sr. Newton. Sabendo que foram os modelos de gestão adotados por FHC, por Lula e por Dilma que nos empurraram para esta situação caótica de endividamento público e falta de recursos para impulsionar a economia nacional.

    Entendo o posicionamento do professor Ildo Sauer, profundo conhecedor da matéria energética em nosso país, e que mostra claramente a falta de controle, gestão e estratégia da nossa política energética.

    O Brasil enveredou pelo caminho do neoliberalismo com FHC e seguiu na mesma trajetória com os governos seguintes, utilizando-se do Tesouro Nacional via BNDES para estimular o viés capitalista em nosso país, beneficiando os grandes grupos econômico-financeiros e empreiteiras ao custo do endividamento público. É a transferência de recursos públicos para o setor privado sem precedentes em nossa história que o povo brasileiro tem testemunhado.

    O governo faz lobby com recursos públicos e dá “de mão beijada” setores estratégicos da nossa economia às grandes corporações. Está aí o resultado disso: dívida pública em R$2,8 trilhões e falta de recursos para investimento em infraestrutura!

    Falta um modelo nacionalista de desenvolvimento. E quem teria este modelo? O professor Sauer?

    E, o pior, ao que tudo indica o modelo neoliberal será perseguido indefinidamente. Sendo o país administrado por petistas ou por outra sigla qualquer.

    O que fazer?

    Parece-me que não há outro caminho a ser trilhado pela Petrobrás, senão abrir mão do monopólio e garantir ao menos 30% de participação de modo a colher, no mais breve lapso de tempo, os dividendos da exploração.

    Resta, ainda, uma questão: se esses recursos serão corretamente utilizados pelos governo com o abatimento de dívidas e o desenvolvimento estrutural do país.

    Este país é incompreensível.

  3. Leiloar uma área para que empresas façam prospecção, descubram se há petróleo ou não, desenvolvam e coloquem em produção, como nos moldes já feitos anteriormente é uma coisa. Outra coisa é leiloar (entregar)um campo como o de Libra, o maior campo do Brasil, onde já sabemos a quantidade e a qualidade do óleo existente. Estou desconfiado que estão entregando o que é nosso. Que país é esse?

  4. Enquanto países – com grande tecnologia e inteligência – seguem investindo fortunas em pesquisas sobre novas fontes de energia (principalmente energias mais limpas e renováveis), o Brasil segue na contramão, direcionando quase todas as suas forças de pesquisa para a exploração do petróleo.

    Mas nem a presidente da Petrobras arrisca dizer quanto custará o barril do petróleo em 2033, por exemplo. Isso mesmo! Afinal tal barril poderá não valer “quase mais nada”, levando-se em conta que outras novas fontes de energia poderão estar sendo muito mais vantajosas. Então o que o Brasil fará? Vai sentar nas suas reservas de petróleo e chorar?

  5. Receita para o País: investimentos em infraestrutura.

    O Brasil precisa reestruturar sua política econômica e adotar um modelo de crescimento diferente do praticado até agora, já que esse está baseado no consumo interno e nas exportações de produtos agrícolas, pois se houver transformações expressivas no desempenho econômico dos Estados Unidos, da China e da Europa, o País não conseguirá alcançar seu potencial de avanço de 2,5% a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Para que as metas se concretizem transformações estruturais e investimentos em infraestrutura devem ser adotados urgentemente e só serão possíveis se as reformas política, tributária e da previdência realmente forem colocadas em prática.

    Esta foi a conclusão da reunião do Conselho Político e Social (COPS), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada ontem na sede da entidade sob o comando de seu coordenador, o senador Jorge Bornhausen.

    A reunião teve a participação do vice-presidente da ACSP Roberto Mateus Ordine (que representou o presidente Rogério Amato) e do conselheiro Robert Schoueri.

    A análise sobre o País foi alcançada após a palestra de Cláudio Adilson Gonçalez, diretor da MCM Consultores Associados. Para Gonçalez, o atual contexto indica que haverá recuperação da economia mundial a curto prazo como já se observa a partir de alguns indicadores dos Estados Unidos, onde a situação de desequilíbrio patrimonial das famílias e das empresas está sendo contornada. Já no caso da Europa, Gonçalez questiona se a retomada será suficiente para beneficiar toda a região, afetada por um regime de câmbio único para economias nacionais diferentes entre si, o que gera distorções expressivas.

    Para contextualizar o quadro econômico o diretor da MCM traçou um panorama das economias norte-americana, europeia e chinesa. Na sua opinião, o Brasil continuará a ser afetado pelas turbulências estrangeiras se continuar com a sua estratégia econômica baseada no modelo de expansão do consumo interno sem investimentos em produção e em obras de infraestrutura. Para reverter o quadro, ele afirmou que deve haver um plano estruturado que privilegie a produção de outros bens e serviços, além da pauta baseada na agropecuária. “Seria interessante transferir investimentos destes segmentos e criar estímulos para áreas da indústria de setores menos voláteis. Para que isso ocorresse seriam necessários investimentos na qualificação de mão de obra, leis tributárias e previdenciárias mais benéficas para a atividade econômica e verbas maciças em setores básicos como energia e em transporte, em especial em ferrovias e rodovias para escoar a produção industrial e agrícola”, afirmou Gonçalez.

    (transcrito do Diário do Comércio)

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