Reflexões sobre a Primavera Árabe e o posicionamento de Israel, que ainda vai sentir saudades de Hosni Mubarak.

Paulo Solon

1) Presidente Obama e presidente Sarcozy, pilhados em 8 de novembro de 2011 pela CNN, apedrejando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu:

Sarcozy: “Ele é insuportável. Trata-se de um mentiroso”.

Obama: “Você já está de saco cheio com ele, mas eu tenho que aturá-lo diariamente”.

2) Secretario de Defesa dos U.S., Leon Panetta, culpando Israel por falhas nas conversas com os palestinos: “Volte para a maldita mesa”, gritou o Sr. Panetta.

3) Secretaria de Estado Hillary Clinton questiona a democracia de Israel, comparando-a com a do Irã.

4) O Embaixador americano na Bélgica declara que o antissemitismo islamico é culpa de Israel.

Ponto de vista de Israel:

“Recentemente tem havido verdadeiras e medonhas articulações dos EUA no que se refere a Israel… É de meter medo, especialmente diante da crescente necessidade do apoio Americano na hora em que mudanças radicais varrem a região” – (Jerusalem Post, editorial, em 5 de Dezembro de 2011).

Qual o significado de tais posicionamentos?

Bem, não vejo muita novidade, já que os ventos da mudança estão soprando no Oriente Médio, mas não exatamente a favor do barco israelense.

Pensaram que com a chamada Primavera Árabe os jardins de Israel fossem ficar mais floridos? O cenário político nem sempre se desloca na direção prevista.

Os ciganos estão agindo sob a orientação da Irmandade Muçulmana (a palavra cigano é uma variação de gitano, que é uma variação de gypsy, corruptela do nome Egypt).

Vejam bem. Os Salafitas e os Islâmicos da Irmandade voltaram a dar as cartas, exigindo que os militares egípcios devolvam o poder depois de 60 anos ocupando-o.

Ala ultraconservadora conhecida como Salafitas acaba de receber 25% dos votos no Egito. Com os votos migrando para áreas rurais onde conservadores religiosos são fortes, pode-se imaginar o domínio potencial do Parlamento Islâmico conservador.

O líder da coalizão dominada pela Irmandade Muçulmana acaba de declarar que já está sendo preparada nova lei constitucional. Diversos eleitores em Giza (terceira maior cidade do Egito) aplaudem a Irmandade por ela estar desafiando a autoridade militar sobre o Parlamento. “O conselho militar vai cair, porque a Irmandade é que vai assumir o poder e eles não vão permitir que os militares continuem”, disse Khaled Ibrahim, 44 anos, professor da Universidade do Cairo.

A eleitora Shaimaa Kamal Abdel Hak, 35 anos, declarou igualmente que os islamistas vão ocupar o poder. Será que isto redundará em benefício de Israel?

Com a palavra os esclarecidos comentaristas da Tribuna. Tudo indica que os israelenses ainda vão lamentar a ausência do coronel Hosni Mubarak, aquele que bajulava Israel e enrolava os ciganos, inclusive os demais árabes.

O preço que a administração Obama está tendo que pagar por ter mandado assassinar o Sr. Bin Laden dentro do Paquistão não está sendo barato para os Estados Unidos. A Central Intelligence Agency recebeu um prazo do Paquistão no sentido de fechar a base de drones (aviões-robôs) em Shamsi, como protesto sobre reides aéreos da OTAN que mataram 25 soldados paquistaneses perto da fronteira com o Afeganistão.

Como se sabe, o Paquistão bloqueou também todos os suprimentos logísticos da OTAN que atravessavam a fronteira em direção ao Afeganistão, e o Exército do Paquistão acaba de ocupar a base aérea americana de Shamsi.

Que diferença para Cuba em relação a Guantánamo! Eis a importância do poder nuclear.

O governo comunista da China também aumentou as tensões de comércio com os EUA na quarta-feira, por estabelecer de surpresa tarifas pesadas antidumping e antissubsídio sobre veículos importados da América.

De sorte que nem tudo pode ser feito como quer o Sr. Netanyahu. Os Estados Unidos também sofrem bloqueio.

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