Reflexões sobre a privatização da Vale

Antonio Lacerda de Barros

A questão da Vale ter preço de mercado é algo meio insensato. Estando subjudice o valor da Vale, tecnicamente ela nem “poderia” ter o valor de mercado que tem – dizem que chegaria a 3 trilhões de reais…

O mecanismo da privatização foi simples: as reservas que integravam os ativos da Vale – propositadamente – não foram incorporadas como ativos sob um esquisito pretexto de que as concessões estatais de pesquisa, lavra exploração de minas do maior conjunto de minérios comerciais do planeta tinham título precário e poderiam ser revogados a qualquer tempo.

Isso, naqueles obscuros tempos, do “dando que se recebe”, PMDB quietinho, Lula negociando a possibilidade de ganhar e se empossar, foi um escândalo.

Auditorias diversas chegaram a valores de mercado, à epoca, de 150 BI à 1,5 TRI (aqui, um exagero, pois ninguém poderia prever como estaria o mercado num horizonte de 30 anos). E essa operação que veio a ser denominada privatização, em linhas traçadas, pode ser obtida nos arquivos da SEC, quando esta comissão em 1988/1989 (antes do collorido presidente) estimulou investimentos em atividades econômicas exercidas por países dos “países em desenvolvimento”.

A única restrição que havia era que os bancos comerciais investissem valores de depósitos próprios nessas operações. Se houvesse interesse, que fossem criadas empresas que formariam capital a partir de empréstimos de juros subsidiados. Esse planejamento operacional incentivava especialmente os investimentos nas estatais que seriam privatizadas na América Latina.

Muitos desses documentos são de acesso livre, eis que passado o período de sigilo e para acessá-los basta se registrar na biblioteca da SEC. Online mesmo. A pesquisa presencial pode nos levar à conclusão de que aquelas operações não foram discutidas inicialmente aqui. O resto, os mais novos que encontrem. O fio da meada está aí desencapado e à mostra…

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