Reflexões sobre a questão indígena e a cobiça internacional em relação às riquezas minerais da Amazônia

Ricardo Jardim

Em 1998, Paulinho Paiacã e sua esposa Irecrã foram condenados por estupro de uma menina “branca”, ou seja, de santo ele não tinha nada. Cito apenas como exemplo, pois não sou contra índios. Pelo contrário, criei-me com a perspectiva de respeito a eles. Só  que acho que os índios estão sendo usados como massa de manobra de ONGs e corporações internacionais interessadas em nossos recursos naturais, até por terem muitos de seus países destruído os próprios recursos em seus territórios, bem como suas nações indígenas.

Se assim não fosse, porque eles não estão interessados em defender os índios do Nordeste, do Mato Grosso do Sul e do Sul do país? E por que alguns poucos milhares de índios precisam de extensões de terras (reservas) equivalentes a 11% do território nacional?

Os índios merecem respeito e ter seus direitos assegurados? Sem dúvida, mas também têm deveres com sua pátria, sua terra, o Brasil. Devem respeito à sua terra e também precisam valorizá-la. Muitos índios derrubam o mogno e vendem às empresas estrangeiras. Muitos índios sobreviveram à miséria de suas vidas selvagens (e sem a presença de brancos até então) graças a exploração de territórios por fazendeiros e até mesmo garimpeiros que os alimentaram e deram-lhes trabalho.

Tanto é assim que muitas tribos de índios foram contra as novas demarcações de terras, sabedores que iriam perder seu sustento como trabalhadores em fazendas, com condições de vida melhores que a que tinham quando nas matas. Agora, o que será deles, sem assistência médica, comida e demais necessidades?

Nem todas as terras cultivadas e utilizadas pela pecuária são griladas. Muitas foram adquiridas legalmente, compradas sob incentivo do governo. Questionar o “modus operandi” dos governos é uma coisa, mas dizer que todos os produtores são bandidos é outra! Grande parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por exemplo, se desenvolveu graças às mãos trabalhadoras de gaúchos, que largaram sua terra para passar grandes sofrimentos, trabalhar duro para produzir naqueles estados. E isso não os faz bandidos, grileiros e nem invasores! Ao contrário, os faz colonizadores. Não vamos confundir as coisas.

Ou alguém acha que em todas as cidades e capitais brasileiras não havia florestas, e árvores seculares e outros povos? Mas ninguém quer vê-las como reservas indígenas, ou querem? Muito fácil criticar à distância, sem envolvimento.

Você abandonaria sua casa no Rio ou em Salvador, por exemplo, para dá-la aos índios, só porque seu governo atual assim decidiu? Isso faz de você um grileiro ou invasor? Tenho amigos que trabalharam 40 anos na Amazônia e nenhum deles me contou que índios ficavam doentes simplesmente pela presença de brancos. Ficavam doentes pela própria vida que levam, à margem do desenvolvimento, sem médicos e sem comida, porque poucas tribos plantam, vivem apenas do extrativismo. Quando a terra deixa de dar frutos e caça, mudam-se para outras regiões.

Se as condições climáticas são adversas, eles sofrem, adoecem e morrem, como qualquer ser humano desassistido. Culpar os brancos por suas doenças é pura ingenuidade de quem nunca viveu próximo a eles.

Quando ouço notícias sobre o mercúrio poluindo rios acho graça: qualquer pessoa que entenda um pouco de garimpo sabe que o mercúrio é tão caro e raro que jamais se joga fora. Ele é usado para amalgamar o ouro, vira fumaça e se perde no ar em forma de vapor. Garimpeiro que joga mercúrio no rio é, no mínimo, burro!

O que falta realmente é uma política indigenista coerente, dar direito aos índios de fazerem parte de uma sociedade que também é deles e não abandoná-los à própria sorte em territórios descomunais, distanciados de assistência, de educação, de cultura.

Dar terras aos índios não é tudo, é preciso educá-los quando assim pretenderem. É preciso ajudá-los a viver em novos tempos, assim como muitos deles já vivem e nem pensam em voltar à rusticidade que viviam antes, por motivos óbvios.

Com enormes reservas, ou sem elas, eles irão morrer lentamente, como já vem acontecendo há muitos anos, independente da proximidade dos “povos brancos” como demonstram muitos estudos antropológicos sérios.

Os índios querem o que todo mundo quer: paz, liberdade, saúde, comida, representatividade e respeito. Mas não podemos tratá-los como minorias escorraçadas e, como prêmio, dar-lhes terras e mais terras que eles sequer irão utilizar, em detrimento de brasileiros que são tão brasilleiros e tão oprimidos quanto eles.

A grande maioria do povo brasileiro sequer tem um terreninho de 20m x 12m para morar. Mas damos milhões de hectares de terras para 40 mil índios viverem? Por quê? É uma forma de indenizar os “crimes” de nosso antepassados? Isso vai devolver-lhes a dignidade e sua vida natural de autóctones será restabelecida? Se é assim, então teremos que abandonar o Brasil, ir morar em balsas no mar ou voltar para Portugal e devolver o território inteiro aos seus moradores naturais: os índios. É um assunto muito complexo, temos que refletir, estudar, pesquisar e ouvir muito, antes de dar pareceres que beirem o definitivo.

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