Reflexões sobre a Voz do Brasil, a liberação da drogas e o dinheiro fácil

Antonio Oliveira

Leitor da Tribuna da Imprensa desde 1963, jamais, em qualquer tempo, na história deste País, vi, li e ouvi tamanha ignomínia, qual seja, a defesa de algo indefensável. Concordo sim, com a total flexibilização do horário de retransmissão da Voz do Brasil, ao livre arbítrio de cada emissora de rádio.

Quando a Rádio Jovem Pan (Rádio Panamericana) a transmitia às 4h da manhã, ouvia todos os dias, era o horário que me permitia. Cancelada a transmissão naquele horário, onde acompanhei a Voz do Brasil durante longo período de tempo, nunca mais ouvi a transmissão.

Durante a semana, de segunda à sexta-feira, entre 18h30 e 21h/22h, estou em audiências no Tribunal da OAB, onde atuo. Houve um tempo, muito distante, em que eu conhecia nominalmente quase todos os deputados federais e senadores da República (ouvindo a Voz do Brasil). Hoje, a maioria não atua ou tem atuação oculta (tratando de interesses que não são do povo e nem do Brasil, são privados).

No Brasil, há uma ignominiosa inversão dos valores (todos eles), daí a escalada da violência, alimentada pelo tráfico de drogas, sem excluir outras coisas. Ora, aqui no Brasil, quando estabeleceu-se que o usuário não mais seria preso, aumentou exponencialmente o número de usuários; os que não faziam uso (por medo de serem presos) perderam o temor.

O aumento do número de usuários elevou à décima potência o número de traficantes; o motivo: a Lei da Oferta e da Procura. Aqui em Brasília, por exemplo, houve uma explosão de jovens de classe média alta apanhados, em tese, envolvidos com o tráfico (inclusive internacional) de drogas. Era o advento do dinheiro fácil, desconheciam, como desconhecem, uma máxima: “Easy comes, easy goes”, tudo que vem fácil, facilmente se vai.

Mas não vai ficar assim, há de piorar, com o novo projeto de Código Penal, com a descriminalização do porte de drogas, que já vinham dele se utilizando os traficantes – ao invés de levar vinte, trinta pedidos ‘entregas’, faziam vinte trinta viagens e, se apanhados, declaravam-se usuários e tudo bem.

Assim, para não me alongar mais, porquanto poderia ficar aqui dias a fio tecendo considerações, concordo em gênero, número e grau, com a luta contra a inadmissível inversão de valores, sempre favorecendo a criminalidade (que aproveita para expandir suas garras, como um polvo de tentáculos elasticíssimos, de alcance ilimitado).

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