Reflexões sobre Brizola, Lupi e o PDT

Hugo Gomes de Almeida

Meu caro Aquino, a recíproca é verdadeira. Realmente o Lupi foi um serviçal, e todos como ele, áulicos que são, tornam-se agradáveis porque estão dispostos a meter a mão aonde não desejam os cidadãos exemplares. Está visto que nem existência própria conseguem ter.

Numa de suas vindas a Salvador, quis um cristão novo do PDT levar-me para apresentar a Leonel Brizola, a quem eu, desde adolescente, considerei o maior dos brasileiros. Neguei-me a acompanhá-lo. Primeiro, o grande líder poderia pensar ser eu mais um deslumbrado, mal-intencionado, querendo dele aproximar-me para tirar proveito. Em segundo lugar, quem me propusera fazer a apresentação não tinha credenciais para fazê-lo. Faltava-lhe história de vida libertária para mentor de ato que eu considerava marcante na minha vida.

Homens raros da estatura de Leonel Brizola sempre enfrentaram, na atividade política, essas situações: ter de conviver com essas figuras entronas, de duvidoso caráter, que só se preocupam com dar-se bem, e tudo fazem para aparecerem prazenteiros. O comportamento que passam a adotar é todo dirigido ao perfazimento do estelionato que pretendem perpetrar! Principalmente Brizola esteve sempre passível desses enleios. Todos se postavam contra ele e se fosse escolher demais, terminaria sem quadros partidários.

Sabe o querido Antonio Santos Aquino que mesmo na atividade política, mesmo em escala menor que a partidária, não podemos dar-nos ao luxo da escolha. Às vezes, por circunstâncias várias, ficam do nosso lado quantos menos desejaríamos. Passamos a empreender as lutas com apoio de quem, caso nos fosse possível escolher, não quereríamos do nosso lado. Sem esquecer que, no desabrochar da dura luta política, essas figuras antes indesejáveis tornam-se as mais eficientes.

Tenho consciência dessa cruel realidade: a vida vivida não se apresenta quase nunca tão certinha quanto almejaríamos. Mesmo assim, prefiro estar ao lado dos eticamente irrepreensíveis. Nunca seria um líder político, justamente por ser-me, nessa condição, contraproducente escolher os partidários.

Uma das qualidades de Brizola era sua visão de mundo, dificilmente influenciável, sem qualquer ambição pessoal no manejo dos dinheiros públicos, de modo a ter levado vida sem nódoas mesmo diante da perseguição sem tréguas dos gorilas de 1964. Até Antônio Carlos Magalhães reconhecia a lisura de Brizola no manuseio dos recursos da coletividade.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *