Reflexões sobre Cuba, diferenciando-se os aspectos políticos e sociais

Carlos Frederico Alverga

Contra fatos não há argumentos. Devemos tentar manter a imparcialidade e a isenção ao fazermos a análise do caso cubano. Devemos separar o aspecto político do aspecto social.

Do ponto de vista político, Cuba é uma ditadura autoritária e não democrática, na qual não há nenhuma liberdade de manifestação e expressão, um sistema no qual é proibido discordar do ponto de vista oficial do Governo, e isso é totalmente condenável e inaceitável.

Por outro lado, sob o prisma social, são inegáveis os avanços obtidos pelo regime cubano, principalmente nos setores da educação e da saúde, o que pode ser aferido pela colocação que Cuba ocupa no ranking referente ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU).

O IDH leva em conta três indicadores, que são a renda per capita do país, a taxa de escolaridade da população e a expectativa de vida do povo. Não é um índice perfeito, mas é um parâmetro relevante. Cuba ocupa em 2011 a 53ª posição do ranking do IDH, situando-se, na América Latina, atrás do Chile (44º), da Argentina (45º), Barbados (47º) e do Uruguai (48º). Cuba está à frente do México (57º) e bem à frente do Brasil (84º).

Evidentemente que Cuba foi subsidiada pela União Soviética durante trinta anos, de 61 a 91, ano da derrocada do socialismo real no Leste Europeu. O subsídio ocorria da seguinte forma: A URSS comprava o açúcar cubano a um preço acima do preço do mercado internacional, e vendia o petróleo russo à Cuba por um preço abaixo do preço do mercado internacional.

Entretanto, o Governo de Cuba fez ótimo uso desses recursos, ao estruturar um sistema de saúde e educação que, até hoje, vinte anos após o esfacelamento da antiga União Soviética, garante a este pequeno país, de apenas cerca de dez milhões de habitantes, a maior ilha das Antilhas, uma posição de destaque no contexto latino americano dos indicadores sociais, superando por larga margem um país de economia muito mais pujante, que é o Brasil.

Senão, vejamos: de acordo com as informações contidas no Almanaque Abril 2009, a mortalidade infantil e a expectativa de vida para o homem e para a mulher, em Cuba, neste ano, foram de, respectivamente, 5 (por mil nascidos vivos) e 76,3 e 80,5 anos. No Brasil, os mesmos indicadores são os seguintes, para 2009, segundo a mesma fonte: 23 (por mil nascidos vivos) e 68,9 e 76,2 anos.

Além disso, Cuba é uma potência esportiva, mesmo depois de vinte anos sem a ajuda russa, apesar de sua diminuta população de cerca de 10 milhões de habitantes, tendo conseguido superar o Brasil, um gigante de cerca de 200 milhões de habitantes, nos últimos Jogos Pan-Americanos.

Contra fatos, não há argumentos.

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