Reflexões sobre o Brasil, um país extraordinário que se tornou um paradoxo ambulante

Carlos Newton

Recente pesquisa do Instituto DataFolha mostra que Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente de Brasil, registra uma popularidade recorde após um ano de mandato, superando a todos seus antecessores neste período de gestão, incluindo seu mentor político, Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma, de 64 anos, que assumiu suas funções em janeiro de 2011 para substituir Lula (2003-2010), conta com a confiança de 59% dos brasileiros, que consideram que sua gestão é excelente ou boa, contra 49% que afirmaram ter esta mesma opinião há seis meses, segundo a pesquisa.

Ou seja, nem mesmo o tsunami de corrupção que varreu o governo no ano passado, causando a demissão de seis ministros (Antonio Palocci/Casa Civil; Alfredo Nascimento/Transportes; Wagner Rossi/Agricultura; Pedro Novais/Turismo; Orlando Silva/Esporte e Carlos Lupi/Trabalho), foi capaz de diminuir a popularidade da presidente, que na verdade nada fez para demiti-los, preferindo esperar que caíssem de podres.

Agora, a presidente Dilma tem três ministros “pendurados”, como se diz na gíria do basquete, quando o jogador fica próximo de ser expulso – Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Mario Negromonte, das Cidades, e Fernando Bezerra, da Integração.

Apesar das gravíssimas acusações contra os três ministros, Dilma Rouseff finge que não é com ela e segue em frente, sem demonstrar a menor intenção de afastá-los.

Vejam a comparação entre os dois governos petistas. Ao finalizar o primeiro ano de seu mandato inicial, obteve 42%, enquanto que no segundo mandato, sua popularidade neste mesmo período foi de 50%, apesar dos reflexos dos escândalos de Antonio Palocci (crise do caseiro) e de José Dirceu (crise do Mensalão).

A imagem pessoal de Dilma, uma ex-guerrilheira que combateu a ditadura (1964-85), também melhorou: atualmente 72% das pessoas entrevistadas creem que ela é “decidida”, 80% “muito inteligente” e 70% a veem como “sincera”.

Segundo o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, a economia é o fator determinante para a popularidade de Dilma. “A população observa a forte crise internacional e vê que ela não está golpeando a economia nacional”, opiniou.

Mas será que é essa a explicação correta? Parece que não. O que se evidencia é o progressivo desprezo dos brasileiros pela política e pelos poderes constituídos. Outras pesquisas de opinião indicam que as pessoas não confiam mais nos três poderes, muito pelo contrário. Nem mesmo conseguem se indignar com a corrupção. Acham que todos os políticos são iguais.

Esta é a nossa verdade. O Brasil se tornou um país politicamente insípido, incolor e inodoro, com uma juventude que só pensa em imitar os mais velhos e se dar bem, a qualquer custo. O quadro é este, com as honrosas exceções de sempre, que apenas confirmam a regra.

Poderemos perguntar insistentemente: “Que país é esse, Francelino Pereira?” Mas ele não responderá, porque ninguém sabe. É um país ao mesmo tempo disforme e extraordinário, pois consegue se desenvolver, apesar dos governantes. O Brasil é um paradoxo ambulante.

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