Reflexões sobre o desenvolvimento da civilização

Francisco Bendl

”Os homens e as mulheres, perdem a saúde para ganhar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. (…) e vivem como se
nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido” – (Dalai Lama)

A nossa natureza não se satisfaz com o que tem. Se não fôssemos insatisfeitos não conseguiríamos atingir o desenvolvimento tecnológico que atualmente possuímos e que, indiscutivelmente, melhorou em demasia as nossas vidas em conforto, transporte, saúde, comunicação e lazer.

A vida destituída de desejos inexiste, salvo exceções como Buda, Cristo, o filósofo Diógenes que morava em um barril, enfim, pessoas que vieram a este mundo não para nos ensinar a renunciar ao progresso, mas para que saibamos usá-los convenientemente.

E, o problema, é exatamente o mau uso que fazemos dos avanços tecnológicos, que mais alimentam a ganância e o egoísmo que a solidariedade e a possibilidade que outras pessoas possam compartilhar desses benefícios.

Se, atualmente, o telefone e suas várias maneiras que nos possibilita falar com alguém – fixo, celular, rádio – é comum na maioria dos países, encontramos na África e Ásia nações que desconhecem esses aparelhos. A televisão idem para algumas aldeias e povoados distantes das cidades.
O automóvel para quem mora ao pé do Himalaia e dos Andes, serviria para quê?! No entanto, mesmo um calhambeque teria utilidade para comprar mantimentos nos locais distantes para o cavalo, mulas e para o homem ir caminhando.

PARA QUEM PRECISA…

Os remédios E as vacinas também seriam de grande auxílio se nos lembrássemos de enviá-los para quem precisa, de igual sorte a ajuda para quem necessita de comida, roupas, agasalhos, cobertores, camas, um fogão que seja.

Sou partidário do progresso, do avanço científico e tecnológico, do desenvolvimento, e tenho lamentado profundamente que milhões de seres humanos os desconhecem, que não usufruem dessas facilidades, desses meios de se levar a vida mais agradavelmente, e por nossa culpa, pelo nosso egocentrismo, pelo nosso descaso com o próximo.

Certamente quando Buda proferiu esta frase, ele sabia do nosso interior com relação à utilidade do que a Ciência nos possibilitaria, razão pela qual a sua advertência quanto aos desejos, que seria melhor não tê-los, haja vista a infelicidade que recairia sobre aqueles que não poderiam comprá-los.

No entanto, deixou exatamente uma brecha ao não criticar que os tivéssemos – os desejos -, se acompanhados da intenção em distribuir os bens aos que não os têm, gerando alegria, menos diferenças e frustrações àquelas pessoas que vieram a este mundo destituídas do poder em adquiri-los.

AS RELIGIÕES

Sem querer fugir ao tema, mas exatamente por essas circunstâncias de alguns terem muito mais que a maioria, custo a entender as religiões que não praticam a caridade, angariando fortunas imensuráveis e incalculáveis em detrimento à felicidade ou para, no mínimo, amenizar o sofrimento do ser humano, se vendessem parte de seus tesouros e os doassem aos pobres, aos miseráveis, aos que desconhecem uma geladeira, um refrigerante, um analgésico.

Gosto do Budismo, mas Buda nos pede o impossível e sem a esperança do que o Cristianismo deixa em nossos corações, a começar pelas definição do Nirvana:

“Existe, monges, um não nascido, um não tornado, não feito, não composto. Se, monges, não houvesse um não nascido, não tornado, não feito, não composto, não haveria uma fuga do nascido, do tornado, do feito, do composto. Mas como existe um não nascido, não tornado, não feito, não composto, portanto, há uma fuga do nascido, do tornado, do feito, do composto”.

Resumo: enquanto a última alma estiver na Terra, ninguém conhecerá o Nirvana, diante da possibilidade de haver um nascido, um tornado, um feito, um composto.

Cristo, pelo menos, foi mais racional e atalhou: Amai o próximo como a ti mesmo.

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