Reflexões sobre os problemas do atendimento médico à população

Acácio Fernandes Cardoso

Polêmicas a parte, devemos focar nossa atenção no preceito básico da medicina, que é o atendimento de qualidade à população. Atualmente, quando falamos em assistência de qualidade, significa que todas as partes envolvidas no processo de atendimento a saúde da pessoa devem ser vistos, ou seja, o local onde é feita, os profissionais envolvidos e a população atendida.

O Brasil, por ser um país continental e com diversidade econômico-social importante, sofre as consequências dessa pluralidade no campo da saúde. A medicina de ponta, aquela que demanda tecnologia, mão de obra especializada e infra-estrutura, está concentrada nos grandes centros. No restante do pais vemos pólos de saúde em algumas microregiões, geralmente cidades de médio porte e pequenas cidades com infraestrutura básica de saúde.

Nestas cidades pequenas a procura por médicos é grande e a fixação do profissional sem residência médica é pequena, por outro lado, a maioria dos especialistas que retornam para o interior (pediatras, ginecologistas por ex.) acabam se fixando nestas cidades e constroem suas carreiras nestes locais, uma vez que após a residência médica o profissional deseja algo definitivo para ele e sua familia.

Bem, no meu entendimento, o problema não é salário nem indisponibilidade de médicos no mercado. O sistema de saúde deve rever a assistência, individualizar as regiões e descentralizar os pólos de saúde. Do lado do médico, é preciso um plano de carreira, concurso público com remuneração justa, principalmente para as especialidades básicas: clinica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia geral, uma vez que essas especialidades fazem uma diferença enorme para população do interior; por outro lado, como são as menos valorizadas atualmente, não são procuradas ou servem apenas como ponte para se fazer uma subespecialidade.

Uma vez que o governo federal aumente o número de vagas para as especialidades básicas, crie um plano de carreira e dê condições de trabalho para estes profissionais no interior, gradativamente as pequenas cidades do país terão especialistas mais aptos, com o compromisso de se fixarem e acima de tudo com a possibilidade de beneficiar a população com assitência de qualidade.

As medidas que o governo visa empregar (aumento de vagas nas universidades + facilitar reconhecimento de diplomas para estrangeiros + barganhar vagas de residência para recém formados etc.) apenas pioram a assistência de qualidade, parece o caminho mais fácil, porém, trazem consequências danosas para a população.

Nós, como profissionais médicos, devemos lutar por melhorias na saúde, muitos, a maioria com certeza, não estão satisfeitos com os subempregos das capitais. Por outro lado, após anos de formação, nos debatemos com o seguinte dilema: viver no interior com altos salários e não poder fazer aquilo que sabemos e aprendemos, ou permanecer nas capitais do país ganhando pouco mas exercendo o que consideramos ser medicina.

Não resta dúvida que o problema é extremamente complexo e seremos mais uma vez penalizados se não for visto desta forma.

 

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