Reforma administrativa é tímida e sem impacto no curto prazo, dizem os economistas

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Charge do Ivan Cabral (blog Sorriso Pensante)

Simone Kafruni
Correio Braziliense

A reforma administrativa é tímida e sem impacto no curto prazo. A opinião é consenso entre economistas, que também compartilham da tese de que a mudança na estabilidade dos novos servidores públicos é um ponto positivo. Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, a reforma administrativa foi bem desenhada, do ponto de vista de tornar a contratação e a manutenção dos funcionários públicos mais eficiente.

“Porém, o efeito no curto prazo é quase nulo. O que gera de efeito positivo é que pode impactar os juros mais longos e tornar o dinheiro mais barato. Agora, é preciso ver a viabilidade política disso”, alertou.

MENOS CONFLITOS – José Márcio Camargo, economista-chefe na Opus Investimentos, a nova estrutura administrativa proposta é positiva. “Mas não para resolver fiscal de curto prazo. Isso vai ter que ser via reforma tributária, regra de ouro, pacto federativo, criação de gatilhos e espaço para obedecer o teto de gastos”, pontuou.

Na opinião de Camargo, a proposta de mudar a regra da estabilidade apenas para novos servidores “vai gerar menos conflitos”.

A economista Zeina Latif ressaltou que é razoável esperar mudanças apenas para os entrantes. “Isso é importante porque vai ter um volume grande de aposentadorias. Em 10 anos, 40% dos atuais servidores terão se aposentado. Acho válido restringir a estabilidade a algo que só pode ser conquistado depois de um período probatório”, avaliou. No entanto, segundo ela, a reforma administrativa “decepciona” porque não tem impacto fiscal algum. “Muito tímida. E muitas das medidas poderiam ser via projeto de lei, que tramitam mais facilmente”, considerou.

APROVAÇÃO DIFÍCIL – Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, alertou que a reforma vai mexer com toda a base de apoio dos parlamentares, o que pode tornar a aprovação mais difícil. “O ideal seria promover a redução de pessoal, poder contratar e demitir na hora que tem que ser. Como é no setor privado, onde estabilidade é fazer um bom trabalho”, argumentou.

O economista Carlos Eduardo de Freitas, do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, destacou que, para algumas carreiras, a estabilidade é fundamental. “Permite enfrentar autoridades. Eu já fui perseguido”, lembrou.

EFEITOS NEGATIVOS – Contudo, o especialista disse que a estabilidade absoluta, como foi aplicada no Brasil até hoje, acarretou em efeitos negativos. “Virou refúgio de gente que não trabalha, sem produtividade”, disse.

Freitas comparou o modelo brasileiro com outros sistemas de estabilidade progressiva, como em organismos internacionais, que utilizam cartões amarelos e vermelho, como no futebol, de advertência de desempenho. “O que não pode é o mecanismo da estabilidade ser desvirtuado.”

3 thoughts on “Reforma administrativa é tímida e sem impacto no curto prazo, dizem os economistas

  1. Não confio em nada que o governo faz. Posso não estar sendo justo com as nossas excelências, mas há razões para isso: Convenhamos, o país não tem uma universidade de qualidade entre as 200 melhores do mundo, temos um presidente que demonstra ser ignorante, embora tenha se formado em escola militar.
    Como um exemplo de decisão burra, os ex militares do governo decidiram comprar um satélite para observar as queimadas na amazonia, em vez de alugar serviços internacionais ou das nossas agências: os especialistas do INPE se dizem com competência para prestar as informações necessárias com o que tèm.
    Pensem, pensem! Ainda há esperanças antes de nos tornarmos moluscos!

  2. Para a grande parte da população, vista pela sua lente de ódio e despeito, reforma administrativa saneadora ou necessária, será aquela que se fundamente na miseralização e vulnerabilidade do servidor público.

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