Reforma trabalhista: volta à escravatura ou acordo entre guilhotina e pescoço

Charge reproduzida do site sinttelba. com.br

Carlos Chagas

É crime chamar de reforma trabalhista o horror que vem sendo preparado no palácio do Planalto. Porque instituir a terceirização, como pretende o governo, significa abolir direitos estabelecidos para o trabalhador nos tempos de Getúlio Vargas. Nem se fala da estabilidade no emprego, mas da simples garantia no trabalho e nas indenizações. Significa regressão à escravatura.

Pior, porém, é a substituição do legislado pelo acordado. Quer dizer, trocam-se direitos pela vontade do patrão: só fica no emprego quem aceitar receber metade do salário, mesmo o mínimo? Ou quem abrir mão das refeições, dos uniformes, da jornada de oito horas, das horas extraordinárias, das férias, das pensões e das aposentadorias? Ou não fazem parte da legislação essas prerrogativas?

Através de acordo, qual o trabalhador que irá preferir ser demitido ou manter-se no emprego sem as garantias que a lei fixou há mais de 50 anos?

Os exemplos acima são exagerados, mas acoplam-se à crítica. Tudo o que pode ser acordado não precisa ser legislado, é o princípio maior dessa “reforma trabalhista”. Claro que muitos patrões, como seres humanos, rejeitarão essa excrescência, mas quantos identificarão nela mecanismos para lucrar mais?

Acresce lembrar a fábula do lobo e do cordeiro.  Quem é quem? Muitas entidades patronais estão em festa com a iniciativa endossada pelo presidente Temer, o ministro Padilha e outros de igual inclinação. O Congresso prepara-se para apoiá-la, com o PMDB à frente. Dos partidos e associações trabalhistas, nem se vê um único protesto. Das centrais sindicais e dos sindicatos, nada.

FALTA REAÇÃO – Querem aprovar a nova legislação até o fim do ano. É o acordo entre a guilhotina e o pescoço.

Parece incrível que Michel Temer sustente um projeto desses. Ou que os trabalhadores e assalariados não reajam. Até mesmo que deputados e senadores, em maioria, aprovem tamanha asneira, passaporte para a implosão social.

2 thoughts on “Reforma trabalhista: volta à escravatura ou acordo entre guilhotina e pescoço

  1. O Carlos Chagas continua pensando como se vivesse no seculo XVIII. Talvez ele deveria começar de novo a viajar, visitar os países desenvolvidos e aprender um pouco. Um pouco que seja já o tornaria melhor.

  2. O Mundo e com ele a Economia são DINÂMICOS, vão mudando, e aceleradamente com o tempo.
    A pratica nos mostra que o Salário Real só sobe quando a Economia induz mais DEMANDA por Empregos, do que tem de Candidatos a Empregos.
    Exemplo ; Num ano criaram-se 3 Milhões de Empregos e só tem 2 Milhões de Brasileiros para preencher essas Vagas nesse ano.
    Caso não aconteça isso, o Salário Mínimo tende a ser um simples Salário de Subsistência, e para quem consegue um Emprego de Salário Mínimo.
    A LEI por mais boa intenção que se tenha, não tem FORÇA para mudar essa realidade.
    Como nossa CLT não está induzindo a criação de Empregos, me parece necessário alterá-la para melhor, mantendo-se os DIREITOS TRABALHISTAS BÁSICOS.

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