“Reino Unido, vá para o inferno”?, dizem os islamitas

Percival Puggina

O pequeno vídeo (4 min.), que pode ser visto com legendas, impressionou-me vivamente. Ele mostra uma jovem, Stacey Duley, apresentadora de TV, visitando sua cidade natal, no interior da Inglaterra. Luton fica a 90 km de Londres e tem uma população 260 mil habitantes. Pequena parcela, pouco menos de 10%, é muçulmana.

Durante essa visita, Stacey gravou um programa para a BBC com o título My Hometown Fanatics (Os fanáticos da cidade onde nasci). Nas filmagens que fez e nos depoimentos que colheu, ela registrou um protesto da comunidade muçulmana e interagiu com os manifestantes. O grupo estava contrariado com a prisão de uma senhora cujo marido fora detido como terrorista após explodir uma bomba em Estocolmo. Os manifestantes gritavam bordões mandando ao inferno o Reino Unido e a Polícia Britânica.

Em breves entrevistas selecionadas para esse pequeno vídeo, eles lhe dizem que, segundo o Corão, não deviam se submeter a qualquer lei não islâmica, que o primeiro ministro David Cameron não era muçulmano e que todos os não muçulmanos arderiam no inferno.

VERSÃO INTEGRAL

Há muito mais no My Hometown Fanatics, na versão integral, mas sem legendas. Entre outras entrevistas e imagens, há afirmações sobre a superioridade da Sharia (o Direito islâmico), veem-se muçulmanos distribuindo nas ruas panfletos com condenações à democracia e à liberdade porque tais atributos estariam “destruindo a sociedade inglesa”. E há também, obviamente, reações a tudo isso por parte da sociedade local.

Para não ficar preocupado ao assistir esse documentário basta estar desinformado sobre os acontecimentos que se desenrolam com violência interna em praticamente todo o Islã. Basta nada saber das guerras tribais e étnicas e dos conflitos multisseculares entre sunitas e xiitas. Basta não ter a mínima ideia sobre a pluralidade de organizações terroristas com planos para destruir o Ocidente, objetivo político explicitamente desejado e entendido como dever religioso.

E note-se: não escrevo apenas sobre fatos recentes. Os fatos recentes são mera continuidade, por outros meios, da jihad iniciada no 7º século, que levou o Islã pela espada a boa parte do globo, e que prosseguiu, ininterruptamente, até os dias de hoje.

A CULPA

O mundo islâmico precisa parar de atribuir ao Ocidente a culpa de seus males. Tem que olhar para seus 1400 anos de conflitos internos e fazer a própria reflexão sobre os motivos de sua estagnação, de sua pobreza e das aflições que se autoimpõe. Todos os bens tecnológicos e materiais que a civilização proporciona ao mundo islâmico procedem do Ocidente porque a cultura do Islã estagnou no século 15.

Não é razoável, que um muçulmano encontre na terra onde nasceu motivos tão fortes quanto os necessários para abandoná-la, migrando para países cuja cultura odeia e, depois, pretenda moldar esses países segundo seus próprios e superados padrões. Há algo muito errado nisso aí.

Uma coisa é o acolhimento misericordioso, pelo Ocidente, dos fugitivos das guerras e conflitos étnicos e religiosos; outra, bem diferente, é a abertura imprudente das fronteiras num tempo em que os promotores dessas mesmas guerra e conflitos, no discurso e na prática, hostilizam e atacam o Ocidente com atos terroristas.

E A PAZ?

A única solução boa para a guerra e suas consequências é a paz. Mas as decisões pacificadoras não podem ser adotadas unilateralmente quando você tem uma porção do Islã que, apesar de minoritária, envolve dezenas de milhões de pessoas, sentindo-se religiosamente comprometida com a extinção dos ditos infiéis. Sob condições tão drásticas e perigosas resulta ingênuo e imprudente o discurso que quer tornar compulsória a acolhida fraterna e generosa de quantos batam às portas do Ocidente. Deveríamos ponderar sobre os motivos pelos quais esse acolhimento não encontra correspondência entre os próprios muçulmanos, cujos países abastados se trancafiaram aos irmãos de fé. Lá não! Pelo viés oposto, em mais de meia centena de países islâmicos, e há muitas décadas, as comunidades cristãs residuais têm sido objeto de perseguição, massacres, taxação por motivo religioso, expropriação e expulsão.

3 thoughts on ““Reino Unido, vá para o inferno”?, dizem os islamitas

  1. O mundo está precisando de uns malucos eficazes, como, por exemplo, o General Patton. Obama, tal qual Kennedy, adotou a política de lavar as mãos. Putin, ao revés, cresce, embora suas ações sejam ineficazes.

    A Inglaterra, nos tempos da Thatcher, não teria chegado a esse nadir, a que, aliás, quase toda a Europa chegou. Lamentável essa assustadora e célere expansão terrorista.

    O exemplo mais emblemático de que o islamismo é sinônimo de terrorismo foi a conversão do cantor e compositor Cat Stevens, que, numa entrevista, há mais de 20 anos, se postou favoravelmente à morte de Salman Rushdie. Hoje, hipocritamente, segue fazendo seus shows, com aquela fantasia muçulmana, cantando “pela paz” seus sucessos de outrora.

    Paz o cacete!

    Religião boa é aquela que consegue, com sua discrição e modéstia, ser, por outro lado, arauto da paz, da solidariedade, da preservação do meio ambiente e do espírito de coletividade.

    Finalizando: há algum credo que se encaixe nesse ideal que conjecturei? Talvez o Papa Francisco esteja tentando esse milagre. Se lográ-lo, será o único (milagre) em que terei acreditado.

  2. A invasão muçulmana a Europa já começou.Em 04 gerações os muçulmanos serão maioria na França.
    Dos 850 mil habitantes de Marselha , um terço segue o islamismo. É uma porta de entrada de muitos imigrantes africanos que chegam à França, vindos principalmente dos países islâmicos.
    A França cristã já está condenada.

  3. Os Estados Unidos e os “tiranos democráticos”
    07.10.2015

    Os Estados Unidos e a Arábia Saudita pedem para que a Rússia cesse os bombardeios contra os terroristas na Síria, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos, acusam a Rússia de bombardear “outros” terroristas treinados e armados por eles para derrubar o Presidente sírio Bashar Al Assad.

    Por outro lado, o mundo pede para que a Arábia Saudita cesse a invasão ao Iêmen e com os ataques aéreos que têm vitimado a população civil em grande proporção.

    Valter Xéu*

    Os Estados Unidos, com seus drones no Oriente Médio, lançam, diariamente, bombas contra escolas, hospitais, mercados e ate mesmo festas de casamentos na Síria, sempre alegando se tratar de ataques a bases terroristas. Os mesmos terroristas que eles armaram e treinaram, desde o início da crise, para espalhar o terror na Síria, no Iraque e em toda a região do Oriente Médio.

    Israel, que pinta e borda na região do Oriente Médio, onde é raro o dia em que não pratique um atentado contra o povo palestino, também está a reclamar da Rússia e com razão, pois os sionistas prestam todo tipo de apoio aos psicopatas e insanos membros do Exercito ISIS.
    No seu discurso na 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu, vociferou contra o acordo nuclear do Irã com as potencias ocidentais. Disse o assassino primeiro ministro (assassina diariamente centenas de palestinos, não importando até se forem mulheres e crianças e as cadeias de Israel estão superlotadas de jovens palestinos sem nenhuma acusação formal) que tal acordo não trará paz.

    O que temos certeza, é que enquanto o mundo não assumir uma posição forte contra Israel, a paz na região dificilmente acontecerá, pois o plano expansionista dos sionistas é ocupar os territórios dos países vizinhos, através do incentivo da criação de novos assentamentos judaicos, escudadas pelo seu vasto arsenal nuclear, para o qual o mundo faz vista grossa, enquanto pune o Irã, com sanções econômicas, por desenvolver energia nuclear para fins pacíficos.

    Para o tresloucado mandatário israelense, o Irã além de desenvolver armas atômicas, apoia grupos terroristas nos países da região, coisa que o Mossad e a CIA, fazem com maestria, em conjunto com o Estado Islâmico, e que a mídia, por estratégia, por conveniência ou por falta de visão sobre quem é quem no Oriente Médio, esconde tal fato.

    O curioso é que a mídia-empresa ocidental nada publica sobre o arsenal nuclear israelense que é o quinto maior arsenal nuclear do planeta. E a AIEA – Agencia Internacional de Energia Atômica, órgão ligado a ONU, não tem permissão para inspecionar as instalações nucleares israelenses. Aliás, quando se trata de armas de destruição em massa, podemos dizer que Israel é detentora de todos os tipos, tanto as já mencionadas nucleares, quanto as químicas e biológicas. Israel é a ameaça real à região do Oriente Médio.

    O mundo sabe disso, a mídia também, muito embora, descaradamente, omita. Quanto ao Irã, manchetes e mais manchetes são publicadas diariamente. O país não possui armas nucleares, porém desenvolve um programa nuclear para fins pacíficos, assinou um acordo com os americanos e Obama saiu falando que ‘o mundo respirava aliviado’.

    Enquanto isso, não se tece nenhum comentário sobre o fato de Israel ser detentora de mais de duzentos artefatos nucleares.

    O “tirano” Assad

    No Brasil e no mundo é comum a mídia se referir a Assad com tirano, ditador e adjetivos similares, enquanto um dos regimes mais sanguinários do planeta, comandado há mais de um século pela família real saudita, não recebe nenhuma crítica. Os governantes da Arábia Saudita não têm nenhuma noção de democracia, não respeitam os direitos humanos essenciais e ainda tratam as mulheres dentro de um regime tribal de cerceamento de direitos elementares, tais como ir e vir, trabalhar, votar e até mesmo dirigir automóveis.

    Obama chamou Assad de tirano mas se alia aos ditadores da região, por serem ‘amigos dos Estados Unidos’. O fato de ser ‘amigo dos Estados Unidos’ confere à estes países algum ‘selo de democracia’?

    Como bem disse Michael Hudson, em artigo assinado dia 29 passado, no Counterpunch, “Democracia” existe onde a CIA derrube Mossadegh, no Irã, para lá instalar o Xá. “Democracia” há onde os EUA patrocinem os Talibãs contra a Rússia, para derrubar o governo secular do Afeganistão. “Democracia” há na Ucrânia do golpe para pôr no poder “Yats” e Poroshenko. “Democracia” é os EUA instalando Pinochet no governo do Chile. Democráticos, só “os nossos felás-da-puta”, como disse Lyndon Johnson referindo-se aos ditadores que a política externa dos EUA instalou no poder na América Latina.

    *Valter Xéu é jornalista e editor de Pátria Latina e Irã News

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