Renan escalou Gilmar Mendes para falar depois de Moro para desmoralizar o juiz

No início da sessão, Mendes e Moro ficaram conversando

Cristiane Jungblut e Evandro Éboli
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, rebateu os posicionamentos do juiz Sérgio Moro sobre Lei de Abuso de Autoridade e pacote anticorrupção. Os dois divergiram sobre os dois assuntos. Ao contrário de Moro, Gilmar Mendes diz que é sim momento de votar a Lei que pune o Abuso de Autoridade e elogiou a Câmara por ter modificado o pacote anticorrupção. Momentos antes, Moro havia lamentando a atitude da Câmara.

Gilmar disse que a Câmara “mandou bem” ao retirar do pacote itens que tratam de habeas corpus e aceitação de provas ilícitas. Irônico, o ministro disse que o Congresso não poderia esperar o fim da Lava-Jato ou de qualquer outra operação para tratar de Lei do Abuso de Autoridade. Pouco antes, Moro dissera justamente que esse não era o momento. Chamou o juiz simplesmente de Sérgio e disse que se davam bem.

MOMENTO CERTO – “Não compactuo com a visão de que esse não é o momento adequado para se tratar desse tema. Sérgio Moro, com toda honestidade intelectual, há suspeita de que temos inimizade, vou até contribuir sobre um livro a seu respeito, mas a Lava-Jato não precisa de licença especial para fazer suas investigações” — disse Renan, irônico: “Teríamos que buscar ano sabático das operações para que o Congresso pudesse deliberar sobre um tema como esse?”

Gilmar disse que há sim situações inequívocas de abuso. “Quando alguém fica preso por 11 anos provisoriamente. Aqui, não se pode falar em crime de hermenêutica nesse caso”.

E Gilmar bateu de frente com Moro ao elogiar o papel da Câmara no caso do pacote anticorrupção. “A Câmara fez bem em rejeitar a questão do habeas corpus. Nesse ponto, a Câmara mandou bem em rejeitar habeas corpus, a prova ilícita. Se esse projeto tivesse sido aprovado, isso acabava com o habeas corpus como o conhecemos” — disse Gilmar.

VAZAMENTOS – O ministro ainda cutucou Moro ao criticar vazamento de gravações, sem citar o episódio de Moro ter liberado gravações envolvendo a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. “Há vazamentos, e é preciso dar nome pelo nome (que é)” — disse Gilmar.

O ministro ainda ironizou o fato de a proposta das dez medidas de combate à corrupção ter sido de iniciativa popular. Para ele, nem sempre as pessoas sabem do que estão falando ou defendendo. E comentou os protestos ontem contra a postura da Câmara.

“Duvido que esses dois milhões de pessoas tivessem consciência disso, ou de provas ilícitas, lá no Viaduto do Chá (SP). Não vamos canonizar iniciativas populares” — disse Gilmar.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Renan escalou Gilmar Mendes propositadamente para falar depois de Moro, com o intuito de torpedear as afirmações do juiz, mas não deu certo, porque o ministro do Supremo sabe até onde seu braço alcança, digamos assim. O relacionamento de Renan/Mendes é antigo. Inclusive, quando subitamente desencavou esse projeto da Lei do Abuso de Autoridade, que ninguém nem sabe o autor, Renan disse ter se inspirado numa tese do próprio Gilmar Mendes, que não negou. O ministro do Supremo é ótimo showman, gosta de fazer piada, mas o assunto não é de brincadeira. Pelo contrário, os dez itens precisam ser discutidos com a máxima seriedade. É o que se espera que o relator Requião venha a fazer, mas ele está sob suspeita, porque foi um dos 14 senadores que queriam aprovar a “urgência urgentíssima” de Renan para aprovar o projeto Frankenstein da Câmara e inviabilizar a Lava Jato. Vamos aguardar.  (C.N.)

20 thoughts on “Renan escalou Gilmar Mendes para falar depois de Moro para desmoralizar o juiz

    • Faz tempo que o Gilmar Mendes, mudou de lado basta ver as declarações que anda fazendo. Tem muito ministro do STF com o rabo preso e o Renan está com o pé sobre todos os rabos. Coisa triste um tribunal superior subjugado aos bandidos.

  1. Não sei porquê tantas nuances, qual o objetivo deste projeto do MP, impedir a corrupção que se instalou no país, agora querer modificar o que já é claro, existe a intenção maldosa do sr. Renan Calheiros e todos que estão receosos com o resultado de seus processos, o que pode acontecer após a aprovação com todo teor do MP, este é o motivo das modificações que estão impondo ao projeto original, impedir que a justiça cumpra seu dever e prolongue as sentenças até a prescrição.

  2. O Ministro “fala-mansa” de voz soprada começou a afiar a língua e se juntar aos prantos da cumpanheirada a partir do momento em que a lava-jato enquadrou políticos do PSDB no elenco de atores do circo em temporada espetacular na terra da corruptocracia.

  3. Sobre as maletas de escutas. Ninguém escuta mais nada…. O Gilmar e o outro anterior estavam escalados para cercar o Moro. Foi nítido que o circo estava armado. Continuo batendo na tecla a justiça é um atraso no Brasil.

  4. O povo brasileiro, desiludido com tanta corrupção e safadeza de alguns políticos, não hesitaria, mesmo sem ler, se é contra a corrupção, qualquer um assinaria embaixo.
    É com grande desilusão, que vemos o Roberto Requião, que tinha uma boa biografia,(era um bom candidato a presidente) passar para o lado do PT. Será que ele não enxerga que o PT desgraçou o país?

  5. Gilmar é sinistro, envergonha o STF, fazendo-o ser stf, e de cambulhada leva o TSE, que preside.
    Estupra e vilipendia a Srª Justiça, mas como todos nós , enfrentará um Tribunal que faz Justiça, a Consciência, quando sua porta abrir, o túmulo.
    Gilmar, deveria sentir vergonha, mais é um Amoral, em querer contestar um JUIZ que Honra a Srª Justiça e a Pátria.
    Que Deus proteja e ilumine o Juiz Sergio Moro, e sua equipe MPF e PF. Placar: Sergio Moro 100, stf e seus sinistros Zero.

  6. Gilmar Mendes é uma vergonha, todo brasileiro esta vendo suas declarações a favor destes bandidos do senado e camara, o Renan que o convocou, ta na cara isso, sabia que ia defende-lo, que palhaçada pensa que os brasileiros e burro

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