Renan inclui mais nomes e a CPI aprova quebra do sigilo telemático de Bolsonaro

Mesa diretora exibe painel com nome das vítimas da Covid, feitas pela bordadeira do coletivo "Linhas do Rio", Maria Eugênia Duque Estrada Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

CPI exibe painel com nomes de algumas vítimas da Covid

Evandro Éboli, Adriana Mendes, Julia Lindner e Melissa Duarte
O Globo

O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), atendeu ao pedido para ampliar a lista dos indiciados no relatório final da comissão, incluindo o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), o governador do Amazonas, Wilson Lima, e o ex-secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo. Desta forma, o colegiado aumenta o número de pedidos de indiciamento para 81, sendo 79 pessoas e duas empresas.

Após um recesso de 1h25m, a sessão da CPI retornou com a fala do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que também ressaltou a importância do trabalho da comissão. Na presidência da reunião, Randolfe informou que às 17h a sessão será novamente suspensa porque está previsto o início da ordem do dia. Segundo ele, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, informou que  a sessão deverá ocorrer até por volta da 19h. Assim, depois, a CPI retorna para a fala dos demais senadores e a votação final do relatório.

DEFESA DO GOVERNO – Com a retomada da sessão, os senadores governistas Marcos Rogério e Eduardo Girão voltaram a defender o governo e criticar a investigação da CPI. Girão também defendeu o senador Luis Carlos Heinze, incluído por Renan como indiciado no relatório final por defender medicamentos sem eficácia comprovada. “É algo lamentável, que a gente espera que isso não ocorra” — disse Girão.

Nesta terça-feira, a CPI vota o relatório final, marcando o último capítulo da comissão que, em seis meses de trabalho, investigou a condução da pandemia pelo governo federal. A tendência é que o parecer seja aprovado, já que o relator integra o grupo majoritário do colegiado, o chamado G7.

Defensor de medicamentos do “kit Covid”, comprovadamente sem eficácia, Heinze apresentou em seu relatório em separado 284 pesquisas favoráveis à hidroxicloroquina e 137 estudos da ivermectina.

EM NOME DA CIÊNCIA – Ao defender os medicamentos, interrompeu sua fala ao ouvir comentários da mesa, e rebateu:“Eu quero que respeite. Eu falo em nome de cientistas e não de charlatões (…) pesquisas não são narrativas” — afirmou.

O senador também elogiou o Conselho Federal de Medicina (CFM), que transferiu para os médicos a responsabilidade pela prescrição de medicamentos como cloroquina, mesmo tendo conhecimento da ineficácia do tratamento. Heinze defendeu o Bolsonaro e não poupou criticas à CPI.

— Essa aberração [a CPI] foi uma das mais alucinantes que o Congresso produziu em toda sua história (…) e foi armada para condenar os fatos na tentativa grosseira de derrubar o presidente da República e evitar sua eleição em 2022.

INDICIAMENTO – Na sequência, o senador Alessandro Vieira (Ciidadania-SE) pediu o indiciamento de Heinze. O pedido foi acolhido em seguida por Renan, que comentou que o colega “reincidiu todos os dias na divulgação de estudos falsos negados pela ciência”. À noite, porém, Alessandro Vieira voltou atrás. pediu que o relator desconsiderasse e Renan atendeu. 

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), negou no início da sessão que “houve acordo”  para indiciamentos na CPI.  Ele afirmou que “o fato é maior para qualquer acordo”.

O amazonense Eduardo Braga (MDB-AM) pediu o indiciamento do governador do Amazonas, Wilson Lima, e o ex-secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo, pelo caos em Manaus em janeiro deste ano. Renan incluiu Lima entre os indiciados. Com isso, Braga desistiu de apresentar voto em separado.

QUEBRA DE SIGILO – Na sessão, a CPI aprovou a quebra de sigilo telemático das redes sociais de Bolsonaro, além de a suspensão de acesso aos seus perfis e um pedido de retratação do presidente por declarações em live na semana passada em que associou a vacina contra a Covid-19 ao desenvolvimento do vírus da Aids. O pedido era um requerimento do senador Randolfe Rodrigues. (Rede-AP), vice-presidente da CPI.

O documento pediu ainda para que Google, Facebook e Twitter forneçam uma série de informações de Bolsonaro, como dados cadastrais, registros de conexão e cópia integral de todo conteúdo armazenado nas plataformas, inclusive informações de acessos e relativas a todas as funções administrativas e de edição.

A CPI também aprovou requerimento de Randolfe que exige retratação de Bolsonaro sobre declaração dele que associou a vacina contra a Covid-19 contra a contaminação por HIV.

BANIR DAS REDES – A comissão irá enviar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedido de ação cautelar que determine o banimento de Bolsonaro das redes sociais.

Aziz afirmou ser muito grave a declaração de Bolsonaro, feita na live da última quinta-feira, e defendeu que o Congresso se posicionasse sobre o assunto.

— A Presidência é uma instituição, e não um boteco, quem se se fala como quem está tomando cerveja e comendo churrasquinho. Uma fala sem cabimento. Tem gente que ainda diz para mim se o PGR (procurador Augusto Aras) vai engavetar? Temos 60 milhões de brasileiros como testemunhas dessas provas — disse Aziz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O resultado final da CPI só será conhecido no final da noite desta terça-feira, com a votação do relatório. Vamos aguardar. (C.N.)

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