Renan pede a demissão do ministro “chefete de polícia”, mas Temer nega

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em coletiva para falar sobre a Operação Métis

Renan esculhamba o ministro, o juiz e a Polícia Federal

Daniel Carvalho e Marina Dias
Folha

Em seu primeiro pronunciamento público após a Operação Métis, realizada no Senado na semana passada, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez duras críticas ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e disse que a Polícia Federal utiliza “métodos fascistas” por ordem de um “juizeco de primeira instância”. Bastante irritado, ele atacou também o que considerou “excessos” da Lava Jato. “É inacreditável que uma pinimba de agentes policiais de um poder acabe definindo uma crise institucional”, afirmou Renan, em alusão à delação de um policial legislativo que deu origem a ação que culminou com a prisão de quatro agentes do Senado.

Acompanhado dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), além do deputado Paulinho da Força (SD-SP), Renan disse que o Senado ingressará com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para “fixar as competências dos poderes”.

No texto, o presidente do Senado citará o episódio envolvendo a busca e apreensão realizada no apartamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), a condução coercitiva do ex-presidente Lula e os áudios vazados de conversa entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff.

“ESPETÁCULO INUSITADO” – “Um juizeco de primeira instância não pode, a qualquer momento, atentar contra um poder. É lamentável que isso aconteça num espetáculo inusitado, que nem a ditadura militar o fez, com a participação do ministro do governo federal que não tem se portado como um ministro de Estado. No máximo, tem se portado como um ministro circunstancial de governo, chefete de polícia”, disse Renan, afirmando que a Operação Métis, da última sexta-feira (21), teve objetivo de “constranger e intimidar”.

“Tenho ódio e nojo a métodos fascistas. Como presidente do Senado, cabe a mim repelir”, afirmou. “A Lava Jato é sagrada, significa sempre avanços para o país. Mas não significa dizer que não podemos comentar seus excessos. Comentar excesso da Lava Jato ou de qualquer outra operação não significa conspiração, em português claro”, disse ele.

“A submissão ao modelo democrático não implica em comportamentos passivos diante desses abusos. A nossa trincheira tem sido sempre a mesma, a justiça, processo legal, sem temer esses arreganhos, truculência, intimidação, afirmou o presidente do Senado.

ESTADO DE EXCEÇÃO – “Se a cada dia um juiz de primeira instância concede uma medida excepcional, estaremos nos avizinhando perigosamente do Estado de exceção. Não podemos chegar a isso”, disse Renan, alegando que houve “dezenas” de pedidos de varredura, inclusive de senadores que não são alvo da Lava Jato. “A Lava Jato não faz escuta ilegal. A varredura não tem nada a ver com a Lava Jato.”

Em mais de meia hora de entrevista, Renan Calheiros listou 32 pedidos de varreduras feitos por senadores, ex-senadores, servidores, além do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Fazer varredura para detectar grampos ilegais é uma rotina. Esta atividade, além de regulamentada no Senado Federal, é uma atuação rotineira”, disse Renan, completando que até a Polícia Federal já requisitou os equipamentos do Senado, em 2005.

Indagado diversas vezes, Renan disse que “nunca” solicitou varredura em sua própria residência. Seu nome aparece apenas como solicitante de inspeção no gabinete do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas, afilhado político do presidente do Senado.

Renan não soube informar o que motivou os pedidos de varredura e desconversou quando indagado sobre as inspeções feitas logo após operações da Lava Jato. “Eles pediram logo depois das buscas e apreensão porque se sentiam invadidos na sua intimidade”, afirmou, sem explicar os motivos para algumas varreduras não serem registradas.

QUEIXAS A TEMER – Após as críticas públicas, Renan se deslocou ao Palácio do Planalto para encontro com o presidente Michel Temer. Os ataques a Moraes aumentaram o desgaste na imagem do ministro e a pressão interna no governo federal para que Temer troque o comando do Ministério da Justiça.

O presidente, contudo, tem dúvidas em realizar uma troca neste momento. O receio é que uma demissão passe a mensagem pública de que ele cedeu a um pedido de Renan e seja acusado de querer interferir na Lava Jato ao exonerar alguém que não impôs obstáculo à operação policial.

A assessoria de Moraes afirmou que ele não vai se manifestar sobre as declarações de Renan.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A nação deve agradecer ao ainda impune Renan Calheiros essas acusações sobre o “fascismo” da Polícia Federal e a atuação dos “juizecos” de primeira instância, que agora vão responder a essas ofensas agindo com o rigor que a sociedade anseia.  Renan pediu a cabeça do ministro Alexandre Moraes, mas Temer resistiu. Se Renan não tivesse foro privilegiado, já estaria na cadeia há muito tempo. A leniência do Supremo em relação a esses parlamentares criminosos chega a ser aviltante e deprimente. (C.N.)

23 thoughts on “Renan pede a demissão do ministro “chefete de polícia”, mas Temer nega

  1. Onde estão os Senadores “honestíssimos” tipo Aécio Neves, Ana Amélia, Magno Malta, Cristóvão Buarque, Cunha Lima, e etc, que não entram com medidas judiciais contra o cangaceiro Renan Calheiros, para afastá-lo da presidência do senado? O Senado virou um clube de malandros e que se dane a nação. Renan é um sujeito abjeto que demonstra a total desmoralização do STF, que não representa o judiciário, mas outro clubinho de apaniguados. Se os ministros do STF tivessem um mínimo de dignidade, afastaria este criminoso da Senado. Foi para isso que pedimos o fim da ditadura militar e a entrega do poder aos civis?

    • O STF deveria julgar causas constitucionais. Nos USA, por exemplo, discute-se o direito ao aborto, ‘a segregação em escolas, etc. No Brasil, o STF se ocupa também do julgamento de bandidos com foro privilegiado – e o faz mal! Já basta. Ninguém mais aguenta essa pouca vergonha.

    • Caro Eduardo Rj,
      A Suprema Corte do país não afastou o Deputado Federal Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados, pois então faça o mesmo com o Senador Renan Calheiros afastando-o da presidência do Senado Federal!
      E a sua abordagem final é exacerbadamente PERTINENTE, de modo que, certamente não foi para isso que a sociedade civil brasileira pediu o fim do regime militar e a entrega do poder aos civis.
      Arremato com a seguinte pergunta: concedida a abertura pelos militares, o que os civis fizeram dos idos de 1986 para cá em prol do povo brasileiro?

  2. Pobre de argumentos, usando palavras baixas tentando diminuir o trabalho daqueles que estão fazendo algo pelo Brasil. Não adianta, a Lava-jato não pára mais. Esses corruptos que tentam desacreditar os juizes do BEM com palavrinhas “bonitinhas” já caíram. Desçam do universo paralelo. A realidade está aqui. Força jovens juízes e povo brasileiro.

  3. oiaí, xereteando com meus burricos: sucessor da Presidência é o vice, que já está; empós, vem o presidente da câmara dos deputados, que é interino e deve ser definido em votação fev/2017; seguidamente seria esse peralta (presidente do senado)…meus burricos não gostaram da história e passaram a noite mal dormida…

  4. Renan diz que 17 senadores pediram varreduras para identificar grampos

    Segue a lista:
    Depois que a entrevista terminou, a assessoria do Senado distribuiu uma lista dos senadores que fizeram a solicitação de varredura. Na lista, estão os nomes dos seguintes senadores (em ordem alfabética):

    – Aloysio Nunes (PSDB-SP)
    – Álvaro Dias (PV-PR)
    – Ciro Nogueira (PP-PI)
    – Eunício Oliveira (PMDB-CE)
    – Fernando Collor (PTC-AL)
    – Gleisi Hoffmann (PT-PR)
    – Ivo Cassol (PP-RO)
    – Magno Malta (PR-ES)
    – Omar Aziz (PSD-AM)
    – Raimundo Lira (PMDB-PB)
    – Renan Calheiros (PMDB-AL)
    – Simone Tebet (PMDB-MS)
    – Tasso Jereissati (PSDB-CE)
    – Vicentinho Alves (PR-TO)
    – Waldemir Moka (PMDB-MS)

    Também solicitaram varreduras quando exerciam mandatos, informou o Senado, dois ex-senadores:
    – Lobão Filho (PMDB-MA)
    – Vital do Rêgo (PMDB-PB)

    Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/renan-diz-que-17-senadores-pediram-varreduras-para-identificar-grampos.html

  5. Curioso …
    Petistas, comunistas, pedetistas … se rasgavam vociferando “fora Cunha”, como se cassar o deputado ladrão fosse solucionar os problemas do país e “purificar” o antro de corrupção que se tornou o Congresso Nacional!
    Por que não fazem o mesmo com Renan?
    Aonde se escondem os parlamentares que tanto exigiam a retirada de Cunha, e que agora se omitem com os crimes do presidente do Senado, inclusive ofendendo juízes e a Polícia Federal?
    Cambada de safados!

  6. É a triste realidade brasileira, ter um presidente do senado que só não está preso por desfrutar de foro privilegiado, e que, até bem pouco tempo, não tinha um presidente da câmara preso pelo mesmo motivo.

  7. A Operação Métis da Polícia Federal foi deflagrada por causa das varreduras realizadas por agentes da polícia legislativa do Senado Federal em residências de senadores para identificação de eventuais escutas telefônicas, diga-se de passagem, com autorização judicial, estas varreduras efetuadas pela tal polícia legislativa, induvidosamente com o objetivo de obstrução das investigações realizadas pela operação Lava Jato e existe qualquer dúvida de que obstrução de justiça é CRIME.
    É importante destacar que a referida operação não recaiu sobre autoridade com prerrogativa de função, ou seja, o tal do famigerado foro privilegiado, ainda que recaia sobre o presidente do Senado Federal a pecha de ser um dos investigados da Operação Lava Jato, essa operação recaiu sobre os agentes da polícia legislativa daquela casa legislativa, portanto, que não gozam dessa prerrogativa de função, razão pela qual cabe assim, a decisão a ser exarada de sua autorização ou não ao juiz de 1ª instância.
    Em tais condições, estreme de dúvida lamentável a conduta do presidente do Senado Federal, pois depreciativa de todo o Poder Judiciário brasileiro.
    Mas não poderíamos esperar outro comportamento do Senador Renan Calheiros, comportamento, aliás, típico daqueles que pensam que estão acima da lei.

  8. O senado precisa ser limpo! Poucos, raros, sobrarão. E a limpeza terá de ser por “extração” cirúrgica. Só a lei e agentes dela farão isto. Se dos políticos não podemos esperar nada, o mesmo pode-se dizer da maioria do povinho brasileiro. Tirar Renan, Aécio e outros e, em seus lugares colocar-se outros iguais ou piores, é risco eminente. As eleições municipais continuaram a indicar que o voto, da maioria dos eleitores, desqualificados, sujos, corruptos e negociados, só podem continuar reproduzindo a velha história, com gente da mesma laia. Os parlamentos são todos espelhos e reflexos da sociedade em que vivemos. O resto, bem, o resto é conversa de bêbedo, do primeiro ao último gole.
    Renan grita porque já enxerga a sombra das grades!

    • As observacoes quanto å massa votante, infelizmente, são verdadeiras, e demorará muito para a depuracao desse material desaculturado de outros valores que nao sejam o do imediato locupletamento fisiológico. Difīcil prever se a unidade nacional resistirá à espera.

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