Renan suspende recesso parlamentar para acelerar impeachment de Dilma

Dilma tem 20 dias para apresentar sua defesa ao Senado

Julia Chaib
Correio Braziliense

Aprovada a admissibilidade do processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi dada a largada ao prazo máximo de 180 dias para que o Senado conclua a análise do caso. Agora, a petista passa a ser processada, com notificação de que tem 20 dias corridos para apresentar a defesa. Com o objetivo de acelerar os trabalhos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou que o recesso parlamentar em julho será suspenso.

O presidente da Comissão Especial de Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), disse que o colegiado passa a ser chamado de Comissão Especial Processante e que fará agora a fase de instrução, com coleta de provas e interrogatórios. O parlamentar não acredita que o procedimento durará 180 dias. “Nós não temos a intenção de usar todo esse prazo, porque criaria uma expectativa na população brasileira. Mas não vamos acelerar nem encurtar o prazo a ponto de prejudicar a ampla defesa dos acusados”, ressaltou.

A elaboração do novo parecer segue sob responsabilidade do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).

LEWANDOWSKI À FRENTE

Acima de Raimundo Lira está o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que esteve nesta quinta-feira no Senado para assinar dois documentos. Um deles é o termo que o torna presidente do Senado para atos relacionados ao impeachment. Caberá ao ministro analisar os recursos feitos à Comissão Especial Processante. “(O Supremo) Tem a função básica de ser o órgão recursal”, disse.

O primeiro ato dele foi assinar o mandado de notificação que determina a Dilma 20 dias corridos para apresentar a defesa.

Lewandowski descartou a possibilidade de que se acrescentem novas denúncias ao processo além daquelas recebidas pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Elas dizem respeito à edição de seis decretos suplementares sem a autorização do Congresso e supostas práticas de operações de crédito ilegais, chamadas de pedaladas fiscais.

EM DUAS FASES

Segundo o ministro, o julgamento se dá em duas fases. A primeira será destinada a diligências e à coleta de documentos para a produção de provas. De acordo com o ministro, essa etapa se assemelha a um julgamento de júri. Dilma receberá um convite para comparecer ao colegiado. Caberá a ela a decisão.

O magistrado explicou que o rito usado será o mesmo do seguido na época de Fernando Collor em 1992, conforme definiu o Supremo quando tratou do impeachment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Do alto de sua arrogância, Dilma Rousseff se achava acima da lei. Sobre as pedaladas fiscais, por exemplo, ela simplesmente alegou que a Caixa Econômica Federal pertence ao governo, que a seu ver poderia dispor dos recursos da instituição como bem lhe aprouvesse, desde que depois pagasse os juros. Ignorante, Dilma não sabia da existência de leis que proíbem expressamente que isso aconteça. No dia da votação no Senado, quando o relator Anastasia leu essa inacreditável declaração de Dilma, todos enfim puderem entender a que ponto chega a prepotência da primeira mulher sapiens a ocupar à Presidência da República. (C.N.)

13 thoughts on “Renan suspende recesso parlamentar para acelerar impeachment de Dilma

  1. O que você quis dizer com a primeira mulher sapiens? E aponte as leis que você amparou. Essas leis que acreditam ter sido ignorados foram interpretadas de forma a acusar a presidente. Olha pra história, outros governantes fizeram, nenhum punido ou sequer questionado.

  2. Para C.Newton e Dr.Jorge Beja.
    Sugiro que atentem para o Parágrafo Único do Artigo. 68 da Lei 1.079/1950, que trata do impeachment. No julgamento no Senado o quorum é de 2/ 3 é dos VOTOS DOS SENADORES PRESENTES. A imprensa tem informado, erroneamente, que é 2/ 3 dos números de senadores, ou seja, 54 votos, 2/ 3 de 81 senadores. Está incorreta está informação. São 2/ 3 dos votos dos senadores presentes à votação. Assim, se estiverem presentes 77 senadores no julgamento, como na fase de admissibilidade, o número de votos necessários seria de
    51votos e não 54 votos como todos estão dizendo. Seria importante que o Dr. J. Beja análise esse assunto que é de extrema importância. Um único voto pode mudar tudo é a Dilma voltar alegre e saltitante.

  3. Desculpem-por algumas incorreções no posto anterior, mas o corretor automático é de lascar. A sugestão foi para o Dr. Jorge Beja e não para Dr. Janeiro Beja.

  4. O moleque de recado do Banco de Boston declarou que o direito adquirido da aposentadoria não está acima da Constituição… Temerzinho rastejante, por que não pega os teus amigos sonegadores e o roubo do compulsório dos bancos ???

  5. Tenho analisado esse processo de impeachment sob uma ótica fria acerca do comportamento humano de suas excelências.
    Deflui cristalinamente, além da cara de pau óbvia dessa classe política, advém a mais absoluta falta de solidariedade ao amigo da véspera, que é traído ao sabor dos ventos contrários e da sobrevivência partidária.
    Escrevo não somente pensando em Renan, que foi dos últimos a trair. Renan também foi traído por todos, quando foi obrigado a renunciar a presidência do Senado para evitar a cassação de seu mandato por falta de decoro parlamentar.
    Collor foi traído por quase todos seus ex-amigos, inclusive por Renan seu melhor amigo das Alagoas.
    No entanto, Gilberto Kassab e Leonardo Picciani bateram o recorde da traição a Dilma. O primeiro foi ajudado por Dilma para criar seu PSD e ganhou dela o Ministério que fura poço, o das Cidades. O segundo, Leonardo, ganhou o cargo de líder, poder para nomear ministros como o da Saúde e uma luta acirrada do governo para destituir o indicado por Cunha, o desconhecido deputado mineiro Quintão ligado as mineradoras. Nesse ponto da curva, Cunha decidiu aceitar a proposta de impeachment ferido em seus mais solenes brios. Lógico que a manobra do PT em tirar o apoio à Cunha no Conselho de Ética também pesou sobremaneira.
    Não menos importante do que as outras traições, a de Sérgio Cabral e Eduardo Paes doeram na alma de Dilma e Lula para o resto de suas vidas. Me refiro ao apoio integral que Lula e depois Dilma deram ao Rio de Janeiro para que a cidade pudesse sediar as Olímpiadas. Inclusive criou uma ciumeira generalizada nos demais Estados da Federação. Pois bem, esses dois políticos nada fizeram para impedir que seus pupilos pedissem exoneração de seus cargos em Secretarias do Estado e da Prefeitura para que fossem a Brasília votar a favor do impeachment.
    De nada adianta mais esse arrazoado para Dilma e para Lula, que estão nos estertores do ocaso da vida pública. Perderam o bonde da história por falta de experiência política, principalmente no enfrentamento das dificuldades econômicas. O recado é para Michel Temer, a bola da vez presidencial. Seja humilde Temer e governe para o povo que é o juiz supremo do governante, pois os áulicos que o rodeiam são como urubus em torno da carniça. Ao menor sinal de dificuldade seus ministros o abandonarão como fizeram com a governante que sai, sem esperanças de voltar. Farão o mesmo com você Temer, docemente constrangidos e em marcha batida na direção do próximo ungido.

  6. Preocupar-se com o passado é sofrer duas vezes. A parada já foi ganha. É o que todos queriam. O altaneiro Temer, informante dos EUA, já assumiu. E em pouco tempo o Brasil navegará em mar de almirante e céu de brigadeiro.A plebe ignara tem que se comportar, a porrada já está decidida. A CPMF virá e entrará devagarinho sem doer. A elite ficará em posição de sentido e silêncio patriótico. Nas Forças Armadas a coisas mudaram, Marinha e Aeronáutica ainda não concordaram com as mudanças propostas. Os ruralistas já ameaçam matar as lideranças indígenas em Mato Grosso do Sul. No momento, só vaselina perfumada, depois…

    • Concordo plenamente com você mestre Antônio Santos Aquino. Aprendo com suas análises sempre com muita profundidade.
      Só faço um pequeno reparo, acerca do passado. É nele, nos tempos idos, que podemos balizar nossas decisões sobre as ações presenciais e as do futuro. Pelo menos para não errar duas vezes. Um homem inteligente erra sobre fatos nunca antes acontecido, por essa razão, o estudo da história das nações é matéria imprescindível nos currículos escolares.

      Um pequeno adendo: A falta de fair-play no trato entre os comentaristas está ultrapassando todos os limites do bom senso. É preciso respeitar o contraditório, pois é dessa prática, que aprendemos cada vez mais.

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