Renúncia coletiva, uma solução

Carlos Chagas

Na dependência do que vier a acontecer no Esporte, ganhará corpo na Esplanada dos Ministérios uma proposta tão singular quanto  elogiável: por que todos os ministros, num gesto forma, não colocam seus cargos à disposição da presidente Dilma Rousseff? Se ela já deu sinais de promover  no começo do próximo ano  uma recomposição da equipe, melhor fariam seus ministros antecipando-se. Claro que não haverá uma substituição integral do ministério, é possível, até, que a maioria dos 38 ministros permaneça, mas a iniciativa engrandeceria todo mundo, se unânime.                                                        
Alguns  recalcitrantes poderão  alegar que seus cargos sempre estiveram à disposição da presidente, o que é verdade, mas,  sem dúvida, a renúncia coletiva teria o efeito de evitar constrangimentos. Deixaria Dilma mais confortável para livrar-se de uns tantos ministros que não escolheu,  engolidos como indicação dos partidos e do ex-presidente Lula.

Quanto aos novos, é evidente que serão objeto de sugestões da base partidária do governo,  ainda que de forma bem diferente da formação do primeiro ministério. Seria a oportunidade de a presidente selecionar opções com base nas duas exigências que não conseguiu concretizar quando de sua posse: probidade e capacidade.

Por enquanto, a renúncia coletiva é apenas uma idéia, mesmo vista de soslaio precisamente pelos que temem ser substituídos. Poderá prosperar, em especial se o ministro Orlando Silva não se aguentar, na hipótese de surgirem novas denúncias e acusações contra ele. 

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ABSURDO 

Desencadearam os juízes federais uma operação-padrão, paralisando o julgamento de ações  onde a União é autora. Trata-se do primeiro passo para a greve.  Reivindicam aumento de vencimentos e tentam, assim, constranger  o governo.  Convenhamos, é um  absurdo. Certas carreiras são incompatíveis com a greve, suas preliminares  e seus desdobramentos. O Poder Judiciário não tem o direito de apelar para a prerrogativa concedida aos assalariados em geral.  

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TIRANDO O QUE NÃO PODEM DAR

Vencedor dos gregos em Queronéia, Alexandre tornou-se rei da Macedônia com a morte do pai, Felipe. Preparava-se para conquistar o mundo quando, em Atenas, soube da existência de um sábio para ninguém botar defeito, famoso advogado que doara todos os seus bens e fora morar num barril, dando lições de ética e filosofia.  Alexandre quis conhecê-lo, postando-se diante dele com todas as reverências e  homenagens. Ofereceu-lhe tudo o que quisesse: palácios, tesouros, mulheres e poder.                                                        

Diógenes, sem levantar-se da abertura de sua singular residência, respondeu apenas: “Majestade, não me tires aquilo que não me podes dar”.  Alexandre verificou estar entre o filosofo e o sol. Tão chocado ficou que retirou-se sem mais uma palavra.

A historinha se conta a propósito da informação de que o PT prepara uma patrulha virtual para atuar em redes sociais, fazendo propaganda de seu programa e rebatendo todas as críticas sofridas por parte dos  meios de comunicação.  Os companheiros vão invadir twitters, face-books, computadores e toda a parafernália eletrônica atual. Entrarão como intrusos na vida de milhares de pessoas. É o caso de perguntar  se não estarão tirando de todos nós aquilo que não nos podem dar: tempo… 

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COMISSÃO DA VERDADE EM PONTO MORTO

Esbarra num obstáculo a votação da lei que cria a Comissão da Verdade: mesmo constituída para investigar a ação de agentes do poder público durante o regime militar, suspeitos de praticar tortura, violências variadas e até assassinatos, não haverá como os encarregados de tomar depoimentos evitem que os acusados deixem de referir-se ao outro lado.

Traduzindo:  ao defender-se, citarão ações  igualmente condenáveis  dos empenhados na luta armada contra a ditadura.  Vão dar nomes e expor situações, coisa capaz de complicar a vida de  muita  gente hoje no poder. Porque sequestros, assaltos e assassinatos também aconteceram por parte de seus adversários. A imprensa não deixará de reproduzir tudo, até mobilizando-se para ouvir réplicas e tréplicas.

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