Representantes do movimento negro prometem reagir contra recondução na Fundação Palmares

Camargo demitiu funcionários por telefone, na quarta-feira

Augusto Fernandes e Vera Batista
Correio Braziliense

Representantes do movimento negro não querem a permanência de Sérgio do Nascimento Camargo na presidência da Fundação Palmares. E prometem reagir. A Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro) pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o reconduziu à função.

“Vamos apontar cada ação que vá contra a essência do cargo. Alguém que assume a função de defender o povo negro não pode agir contra ele, assim como não faz sentido a existência de um médico que não tenha como princípio salvar o paciente”, explicou Frei David Santos, diretor-presidente da Educafro.

“DIFICULDADE” – Desde o fim do ano passado, quando Camargo foi nomeado, ficou patente — disse Santos — que Bolsonaro e a maioria da equipe dele “têm uma tremenda dificuldade em aceitar o crescimento da consciência e dos direitos do povo negro”.

Para Maria Sylvia Oliveira, presidente da Galedès — Instituto da Mulher Negra, está clara a intenção de acabar com a Fundação. “Quando se desmonta um patrimônio cultural como esse, se está destruindo a identidade de um povo e todas as conquistas que tivemos na Constituição de 1988. Ou ele sai de lá rápido, ou vamos precisar de mais 132 anos para desfazermos todos os estragos”, lamentou.

DEMISSÕES – A atitude de Camargo de demitir funcionários da Palmares por telefone, na quarta-feira, foi avaliada como mais uma afronta à população negra. Marivaldo Pereira, do Círculo Palmarino, afirmou que o gesto “reforça a impossibilidade de ele ocupar o cargo”.

“Desde sua chegada, tem praticado todos os atos possíveis para atentar contra a instituição. Ele não quer uma fundação para o combate ao racismo nem que preze pelas políticas raciais de igualdade. Isso é muito grave”, criticou.

Pereira ainda lamentou que o país não conta com nenhum órgão capaz de atuar em políticas de igualdade racial. “Os dois principais órgãos federais foram dizimados. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) já havia desaparecido dentro do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Agora, na Palmares, temos um presidente que quer sabotar a fundação”, protestou.

LUTA – Presidente da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil, a pastora Waldicéia de Moraes frisou que “mesmo diante de todo esse cenário estarrecedor para a população negra, não podemos abrir mão dos instrumentos conquistados pelos nossos antepassados após muita luta”.

Segundo ela, já ficou claro que a atitude de Camargo faz parte de um projeto de poder do governo Bolsonaro. “Tem como objetivo destruir todas as políticas públicas de igualdade racial pelas quais lutamos a vida toda e impedir que as pessoas em vulnerabilidade social neste país continuem ascendendo socialmente”, acusou. Até o fechamento desta edição, a Fundação Palmares não tinha comentado o assunto.

DISPUTA – A nomeação de Sérgio Camargo à presidência da Palmares foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), há duas semanas. O órgão acatou um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e derrubou a liminar do Tribunal Federal Regional da 5ª Região (TRF-5) que o impedia de assumir o cargo. A Defensoria Pública da União recorreu, mas não há previsão de quando a Corte Especial do STJ levará o pedido a plenário.

8 thoughts on “Representantes do movimento negro prometem reagir contra recondução na Fundação Palmares

  1. Ensino superior, segundo a Constituição, é por mérito.

    E não venham os marxistas reclamarem que meritocracia é injusto. Não é. Quem pode mais, chora menos.

    Preto e índio querem cota, pois bem, que a tenham na forma de bolsas no ensino particular.

    O ideal é o sistema de bolsas só para quem é pobre, onde houver vagas ociosas.

    Aliás, qualquer um que tenha lido a decisão do STF sobre cotas sabe que a conclusão foi pela INCONSTITUCIONALIDADE.

    Porém, aceitou que tal sistema vigorasse por algum tempo.

    Naturalmente os malditos esquerdistas não se opuseram, pois obtiveram vitória melhor do que esperada, sendo que mais cedo ou mais tarde algum governo conservador terá que arcar com o ônus e o bônus de extinguir esta merda de cotas.

    Morte ao Marxismo.

    Pelo fim do comunismo.

    Liberdade e propriedade.

  2. Só pode ter negros, indios, lgbts, mulheres, artistas, nordestinos de esquerda. Se forem de direitas são fascistas, nazistas e outras coisas mais. Esse pessoal perdeu a noção da realidade.

  3. Em defesa do Bolsonaro, seus fiéis aprovam qualquer um que o governo nomear e, quem é contra passa a ser chamado de comunista, de esquerda, etc.
    Sérgio Camargo, já deu demonstrações de racismo, seguindo o mesmo conceito do presidente.
    Há um ditado muito antigo que dizia: o pior capataz é um ex-escravo.

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