Resposta de Santos Aquino a Anselmo Pinheiro sobre Brizola e o PDT

Antonio Santos Aquino

Anselmo Pinheiro, para te responder, permita-me lembrar do primeiro curso político do PDT, nos idos de 1984. O curso seria ministrado por Darcy Ribeiro, um advogado, filho do ministro de Jango no regime parlamentarista Brochado da Rocha, Maurício, um asilado que esteve no Chile e outra personalidade que não me lembro.

O primeiro a dar aula foi Brochado da Rocha. Dizia então o professor: “Companheiros,um partido político é como uma religião; você tem que acreditar nos seus valores. O PDT seguirá seu caminho como se fora uma procissão. Em determinado momento você verá muita gente, em outros pouca gente, em outros pouquissíma gente. Mas o PDT seguirá ao longo da história em busca de seu destino que é a afirmação de nossa ideologia trabalhista de viés socialista. Outros virão para engrossar nossas fileiras. Pois os que ficaram pelo caminho, foram os fracos de espírito, aventureiros, fisiológicos e insuficientes ideológicos”.

Não creio que procurando defeitos nos companheiros, sem um motivo lógico, se construa alguma coisa. Quando eu carrego nas tintas sobre os que querem, usando de métodos fascistas, atingir o companheiro Lupi, a quem nunca ajudaram na árdua missão de presidir legitimamente o PDT depois da morte de Brizola, é como chamar atenção da militância que vivem aterrorizada com essa gente, dizendo: Não tenham medo, ainda tem gente nossa “acampada nos arredores”.

Veja, Pinheiro, eu nunca fui candidato a nada. Nunca tive cargo. Nunca recebi um centavo do partido. Nunca pedi nada ao partido, nem uma gota de gasolina para meu carro e de meu cunhado. Então, Pinheiro, meu problema é ideológico. Na minha longa vida, sei do que são capazes a inveja e a ambição do ser humano. Quanto à Brizola, devemos lembrá-lo com respeito e não pensando como “Zé do Caixão,” tranformando-o em um morto vivo.

Objetivamente: O PDT cresceu, é o quinto partido em militantes. O partido foi roubado no Maranhão pela turma do Sarney e perdeu Jackson Lago nosso governador. No Amapá, Sarney envolveu Góes nosso governador, caboclo inexperiente, que mordendo a isca perdeu o mandato. Por que falo isso? Porque temos que levar em conta tudo. Entretando, os prefeitos, que eram 204, hoje são 380. Temos senadores e deputados de qualidade.

As lideranças de que tu falas, são aquelas que disse Brochado da Rocha: Insuficientes ideológicos, que não se propunham a ajudar. Queriam, como querem Vivaldo e Paulo, o poder. Ganhar no grito com ameaças e desmoralizações infundadas. Se tem algo errado, procurem o TRE, TSE. Se existe crime comprovado denunciem, entrem com ação na justiça. O Trabalhismo de Vargas, Jango e Brizola, nunca usou de metodos antidemocráticos para destruir ninguém. O que não podemos, companheiros, é sermos tutelados por gente que serviu a ditadura enquanto Brizola, Jango, Darcy e outros foram asilados.

Nossos companheiros e nós mesmos estávamos debaixo de pau, presos, humilhados, muitos torturados, mortos, expulsos, carreiras encerradas. Não somos revanchistas, mas, devemos ter coragem de falar e verberar contra os que não respeitam os fundamentos do partido. Partido(PDT) criado por Brizola para abrigar principalmente os perseguidos da ditadura.

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