Restrições de Lula ao governo abrem nova visão do debate

Pedro do Coutto
 
Em reportagem publicada na Folha de São Paulo, edição de sexta-feira, Cátia Seabra e Márcio Falcão revelam que o ex-presidente Lula teceu restrições ao posicionamento do governo diante da mobilização popular que se transformou na voz das ruas. O ex-presidente da República classificou de “barbeiragem” a tese da Constituinte, levantada por Dilma Rousseff, mas no dia imediato retirada de cogitações. Talvez a opinião de Lula tenha pesado na questão, da mesma forma que a do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, ao ser recebido no Palácio do Planalto. Cátia Seabra e Márcio Falcão acentuam que Luís Inácio da Silva identificou também como falha na  comunicação envolvendo as despesas com projetos de mobilidade social com as relativas às obras para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014. 

As restrições – assinalam os repórteres – teriam sido feitas tanto a aliados políticos quanto aos jovens com quem s encontrou na quarta-feira, no Instituto que leva seu nome. O fato é que opiniões colocadas assim, claro, nunca são reservadas, pois inevitavelmente vazam. É natural. É do processo de comunicação humana. O próprio autor das críticas no fundo sabe disso. Mas, seja como for, a publicação da reportagem constitui um fato político em si e abre uma nova visão do debate nacional. Porque, de agora em diante, poder-se-á colocar a pergunta se está ocorrendo, ou ocorreu, alguma divergência entre a atual presidente e o ex-presidente da República, fonte do apoio que a levou à vitória nas urnas de 2010. Lula, que se encontrava retraído, reapareceu na linha de frente. Inclusive sua presença, para o PT, torna-se indispensável em relação à convocação do plebiscito.
UM DESASTRE
Isso  porque, se aprovado pelo Congresso, como as perspectivas indicam, e realizado em prazo de incrível rapidez, ele não pode se transformar em derrota para o governo.Seria um desastre. E para que alcance êxito, é indispensável que as questões colocadas sejam absolutamente claras. Caso contrário, surgem dificuldades. A presidente Dilma Rousseff deseja propor questões simples. Depende da formulação, pois o que é simples para uma parte do eleitorado nem sempre é simples para outra, no caso a maioria. 

Como, por exemplo, colocar o tema do financiamento público das campanhas eleitorais, se exclusivo ou parcial, nesta segunda hipótese permitindo despesas particulares? Como colocar a questão da proporcionalidade dos votos para as eleições de deputados federais, estaduais e vereadores? Como discutir e perceber o que significam listas fechadas de candidatos, surgindo uns na frente dos outros em matéria de possibilidade eleitoral? Temas complicados por natureza. Qual a forma de descomplicá-los? Eis uma questão importante: a capacidade de traduzir perguntas que levam a respostas conscientes. Ou que se presume que assim venham a ser. 

Mas não basta somente isso. É fundamental evitar-se a ocorrência de grande número de votos brancos e nulos diante das indagações. Ela terá que estar no papel, os eleitores terão que assiná-las com traços em cada uma. O lance do governo é arriscado, não tanto pela rejeição à sua iniciativa, mas em função de um contingente elevado de dúvidas que podem levar a indefinições. Um plebiscito não pode resultar em índice alto de indefinições. Outro complicador que setores apresentaram: se o princípio da reele4içã deve ser mantido ou não. O governo não vai querer incluir tal pergunta. Mas é um ponto sensível. Como terminará sendo a seleção das perguntas? Abre-se um novo debate.
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3 thoughts on “Restrições de Lula ao governo abrem nova visão do debate

  1. Senhores,

    Já está na hora da Dilma assumir a presidência. Pelo PT ou por qualquer outro partido!
    E já passou da hora do Lula se tornar ex-presidente…

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