Revelações de Jucá Neto, o homem que sabia demais, pouco a pouco vão minando o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Carlos Newton

Jucá Neto, irmão do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) e  ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), era o homem que sabia demais no Ministério da Agricultura. Entrou em rota de colisão com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi demitido e entregou o esquema todo.

Agora, as denúncias jorram numa enxurrada. Além do lobista Julio Fróes, que tinha sala e secretária no Ministério, sem ser funcionário de carreira ou comissionado, agora se sabe que a Conab se tornou um macrocabide de empregos, onde estão pendurados, sem trabalhar, políticos derrotados nas urnas, apadrinhados e parentes de quem está no poder. Os salários dessa turma estão na faixa de R$ 8 mil a R$10 mil. Nada mal, especialmente se não é preciso trabalhar.

O ex-deputado federal Marcelo de Araújo Neto (PMDB-GO), por exemplo, assumiu recentemente o cargo de diretor de Operações e Abastecimento da Conab. Foi candidato, derrotado, a vice-governador de Goiás na chapa de Iris Rezende (PMDB) ano passado.

Já o neto do deputado federal Mauro Benevides (PMDB- CE), Matheus Benevides Gadelha está na Conab desde maio de 2008, mas raramente aparece lá. É coordenador de Acompanhamento de Ações Orçamentárias, cargo criado para ele pelo ministro Wagner Rossi, é um rapaz de sorte.

O orgulhoso avô agora tem esperança de nomeá-lo para a Diretoria Financeira, que era ocupada por Jucá Neto. Mas, nessa disputa, o neto de Benevides  pode ser vencido pelo também precoce Rodrigo Rodrigues Calheiros, filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que já é assessor especial da presidência da Conab e tem vitoriosa carreira pela frente, não há dúvida.

Por sua vez, novo presidente da Conab, Evangevaldo Moreira dos Santos, nomeado em abril deste ano, foi indicado pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). Evangevaldo, que ainda nem conhece direito a Conab, afirma que as irregularidades no órgão não têm nada a ver com ele e ocorreram na gestão de Alexandre Magno Franco de Aguiar, que presidiu a Conab durante um ano, até abril passado, quando deixou a companhia, a contragosto, mas virou assessor especial de Wagner Rossi no ministério.

Aguiar, por coincidência, é genro do ex-deputado federal Armando Abílio (PTB-PB), que o indicou para o posto. Diz que deixou o comando da Conab após pressão política. E é bom lembrar que o próprio ministro Wagner Rossi (chamado de “chefe da quadrilha por Jucá Neto) presidiu a Conab durante três anos e só deixou o cargo, em março de 2010, para assumir a pasta, nem quis se candidatar novamente, e tem lá suas razões.

Na gestão de Rossi na Conab, prevaleceram indicações políticas e de amigos, que manteve quando foi deslocado para o ministério. Amigos de décadas, que o acompanham desde Ribeirão Preto (SP), foram contemplados com cargos. Um deles é o agora denunciado Milton Elias Ortolan, que acaba de deixar a secretaria-executiva do ministério.

Recordar é viver. Em março de 2010, O GLOBO revelou que, quando presidiu a Conab, Wagner Rossi nomeou até presidentes de clubes de futebol do interior de São Paulo – Ary José Kara (Taubaté) e Virgilio Dalla Pria (Rio Preto) – como seus assessores. Eles não iam a Brasília, para quê? Até mesmo um dentista de Ribeirão Preto, Rodrigo Casasanta, ocupou cargo na gestão de Rossi, vejam a que ponto chegamos.

Outro amigo do ministro, Boaventura Teodoro Lima ocupou cargo na Conab na gestão de Rossi e, agora, está lotado na diretoria de Infraestrutura, Logística e Parcerias Institucionais do Ministério da Agricultura. Boaventura era uma espécie de carregador de pasta de Rossi, também segundo O Globo. Também é um amigo velho, do interior de São Paulo.

O Ministério da Agricultura reconhece que algumas indicações são políticas e outras, pessoais, de escolha de Wagner Rossi. “Todos são profissionais qualificados”, informou a assessoria, admitindo que Boaventura e Ortolan foram escolhidos pelo ministro. Mas as nomeações de Rodrigo Rodrigues Calheiros, Matheus Benevides Gadelha e Marcelo Araújo Melo foram indicações políticas do PMDB. É mesmo?

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