Ricardo Teixeira faz negócios milionários até com o primo de Eduardo Paes

Paulo Peres

Parece não terem fim as maracutaias que envolvem Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que, assinou, em nome do COL (Comitê Organizador Local), da prefeitura e do governo do Estado, um contrato que beneficia os grupos Águia e Traffic, os quais ganharam em conjunto, o direito de negociar 100 mil pacotes de turismo (hospitalidades) oficiais da FIFA que, incluem  ingressos em espaços vips nos jogos da Copa de 2014, além de hotéis de luxo. Trata-se de uma das fatias mais rentáveis da Copa do Mundo.

Segundo o deputado federal Anthony Garotinho, o esquema funciona assim: “O  grupo Águia é de propriedade de Wagner Abrahão, e é a agência oficial de viagens da CBF. Suas empresas organizam as viagens da seleção e pacotes para a Copa do Mundo. Nos Mundiais de 1998 e 2006, as agências SBTR e Planeta Brasil, ambas de Wagner Abrahão, foram processadas por torcedores e promotores. Na França, as empresas deixaram de repassar ingressos vendidos a outras operadoras de turismo, o que deixou milhares de torcedores sem poderem entrar nos jogos. Na Alemanha foram acusadas de lesar consumidores por fazerem vendas casadas de bilhetes e pacotes. Foram acusadas de ganhar ilicitamente entre 1998 e 2000, R$ 31 milhões. Mas são amigos de Ricardo Teixeira e por isso vão ter o privilégio de comandar os negócios com pacotes de turismo na Copa de 2014” .

“A Traffic intermediou o primeiro contrato da CBF com a Nike”, relembra Anthony Garotinho. “Aquele que resultou na CPI. Seu dono, José Hawila, é amigo do peito de Teixeira. Agora, a Traffic, para ter mais facilidades na Copa de 2014, se associou ao senhor Bruno Paes, que é primo em primeiro grau, do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Bruno é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela DRACO (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) por ter participado de um esquema que desviava recursos do poder público, através de repasses mensais de R$ 650 mil a federações, que contratavam a cooperativa Labor Rio, que apresentava planilhas como nomes de funcionários fantasmas, que estariam à disposição de um projeto de prestação de serviços nos Centros Comunitários do programa Favela-Bairro. Esses recursos eram sacados na boca do caixa pela senhora Marta Maria Menezes de Oliveira Alves, presidente da cooperativa Labor Rio, que acabou presa dentro de uma agência do Unibanco, no Shopping da Gávea, com 400 cartões de cooperativados e as respectivas senhas em seu poder. Em depoimento, ela afirmou que Bruno Paes foi quem montou todo o esquema para ficar com o dinheiro dos funcionários fantasmas. Imaginem R$ 650 mil por mês, que grana!”

Garotinho adverte ainda que, “além de primo do prefeito do Rio, ele é o típico empresário que age por trás, nos bastidores do futebol brasileiro e que não gosta de aparecer. É dono das empresas Novo Traço, Torcedor Afinidade e Tática – Marketing Esportivo. Essas empresas conseguiram a exclusividade na promoção dos planos Sócio-Torcedor, dos seguintes clubes: Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, Coritiba, Bahia e Palmeiras, e recebe comissão que varia de 10% a 35%. O programa Passaporte Tricolor cobrava R$ 55 por mês, para que os torcedores pudessem ter acesso ilimitado aos jogos do clube. Quando percebeu que os torcedores estavam aderindo em massa, limitou a promoção a apenas 7 mil torcedores. E enquanto o clube recebeu R$ 140 mil por ano, ele recebeu R$ 4,4 milhões. Ótimo para ele, péssimo para o Fluminense. Seus esquemas com o Coritiba já lhe renderam nos últimos dois anos R$ 12 milhões.”

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *