Rio tem política de saúde genocida

Paulo Peres

A constatação da presença de bactérias e coliformes fecais nas águas dos chuveiros utilizados por banhistas na orla e a falta de ambulâncias nos grandes blocos de Carnaval, conforme denúncia do Jornal do Brasil, são reflexos daquilo que podemos classificar como “a política de saúde genocida adotada pelo poder público no Rio”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed RJ), Dr. Jorge Darze, acrescentando que “a entidade pretende acionar o Ministério Público para que as irregularidades possam ser apuradas o mais rápido possível”.

Para o Dr. Jorge Darze, “esta será uma entre as mais de 400 denúncias que já enviamos aos órgãos responsáveis. O papel do Estado, no que diz respeito a assegurar o direito à saúde no Rio, tem sido relegado a segundo plano. É uma política genocida, que atinge principalmente a população pobre. E isso pode ser constatado não só nas praias, mas também no abandono das unidades hospitalares. Estes problemas são todos esperados quando analisamos as variáveis envolvidas. Para nós, médicos, é até incoerente imaginar um sistema de monitoramento ambiental eficaz com a precariedade com a qual convivemos na nossa rede de saúde”.

Os médicos alertam que “o consumo de água sem nenhum tipo de tratamento pode provocar diarreias, irritações nos olhos e na pele, além de patologias mais graves como infecções urinárias e intestinais, pneumonia, hepatite e leptospirose. Logo, a fiscalização torna-se ainda mais importante na medida em que é difícil relacionar a ingestão de líquidos impróprios às enfermidades já que, na maior parte das doenças listadas, os primeiros sintomas levam algum tempo para aparecer”.

Na sexta-feira o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que fará uma nova análise nas águas dos chuveiros das praias para, depois do resultado, tomar as medidas cabíveis. O laudo ficará pronto na próxima semana.

O presidente do SinMed-RJ avaliou ainda que as 80 ambulâncias que, de acordo com o Caderno de Encargos da Prefeitura para o Carnaval 2012, deveriam ser disponibilizadas para acolher os foliões que curtiam os blocos da cidade não seria suficiente para atender sequer à demanda do Cordão do Bola Preta, que reuniu mais de 2 milhões e não havia nenhuma ambulância.

“A falta de estrutura pode deixar pessoas em risco de morte. Em casos mais complexos, como traumas na região da cabeça, é essencial que o resgate e os procedimento de socorro sejam feitos o quanto antes. Cada minuto que passa torna maior a chance de o acidentado morrer ou desenvolver alguma sequela. Já passou da hora de se conscientizar que o status de maior Carnaval do Brasil, como vem sendo alardeado, não se conquista apenas com base no número de pessoas que participam”, advertiu o Dr. Jorge Darze.

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