Risco já conhecido

Carla Kreefft

A antecipação do processo eleitoral de 2014 não faz bem a ninguém, excetuando-se os candidatos e partidos que estão na disputa. Mas até esses podem ser penalizados pela pressa.

Do ponto de vista dos pré-candidatos, é preciso lembrar que fazer campanha custa muito. Manter um candidato em visibilidade durante muito tempo exige investimentos financeiros, mas também muita articulação política. Há ainda uma terceira dificuldade que está diretamente relacionada à imagem do candidato. Trata-se do discurso.

Opinar sobre todos os assuntos que aparecem em destaque na mídia, ter uma crítica para cada suspiro do adversário, criar, o tempo todo, movimentos de apoio ou protesto em torno das grandes polêmicas é promover uma superexposição perigosa.

Esse parece ser o risco que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está muito disposto a correr. Nas duas últimas semanas, Campos ganhou as páginas dos jornais. Na condição de integrante de um partido que faz parte da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, o pernambucano decidiu fazer críticas ao governo federal e se colocar como pré-candidato à Presidência da República.

HOLOFOTES

É evidente que a possibilidade de um nome que não seja do PT ou do PSDB na disputa presidencial chama a atenção. Os holofotes ficam ainda mais acesos considerando-se que esse nome tem boas relações com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o senador Aécio Neves.

Acendendo uma vela para os petistas e outra para os tucanos, Campos tem conseguido se colocar como uma novidade no processo eleitoral. Esse ineditismo, entretanto, já não existirá em 2014. Se continuar nas primeiras páginas dos jornais, ele, que já é bastante conhecido no Nordeste, estará ainda mais popular.

As críticas de seu discurso afiado também não serão uma vantagem quando a campanha começar efetivamente, uma vez que os outros candidatos, sejam eles quem forem, também ficarão à vontade para fazer ataques aos rivais. E – o que deve ser ainda mais preocupante para Eduardo Campos – a escolha do discurso definitivo de candidato não será fácil. Como atacar diretamente, por exemplo, Dilma Rousseff, que, até este momento, é aliada? Em uma outra situação, como dividir com o amigo Aécio Neves a posição de oposicionista?

A alternativa de caminhar pela terceira via não é mais fácil. Já existem pré-candidatos caminhando nesse sentido. Marina Silva, que tenta criar uma nova sigla, a Rede Sustentabilidade, e o ex-deputado Fernando Gabeira (PV) já estão na estrada há mais tempo. Ambos adotam como mote a crítica à polarização e se mostram com uma opção diferente para o eleitor.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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