Rompimento da bancada do PR com o Palácio do Planalto é apenas uma peça teatral, mas muito mal ensaiada.

Carlos Newton

O grito de independência do senador Magna Malta (PR-ES), em nome de seu partido, não foi às margens do Ipiranga nem é para valer. Os chamados republicanos continuam dependurados nas tetas do governo e de lá não pretendem sair. É tudo cortina de fumaça, um simples jogo de faz-de-conta, uma encenação que chega a ser patética. O próprio senador Magno Malta mantém em cargos do governo os seus parentes e apaninguados. Um deles é o irmão Maurício Malta, chefe da assessoria parlamentar do Dnit, o cargo ideal para quem não quer trabalhar, especialmente porque não há nada para fazer.

E o governo, é claro, também faz a sua parte nessa pantomima, porque mantém nos cargos os apadrinhados que foram indicados pelos parlamentares do PR. O ex-deputado estadual Sabá Reis, por exemplo, que é filiado ao PR amazonense, assumiu a Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental  em março, e lá continua.

O próprio site do Ministério dos Transportes informa que Sabá Reis exerce o cargo público por indicação do ex-ministro Alfredo Nascimento, vejam só como certas autoridades gostam de exibir prestígio de uma forma inteiramente equivocada e acabam entregando o jogo. Procurado por jornalistas, Reis disse que não tinha “nada a declarar” sobre a crise no PR. E não tem mesmo.

Alfredo Nascimento indiciou, perdão, indicou muitos outros apadrinhados, como Afonso Luiz Costa Lins Júnior, que permanece como diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). E que faz questão de proclamar que o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, decidiu mantê-lo no cargo por ter “ficha limpa”.

Já o superintendente da Administração de Hidrovias da Amazônia Ocidental, Sebastião da Silva Reis, também nomeado pelo polêmico ex-ministro, continua irremovível (ou “imexível”, como dizia o ex-ministro do Trabalho Luiz Antonio Magri). Ao justificar a permanência, ele afirmou ter atendido a uma solicitação, por telefone, do atual ministro: “Recebi um pedido para que eu continuasse no cargo.” E, modestamente, atendeu à solicitação e só faltou proclamar “digam ao povo que fico”.

O mesmo fenômeno aconteceu com Silvio Romano Jr., diretor de Engenharia e Operações da Companhia Docas do Maranhão, também indicado por Alfredo Nascimento. Continua na função e não será removido. Como dizia a letra do sucesso carnavalesco de Paquito e Romeu Gentil, “daqui não saio, daqui ninguém me tira”

Como se vê, a propagada promessa da presidente Dilma Rousseff de só fazer nomeações de “técnicos competentes” para os cargos do Ministério dos Transportes, foi só para inglês ver, como se dizia antigamente. E la nave va, sempre fellinianamente.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *