Saber ver, enxergar o que não está claro, é uma das qualidades mais difíceis no futebol.”

Tostão (Jornal O Tempo)

Os maiores atletas do mundo, de cada esporte, com exceção do futebol, estarão em Londres. Os melhores são, especialmente nos esportes individuais, os mais pressionados, solitários e ambiciosos. A brasileira Fabiana Murer, a grande saltadora com vara, disse à “Folha” que usa o tédio – e acrescento a tensão – antes das disputas, para saltar mais alto.

A Olimpíada, ao mesmo tempo em que desperta belos sentimentos, estimula os cidadãos, atletas ou não, crianças, adolescentes e adultos, a pensarem que só serão felizes se forem vencedores, mesmo em pequenas coisas do cotidiano. O mundo é cada dia mais competitivo. Perder é morrer.

Apesar da razoável atuação na vitória sobre a Grã-Bretanha, o Brasil, por ter a única seleção quase do mesmo nível que a principal, é o maior favorito para conquistar a medalha de ouro. Contra algumas equipes, como a Espanha, mesmo sem jogadores acima de 23 anos, e o Uruguai, com a ótima dupla de atacantes da seleção principal, formada por Cavani e Suárez, o Brasil terá muitas dificuldades.

Oscar, com seu futebol simples e eficiente, tem grande chance de ser destaque no Chelsea. Porém, tenho dúvidas se ele será um dos grandes jogadores do futebol mundial. Os ingleses, pelo valor pago, e muitos brasileiros, pelo oba-oba, já o tratam como um craque, definitivo, antes de ser.

Na Olimpíada de 1996, nos EUA, na véspera da estreia com o Japão, conversei, por um longo tempo, com Ernesto Santos, conhecido observador da seleção brasileira. Minha intenção não era apenas obter informações para meus comentários. Queria trocar ideias sobre futebol e aprender com ele. Admirava seu trabalho, desde as Copas de 1958 e 1962.

Penso que técnicos e imprensa costumam dar muitas opiniões, informações, se fechar em grupos, mas conversam pouco sobre futebol. Muitos não escutam nem querem aprender. Acham que sabem tudo.

Ernesto Santos, depois de dar todas as informações para a comissão técnica, me mostrou os detalhes técnicos, táticos e estatísticos do time japonês. Milhares de setas cruzavam o papel, para mostrar a movimentação dos jogadores. Apesar das informações corretas, o Brasil jogou mal, Dida e Aldair se trombaram, e o Japão ganhou por 1 a 0.

Há, em uma partida, duas histórias paralelas. Uma, racional, ordenada, baseada em detalhadas informações e conhecimentos técnicos, e outra, imprevisível, ocasional. Um grande time é o capaz de impor sua história.

###
GALO E RAPOSA

Escrevo essa coluna antes do jogo de ontem, contra o Sport. Independentemente da atuação do Galo e do resultado, o time tem boas chances de seguir entre os primeiros até o fim. A equipe tem jogado muito bem, mas não é nenhuma maravilha, como ouço e leio, com frequência, em BH e nos programas de televisão de Rio e São Paulo. Para mostrar que não são bairristas, muitos excedem nos elogios ao time mineiro.

O Cruzeiro, como ocorreu em outros jogos que venceu, armou um esquema defensivo e ganhou da Portuguesa. Guerreiro jogou de terceiro zagueiro. Ceará e Diego Renan atuaram de laterais, e não de meias ou alas pelos lados. E hoje, contra o Flamengo? Celso Roth vai manter esse esquema mais cauteloso, que tem dado certo, ou, em casa, vai pressionar, o que não sabe fazer?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *