Saída de Ricardo Teixeira depende de decisão de 14 das 27 Federações que integram a CBF.

Carlos Newton

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – pediria licença ou renunciaria – virou uma novela e escancarou a disputa sucessória pelo mais ambicionado cargo do país.

A situação é a seguinte: se Ricardo Teixeira insistir em ficar no cargo, com apoio isolado da Organização Globo e o repúdio de toda a imprensa falada, escrita e televisionada, a decisão será das 27 Federações que compõem a CBF. Não adianta Romário, o deputado, pedir intervenção federal na entidade. Trata-se de uma organização privada, sobre a qual o governo não tem poderes. Somente a maioria das Federações associadas é que pode detonar Teixeira.

O que nenhum jornal ainda esclareceu é o número exato de Federações que estariam contra Ricardo Teixeira. Se 14 delas tirarem o apoio a ele, o assunto está encerrado. As especulações são de que já haveria 15 Federações contra o cartola-mor, mas há controvérsias

O repórter Silvio Barsetti, do Estadão, diz que está em curso uma articulação de algumas dessas entidades para que o atual vice-presidente da CBF da Região Centro-Oeste, Weber Magalhães, ocupe o cargo. Esses cartolas não aceitam o nome de José Maria Marin, vice da Região Sudeste e, pelo estatuto da CBF, o indicado à vaga, por ser o mais velho entre todos os cinco vices.

Técnico legislativo do Senado Federal e formado em educação física, Weber Magalhães, de 53 anos, é o terceiro vice, na lista por idade, em condições de assumir a CBF em caso de desligamento de Teixeira. Depois de Marin, o mais velho é Fernando Sarney, de 57 anos. O filho do presidente do Senado, José Sarney, é vice-presidente da Região Norte, vejam só que situação…

Weber Magalhães presidiu a Federação Brasiliense de Futebol de 1996 a 2004 e chefiou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão. Ouvido quarta-feira pelo Estadão, durante a festa de aniversário de seu pai, que completava 91 anos, Magalhães se disse contrariado com a possibilidade de Teixeira deixar a presidência da CBF. “Ele é um dirigente vitorioso, conseguiu dois Mundiais para o Brasil, e sempre sonhou com uma nova Copa no País.”

Cauteloso, contou que as federações receberam com surpresa a demissão de Marco Antonio Teixeira da secretaria-geral da CBF, na semana passada. Marco Antonio é tio de Ricardo Teixeira e nas últimas duas décadas era o elo da entidade com as federações estaduais, com o módico salário de R$ 88 mil por mês.

Para chegar ao cargo, Weber Magalhães dependeria da convocação de uma assembleia-geral, o que pode ser feito pela maioria das 27 federações a qualquer momento. “Tenho uma grande amizade com os presidentes de federação. Sempre os recebi muito bem aqui em Brasília”, disse. “O futebol está na minha veia há mais de três décadas”, acrescentou Weber, que foi preparador físico de seleções do Distrito Federal, técnico de futebol do Brasília e atuou como atleta amador pelo Gama e Guará.

Ele já está há oito anos na vice-presidência da CBF. Tem bom trânsito também com Luiz Felipe Scolari, técnico campeão do mundo em 2002. “Quando estamos juntos, sempre lembramos daquela campanha na Coreia e Japão.”

Embora Weber Magalhães não confirme contato com federações, pelo menos três presidentes dessas entidades já iniciaram um movimento de apoio ao brasiliense, segundo o repórter Silvio Barsetti, e esta informação é confirmda até mesmo pelo jornal O Globo, que torce desesperadamente para que Ricardo Teixeira continua na CBF.

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