Brasil: os verdadeiros vândalos no baile dos mascarados


Sandra Starling

Eron Moraes de Melo. Profissão: protético. Já virou figurinha carimbada nos protestos no Rio de Janeiro, pois invariavelmente acaba preso por desobediência. Motivo? Recusa-se a tirar a fantasia de Batman, com a qual se apresenta nas demonstrações. Todos já sabem quem ele é; sabem também que será preso porque tenta esconder sua identidade atrás da fantasia e desafia as autoridades que lhe pedem a identificação, ao argumento de que poderia ser um daqueles vândalos que as cenas de rua mostram quebrando vidros e arrancando orelhões. E lá vai Eron outra vez para o camburão!

Grupelhos anarquistas e malucos-beleza de cara escondida podem até causar algum susto, mas não são os verdadeiros vândalos mascarados do Brasil. Ao contrário, os que aparecem assim não passam de vítimas dos que assaltam diuturnamente os cofres públicos e impedem que nosso país se apresente ao mundo como gostaríamos de ser: um país decente.

Tentemos nomear alguns dos bandos de vândalos mascarados que ninguém vê e, se alguém vê, nada lhes acontece. De preferência, escondem-se sob o manto sagrado da privacidade legalmente assegurada.

Há duas semanas, o Senado Federal, para aparecer bem na fita, tentou votar uma reforma eleitoral. Coisa de maquiagem, sem atacar o problema principal: o financiamento oculto de campanhas pelas empresas e a falta de transparência das doações em tempo real pela internet. O doador entrega o dinheiro para seu candidato do peito através da tesouraria do partido, que, por sua vez, só um ano depois da eleição dirá que recebeu a doação, sem obrigação de revelar como o distribuiu entre seus candidatos. Mais mascarado que isso, impossível!

TENEBROSAS TRANSAÇÕES

Outra: “tenebrosas transações” já começaram a ser feitas com o troca-troca de partido: vai deputado pra lá, levando consigo um percentual do Fundo Partidário (dinheiro público) e minutos (preciosos) de TV. Fechada aliança daqui, coligação dacolá e todos já têm parte garantida nos latifúndios de algum governo na próxima temporada.

Todo dia sucedem-se conchavos entre agentes públicos e fornecedores governamentais: cartéis se formam, administram-se preços e depois distribuem-se as diferentes licitações nos diversos órgãos públicos. E agora até sofisticados robôs andam viciando, em total anonimato, pregões eletrônicos. E todo dia, em algum restaurante da moda, um “insider” passa a um operador do mercado alguma informação relevante para negócios de zilhões de dólares e tudo fica na mesma.

O que é feito, depois de tantos inquéritos da PF, em operações espalhafatosas? Sobram muita poeira e muito silêncio, até que algum advogado chame a atenção de algum magistrado desavisado: o crime prescreveu! Recentemente, mais uma vez se denunciou desvio vultoso de dinheiro para qualificação profissional. Prática useira e vezeira, rastreada e conhecida no já longínquo ano de 2003…

Será que Eron Moraes de Melo e seus companheiros mascarados são mesmo os vândalos que tomam de assalto o país chamado Brasil?

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