São Paulo: Marta poderia vencer sem Lula, mas não contra ele

Pedro do Coutto

Reportagem de Daniela Lima, Folha de São Paulo de quinta-feira, 28, focalizou o panorama hoje visto em torno da luta que se inicia nos principais partidos pela Prefeitura da cidade de São Paulo nas urnas de 2012. O ex-presidente Lula empenha-se fortemente por Fernando Haddad, atual ministro da Educação, presença da qual a presidente Dilma Roussef deseja se desvencilhar. Portanto, deve apoiar sua indicação pelo PT. Pois assim vai ao encontro de seu grande eleitor e, ao mesmo tempo, fica livre para escolher um nome de sua preferência pessoal.

Até aí tudo bem. Mas ressurge em campo o ex-ministro José Dirceu que, em declarações à FSP, na mesma edição e na mesma página, afirma-se favorável à realização de prévias partidárias no estilo adotado pelos Estados Unidos. Parece, em princípio, pelo que disse, ter mais simpatia pela candidatura de Marta Suplicy. Seu ex-marido, Eduardo Suplicy, também propõe o exame de seu nome. Seriam portanto, na área do Partido dos Trabalhadores, dois representantes de legenda no Senado a disputar a indicação. Eduardo Suplicy não tem cobertura partidária. Marta pode ter boa posição, mas não possui qualquer possibilidade se vier a se opor a Lula.

Venceu as eleições de 2010 e seria uma candidata forte. Até mesmo sem Lula. Mas contra Lula, não tem a menor possibilidade de êxito. Inclusive porque, neste caso, sua vitória seria a prévia derrota do mesmo Lula à sucessão de sua sucessora em 2014. Ela não pode embarcar nessa. Sobretudo porque teria contra si tanto o ex-presidente quanto a atual presidente.

Haddad, por isso, parece consolidado nos bastidores, apesar de a primeira pesquisa ter-lhe apontado somente 3% das intenções de voto, conforme saiu na imprensa, se não me engano, no Estado de São Paulo de quarta-feira.

Daniela Lima focalizou também o encontro entre o vice Michel Temer e o governador Geraldo Alckmim na inauguração da ponte Orestes Quércia, quando o primeiro admitiu até um acordo com o segundo em torno do deputado Gabriel Chalita, do PMDB. Isso no caso de José Serra não ser o candidato tucano. Serra nega esta intenção, mas estava presente à solenidade.

A ponte localiza-se entre o rio Tietê na capital e,  sem dúvida, Michel Temer aproveitou o momento para projetar a construção de uma outra ponte, esta bipartidária para enfrentar Fernando Haddad. Talvez venha a ser a polarização final. A menos que Serra dispute e, neste caso, serão três os nomes principais. A candidatura José Anibal é muito fraca. Entretanto, o nome do senador Aloísio Nunes Ferreira, PMDB, não pode ser descartado. Mas teria que enfrentar Temer  no partido, que parece lutar com forte disposição por Chalita.

A eleição pela Prefeitura da cidade de São Paulo tem uma importância política extraordinária. Não só por representar a principal prévia voltada para a sucessão presidencial, mas também porque representa um patamar para o governo do Estado e um caminho para o Planalto. Basta lembrar que Jânio Quadros conquistou o poder municipal em 51, daí partiu para governador em 54, apoiou Juarez Távora em 55 contra JK, e em 60 elegeu-se presidente da República. Ademar de Barros, que perdeu o executivo estadual para Jânio em 54, disputou a presidência no ano seguinte, retornou à Prefeitura em 57 e participou das eleições presidenciais de 60.

A capital de São Paulo dá grande visibilidade política a quem a governa. Muito mais do que o poder na cidade do Rio de Janeiro. Até pelos nomes que provavelmente, nesta altura do campeonato, estarão em confronto lá e cá. A estrada carioca conduz à planície. A paulista pode, na sequência, levar ao Planalto.

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