São Paulo, Minas e RJ formam a grande base de votos no país

Pedro do Coutto
Na edição de sexta-feira, a Folha de São Paulo publicou reportagem da sucursal de Brasília, outra da sucursal de São Paulo, que convergem para a sucessão presidencial de 2014 sob o ângulo do PT. A primeira diretamente, a segunda de forma indireta. A sucursal de Brasília refere-se a um encontro no Palácio do Planalto entre a presidente Dilma Rousseff e a bancada do PT no Senado, quando a chefe do executivo comprometeu-se a ampliar sua atuação política no final de seu mandato. A sucursal de São Paulo anunciou que o ex-presidente Lula, num encontro partidário marcado em Bauru, lançaria de maneira informal a candidatura do ministro Alexandre Padilha ao governo paulista. Confirmada a versão, ele terá que deixar a Saúde até 5 de abril de 2014, como determina a lei, seis meses antes das eleições.

Alexandre Padilha terá de enfrentar Geraldo Alckmin que vai às urnas em busca da reeleição e normalmente deverá apoiar Aécio Neves à presidência. Apesar do apoio de Lula, que conseguiu eleger Fernando Haddad prefeito da capital,Alexandre Padilha não aparenta possuir um bom potencial de votos. Um problema para Dilma e para o PT. Afinal de contas, trata-se do maior colégio eleitoral do país, representando 22% do eleitorado. Como uma coisa leva a outra, Minas Gerais é o segundo, o Rio de Janeiro o terceiro colégio eleitoral. Os três estados significam em torno de 41 a 41% dos votos.

CANDIDATOS
Qual o candidato que o PT apresentará em Minas? Ainda não se sabe mas o panorama não parece positivo. No Rio de Janeiro, a legenda está bem representada por Lindbergh Farias, mas em contrapartida, com ele escolhido, desfaz-se a aliança PT-PMDB no RJ, já que o governador Sérgio Cabral já lançou a candidatura do seu vice, Luiz Pezão. Há alguns meses, Cabral praticamente exigiu a manutenção do acordo em torno do seu vice. Mas o panorama mudou. Perdeu, em face do desgaste sofrido nas manifestações de rua, a situação de exigir. Terá, na melhor das hipóteses, que tentar estabelecer um novo diálogo. Lindbergh Farias sentiu o clima e iniciou uma propaganda agressiva nos pequenos horários de propaganda política na televisão. Agora dificilmente a direção nacional do Partido dos Trabalhadores poderá agir para afastar sua candidatura potencial, substituindo-a pela de Pezão.

Verifica-se assim a necessidade de a presidente Dilma e também o ex-presidente Lula, que é o maior líder partidário, dedicarem atenção maior ao triângulo São Paulo-Mina-Rio de Janeiro, que dependendo das circunstâncias, poderá se tornar decisivo para o desfecho da próxima sucessão presidencial. O PT necessita estar forte em São Paulo, o que não aparenta, precisa apresentar um nome competitivo para o governo de Minas Gerais, que ainda não surgiu, e finalmente concorrer unido para o Palácio Guanabara. São condições essenciais para que a candidatura à reeleição sinta-se à vontade ao iniciar sua nova caminhada no rumo das urnas. Inclusive há outros estados importantes como Rio Grande do Sul, onde é governo, e Paraná, este governado pelo PSDB, que acrescentam peso à balança dos votos.

O PT, creio eu, necessita dar mais atenção às alianças regionais. Podem se tornar decisivas ao rumo do pleito. O Bolsa Família é importante fonte de votos, sem dúvida. Mas não é a única. O quadro de 2014 não deverá ser o mesmo do panorama de 2010.

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