Sarney e Demóstenes, um espetáculo deplorável

José Carlos Werneck

O episódio ocorrido terça-feira no Senado Federal, envolvendo o presidente José Sarney e o senador goiano Demóstenes Torres, demonstrou que não existe mais gente disposta a fazer valer suas opiniões.

O senador Demóstenes não usou palavras chulas nem fez nada que ferisse o decoro parlamentar. Apenas protestou, com a firmeza necessária, ao ver-se envolvido numa manobra para a aprovação de um assunto do interesse do Poder Executivo.

Inexplicavelmente, o senador José Sarney sentiu-se ofendido e afirmou que ia exercer a prerrogativa que o Regimento do Senado lhe confere e pedir que se retirasse dos registros da sessão o vocábulo “torpe”, que considerou ofensivo.

Em Português claro, ia CENSURAR O DISCURSO DO SENADOR do estado de Goiás, por ele ter desagradado o presidente do Senado.

O senador Demóstenes Torres, um dos nomes que honram e engrandecem o Parlamento brasileiro, de pronto respondeu que de sua parte não retirava nada.

Depois, atendendo ao apelo do presidente José Sarney, voltou à tribuna para desculpar-se. Agora, retratar-se de quê? De expor com firmeza suas posições, diga-se de passagem, corretas e pertinentes?

O plenário do Legislativo, em qualquer democracia do mundo, é o palco indicado para discussões como a ocorrida entre os senadores José Sarney e Demóstenes Torres. O Congresso Nacional não é lugar para suscetibilidades, chiliques, vaidades e punhos de renda, que ficam melhor no Itamaraty.

É lugar de choques de idéias e de discussões desassombradas, que engrandeçam a democracia. É cenário para que homens e mulheres honrem o mandato, que lhes foi conferido  pelo povo, e manifestem com firmeza suas posições.

Foi demais! Francamente, o Senado brasileiro já viveu dias melhores.

 

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