Saudade, uma boa sensação, na visão poética de Bastos Tigre

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Bastos Tigre, um intelectual multimídia

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano, Manoel Bastos Tigre (1882-1957), afirma que sentir “Saudade” pode ser uma boa sensação, se estivermos revivendo belas etapas da vida.

SAUDADE
Bastos Tigre

Infeliz de quem vive sem saudade,
Do agridoce pungir alheio às penas,
Sem lembranças de amor e de amizade,
Hoje vivendo o dia de hoje, apenas.

Triste de ti, ancião, que te condenas
A mole insipidez da ancianidade
E não revives na memória as cenas
De prazer e de dor da mocidade!

Ter saudade é viver passadas vidas,
Percorrendo paragens preferidas,
Ouvindo vozes que se têm de cor.

Sonha-se… E em sonho, como por encanto,
A dor que nos doeu já não dói tanto,
Gozo que foi é gozo inda maior.

12 thoughts on “Saudade, uma boa sensação, na visão poética de Bastos Tigre

  1. Bastos Tigre é o patrono dos Bibliotecários.Exerceu a profissão de bibliotecário por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário por concurso, no Brasil.
    Foi um publiciário notável, “Se é Bayer é bom”, é dele. Foi homem de múltiplas atividades, como
    jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário, além de engenheiro e bibliotecário.
    O Dia do Bibliotecário é 12 de março, data de seu nascimento.

  2. Poema lindo! Gosto das saudades! A gente só tem saudade de momentos idos e vividos com alegria, do que nos fez felizes.

    “Sonha-se… E em sonho, como por encanto,
    A dor que nos doeu já não dói tanto,
    Gozo que foi é gozo inda maior”
    A dor da saudade é uma realidade, mas a gente gosta desta dor
    Eu, por exemplo, tenho saudades até do que poderia ter vivido. Acontece muito

    Verdade . Olha o que Carlos José canta sobre saudades:
    “Não demores muito, não demores nada
    Venhas ligeirinho, sejas camarada”

  3. Bastos Tigre é um dos meus poetas prediletos. Vejam que beleza de poesia sobre o passar dos anos:
    ENVELHECER…Bastos Tigre

    Entra pela velhice com cuidado,
    Pé ante pé, sem provocar rumores
    Que despertem lembranças do passado,
    Sonhos de glórias, ilusões de amores.

    Do que tiveres no pomar plantado,
    Apanha os frutos e recolhe as flores;
    Mas lavra, ainda, e planta o teu eirado,
    Que outros virão colher quando te fores.

    Não te seja a velhice enfermidade.
    Alimenta no espírito a saúde,
    Luta contra as tibiezas da vontade.

    Que a neve caia, o teu ardor não mude.
    Mantém-te jovem, pouco importa a idade;
    Tem cada idade a sua juventude!…

  4. Em 1906 Bastos Tigre e Aquimedesde Oliveira compuseram o maxixe que proclamava contra os “tenentes e fenianos” sociedades carnavalescas:

    “Vem cá mulata
    Não vou lá não
    Sou democrata
    Sou democrata de coração”.

  5. OUVE O TEU CORAÇÃO – Bastos Tigre

    Não esperes achar compensações na terra:
    Se fizeres o bem, prêmio nenhum terás.
    Os que sobem contigo os aclives da serra
    Não te virão valer, se ficares atrás.

    Aconselha-te alguém? É aquele que mais erra;
    Ensina-te a verdade? É o mais falso e mendaz.
    E o que, violento e hostil, te excita e incita à guerra
    É o mesmo que desfruta as delícias da paz.

    Mas não culpes ninguém. É a vida. Aceita a vida…
    Como sofres, também os outros sofrerão,
    Que há na maior ventura uma dor escondida.

    Teu cérebro consulta, ouve o teu coração,
    E, em ti mesmo, acharás a energia perdida,
    A censura, o aplauso, o castigo, o perdão.

    Diz um ditado que “aqui se faz aqui se paga”, tenho visto se concretizar. Mas não tenho visto que quem faz o bem recebe satisfação, alegrias, etc. Acho eu, que aqui se faz o bem aqui se recebe também.

  6. Ah, saudade, amiga
    Por que só chegas agora?
    Foi a labuta ou a preguiça
    Que te fez perder a hora?

    Não faltes, mensageira
    Das dores da solidão.
    Tu és parceira nas ausências,
    Que embala meu coração .

    Poesia de Chico Cachaça, antigo morador da Rua dos Ralos Virados, em Bangu.

  7. Os três últimos versos do poema Reforma do Ensino, de Bastos Tigre

    “Um parágrafo seja acrescentado:
    — O saber ler é obrigatório; a menos
    Que o rapaz se destine a deputado…”

    E continua assim

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