Scott Atlas, conselheiro trapalhão que fez Trump desprezar a covid-19, enfim pede demissão

O conselheiro da Casa Branca para coronavírus, Scott Atlas, durante coletiva de imprensa em 23 de setembro — Foto: AP Photo/Evan Vucci

Scott Adams ridicularizava a pandemia e prejudicou Trump

Sandra Cohen
G1 Política

O radiologista Scott Atlas caiu nas graças do presidente Trump ao dar repetidas entrevistas na Fox News sobre a pandemia do novo coronavírus. Falavam a mesma língua, compartilhavam as mesmas crenças. Convidado em agosto para ser conselheiro especial do presidente para a Covid-19, o médico rapidamente entrou em choque com integrantes da força-tarefa e renomados infectologistas, atordoados com a sua falta de rigor científico.

A breve e controversa passagem de Atlas pela Casa Branca foi um desastre. Desde que ingressou até segunda-feira, quando pediu demissão, o número de pessoas infectados no país dobrou e mais 101 mil americanos morreram, totalizando 268 mil. Os EUA registram 1 milhão de novos casos por semana, cerca de 93 mil estão hospitalizados com a doença.

IDEIAS ALOPRADAS – Atlas bateu de frente com o epidemiologista Anthony Fauci, considerado o principal especialista do país, que já serviu a seis presidentes. Trump, contudo, preferiu ouvir seu novo conselheiro e acatar ideias desprezadas pela comunidade científica.

Num post removido pelo Twitter, o médico menosprezou a eficácia das máscaras faciais para frear a doença. Alardeou o contestado conceito de “imunidade de rebanho” – deixar o vírus se espalhar, protegendo os mais vulneráveis, para que o maior número de pessoas seja exposta e produza anticorpos contra ele.

Associou o aumento da doença à testagem sistemática, criticou o isolamento para os portadores assintomáticos, defendeu a reabertura da economia, das escolas e o retorno de jogos de futebol universitário. E Trump acatava estas ideias como uma estação repetidora.

DEMISSÃO COMEMORADA – Sua demissão veio como alívio praticamente unânime entre autoridades de saúde, que não consideram Atlas fonte confiável para lidar com o novo coronavírus. A Universidade Stanford, que abriga o think tank conservador Hoover Institution, do qual Atlas se licenciou enquanto estava na Casa Branca, tomou distância das opiniões do radiologista.

A equipe de saúde de Joe Biden saudou a demissão do conselheiro do governo. “Você não iria a um podólogo por causa de um ataque cardíaco e era basicamente isso que estava acontecendo”, disse Celine Gounder, membro do conselho consultivo da Covid-19 montado pelo presidente eleito.

Em sua carta de demissão, Atlas defendeu sua gestão, que tinha prazo de validade: “Trabalhei muito com um foco singular — salvar vidas e ajudar os americanos durante essa pandemia.” A pandemia não dá sinais de arrefecer. E Atlas não tem mais a quem distribuir seus conselhos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ouvir Scott Atlas foi o maior erro de Trump, que fazia um governo eficiente em termos econômicos. As maluquices de Adams sobre o coronavírus levaram à vitória o apático Joe Biden, que politicamente não fede nem cheira, como se dizia antigamente. E agora podemos dizer a Trump sobre sua derrota, parodiando o marqueteiro James Carville: “É a pandemia, estúpido!”. (C.N.)

13 thoughts on “Scott Atlas, conselheiro trapalhão que fez Trump desprezar a covid-19, enfim pede demissão

  1. Na realidade prestou um grande serviço ao mundo, fazendo o animador de festas em hospícios perder as eleições.

    Merece uma estátua em frente a Casa Branca

  2. Newton, na nota da redação é Atlas, e não “Adams”.

    Parece que houve uma confusão entre o neuroradiologista Scott Atlas e Scott Adams, autor da tira de humor “Dilbert”.

  3. Essa frase (“É a pandemia, estúpido”) ficará “martelando” a cabeça de Trump até o último dia de sua vida. E olha que lá na “matriz” havia dinheiro “a rodo” para distribuir como “auxílio emergencial” e mesmo assim foi derrotado pelo descaso com que tratou a COVID. Aqui na “filial” , se houvesse dinheiro para distribuir, Bozo pai se reelegeria mesmo tendo chamado a COVID de gripezinha! Nosso povo anda muito carente (de tudo) infelizmente.

    • Falando em conselheiro s trapalhões,

      Nesta terça-feira (1), o governo francês anunciou um plano ousado de acabar com a dependência do país em relação à soja importada, especialmente Brasil. Com um pacote de 100 milhões de euros, a França vai aumentar cultivo de leguminosas em 40% em apenas três anos. Os produtores franceses assinaram uma carta em que se comprometem a respeitar a meta em troca da ajuda financeira, em torno de R$ 630 milhões de reais por dois anos. A informação é de coluna de Jamil Chade, no UOL.

      Segundo estudo publicado na revista ‘Science’, um quinto das exportações de soja da Amazônia e Cerrado à UE tem rastro de desmatamento ilegal. A iniciativa francesa é lida como uma grande provocação à política ambiental de Bolsonaro. Hoje, a França importa 3,3 milhões de toneladas de soja por ano, principalmente do Brasil e dos EUA.

      Siga @casaninjaamazonia para outros temas ambientais e da região

      #meioambiente #soja #frança #brasil #politicaambiental

        • E para o país também.
          O problema do desmatamento passou a existir só quando Bolsonaro se tornou presidente? Porque os nossos governantes “respeitáveis” que o antecederam não fizeram nada para resolvê-lo?
          Ou será mesmo que tudo começou com Bolsonaro, e vai parar magicamente assim que qualquer “cara gente fina” aprovado pela Globo se torne presidente?
          Lembro que Lula, quando presidente, tinha lá suas queixas das ongs ambientalistas:
          “Lula critica ONGs e diz que fronteira agrícola não pode ser culpada por desmatamento da Amazônia”
          http://www.contag.org.br/indexdet2.php?modulo=portal&acao=interna2&codpag=101&id=2649&mt=1&nw=1&ano=&mes=

          Mas parece que é proibido ter memória dessas coisas. Hoje na política o negócio é torcer pro seu lado ganhar, não importa como, e pro time do outro lado se danar, não importa as conseqüências. Ficou um nojo acompanhar esse troço.

  4. Aí está um bom exemplo para o Pinóquio seguir, se livrar dos seus Scotts Adams, conselheiros que só servem para dar péssimos conselhos. O Trump perdeu uma eleição ganha porque insistiu em ir contra a realidade, deu de cara com ela da pior maneira possível.

  5. Felizmente o Brasil foi abençoado com gente fenomenal. Hoje mesmo assisti a um milagre: o min da Saúde, quando inquirido sobre a validade dos testes da covid armazenados e não usados, afirmou: vou prorrogar a validade de todos eles! Milagre! milagre! Finalmente não vou precisar mais jogar remédio fora – é só pedir ao min da Saude para prorrogar.
    E a vacina? Que vacina? Quase foi essa a sua resposta. Para ser preciso ele nos estimulou a rezar pra tudo quanto é santo porque, se depender do governo, não haverá vacina suficiente para os brasileiros – NÃO CONSEGUIRAM NEGOCIAR com os fabricantes!
    Pasargada continua no mesmo lugar? É pra lá que eu vou – pra lá ou pra Jacarepaguá!

  6. Mas ainda que mal pergunte: de acordo com Bolsonaro o Trump ganhou a eleição. Então, alguém sabe me dizer se o Bozó já cumprimentou o Trump pela vitória?

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