Se a empresa Warner vale 85 bilhões de dólares, quanto poderá valer a Eletrobrás?

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Charge do Latuff (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A empresa americana ATT está negociando a compra do canal da Warner que integra o elenco da TV paga no Brasil. Oferta eleva-se até 85 bilhões de dólares. O assunto é objeto de reportagem de Tiago Resende, Folha de São Paulo de terça-feira, e toca também na necessidade de uma mudança na lei brasileira que restringe a presença de canais acima de determinado percentual no mercado brasileiro.

O tema me despertou interesse no sentido de identificar uma base comparativa entre valores de uma ou outra empresa que se encontram em processo de privatização no Brasil.  Eu me espantei com a negociação entre ATT e Warner por um valor em torno de 85 bilhões de dólares.

PRIVATIZAÇÃO – Esta matéria foi publicada como disse ontem na FSP. Também ontem O Globo abordou o tema de privatização dizendo que o governo Bolsonaro decidiu manter apenas como estatais a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O Secretário especial de desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, destacou no programa traçado pelo governo a privatização da Eletrobrás. Ela reúne Furnas, Chesf, Eletrosul e Eletronorte. Itaipu está fora de cogitação por ser uma empresa binacional.

Mas fico perguntando para dimensionar no que for possível os valores de aquisição de uma empresa por outra. Daí o título deste artigo, porque esta semana o Ministro Bento Albuquerque, de Minas e energia, calculou que a Eletrobrás poderá ser privatizada por 18 bilhões de reais.

UM EQUÍVOCO? – Creio, francamente, que deve ter sido um equívoco, pois se a Warner vale 85 bilhões de dólares, a Eletrobrás não pode valer apenas 4 bilhões de dólares, equivalendo a 18 bilhões de reais. Vale acentuar que a Eletrobrás, não por ela, mas pelas quatro empresas que a compõem, é a segunda maior estatal brasileira. O secretário Salim Mattar precisa agir claramente para tentar fixar o valor de fato da holding elétrica brasileira.

Mas voltando a falar sobre a investida da ATT para adquirir a Warner. o assunto, conforme destaca Tiago Resende, depende de uma alteração na legislação brasileira sobre restrições que tocam um ponto sensível, que precisa ser afastado para tornar possível a operação. Trata-se de mudar um dispositivo legal que está bloqueando a expansão da ATT no mercado brasileiro.

TRUMP PEDIU – O presidente Donald Trump solicitou ao presidente Bolsonaro e também ao deputado Eduardo Bolsonaro iniciativas que tornem a transação possível. O deputado Eduardo articulou uma saída de um obstáculo existente na Agência Nacional de Telecomunicações.

O presidente dos EUA resolveu abraçar a causa da ATT, embora a ATT, se concluído o negócio assumiria o canal CNN, considerado adversário de Trump. A transação envolveria a Sky, empresa que a Globo tentou assumir mas não conseguiu pelos motivos que hoje bloqueiam a ATT. Uma transação sem dúvida espetacular, são 85 bilhões de dólares.

E há apenas uma pedra no caminho.

12 thoughts on “Se a empresa Warner vale 85 bilhões de dólares, quanto poderá valer a Eletrobrás?

  1. Só não vão vender o Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás, naturalmente por enquanto.
    Vejo nessas vendas de empresas estatais estratégicas um atentado a soberania nacional. Depois que as multinacionais tomarem conta das principais empresas nacionais, não haverá mais volta, Se um novo governo tentar encampar essas empresas, haverá o risco de golpe e os navios de guerra americanos estarão na costa brasileira. Já vi este filme.
    Há várias maneiras das grandes potências dominarem um país, uma delas é através do poder econômico e a dominação do mercado através das empresas de base estratégicas.

      • Prezado Luis Fernando,
        Você tem razão. Infelizmente, a ditadura depois de imbecilizar a população, deixou os piores políticos para nos governar: Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, com exceção do Itamar Franco.

    • Nélio, um país em que a maior parte (disparada) da matriz energética vem das hidrelétricas, e em que as agências reguladoras estão longe da competência e independência necessárias para funcionar, não deveria nunca privatizar a sua geração e controle. Estaria cedendo além da energia elétrica o controle de fluxo dos seus rios.

  2. Sou totalmente a favor das privatizações , mas sou também totalmente contra liquidar na bacia das almas o patrimônio público. O governo não pode queimar o patrimônio público em nome da redução do déficit público.

  3. Bom artigo, mas acho apenas que faria mais sentido uma comparação com empresas da mesma natureza. A Warner não lida com produção e distribuição de energia elétrica, e a Eletrobrás não produz filmes. Além disso, a Warner está associada a marcas muito valorizadas no mercado. Quanto vale a marca Batman, espalhada em mil e uma quinquilharias à venda mundo afora? A Eletrobrás não conta com esse tipo de patrimônio. Apenas vende um único produto, embora de natureza essencial. A alta valorização da Warner pode ser uma amostra da nossa tendência ao consumismo.

      • Claro que a produção de energia elétrica é mais essencial, mas isso não tem nada a ver com o valor de mercado. Produtos e serviços perfeitamente dispensáveis podem ser custar mais que aqueles essenciais. Afinal, a maioria dos itens de luxo é caríssima e nada essencial. O ar que respiramos é essencial e, até agora, é de graça.
        Figuras como Paulo Coelho, Neymar e Anitta ganham muito mais que médicos e professores que prestam serviços muito mais necessários.

  4. Realmente lamentável como os jornalistas espalham fake news. O valor de mercado da empresa é de 51 bilhões. Este valor mencionado de 18 bilhões deve ser uma parte das ações, permanecendo as outras na mão da União. A dívida é de 56 bilhões e crescendo. Realmente, a boquita não pode acabar.

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