Se a manifestação for um sucesso, Bolsonaro ganha força para peitar o Congresso

Imagem relacionadaAngela Afonso
Folha

Grandes manifestações são colchaS de retalhos de várias pequenas simultâneas. Foi assim em 2013, quando havia muitos movimentos, mas apartados em campos diferentes: o autonomista, focalizando novas identidades, o socialista, em torno de direitos sociais, e o patriota, com a anticorrupção. Distintos, mas lado a lado.

A história foi outra em março de 2015. O campo patriota tomou a rua sozinho e vertentes começaram a assomar. A diferenciação ficou suspensa durante a campanha “Fora Dilma”, respondida pela contrária, “Não vai ter golpe”. Esse ciclo de protestos polarizou a rua entre defesa e ataque ao impeachment, ambos os lados massudos, mas separados. Em 2013, os contrários se suportavam; em 2015, não.

NA ELEIÇÃO – A intolerância cresceu em 2018, em atos sucessivos de sentido oposto (“Ele não”, “Ele sim”) nas vésperas da eleição. Um lado levou na urna, o outro sobreviveu na rua e se reaglutinou no “Lula livre”. Mas o foco no ex-presidente limitava a adesão.

A esquerda se reinflou na rua por obra do governo, que pôs na mesa pautas transversais com capacidade de tração: educação e Previdência. O ato de 15 de maio foi vigoroso porque incidiu sobre categorias muito articuladas: professores universitários e estudantes. Nacional e coordenado, tomou 222 cidades, em todos os estados. A envergadura, contudo, variou da dúzia às centenas de milhares.

Ao contrário do prometido na hashtag “tsunami”, não repetiu a casa do milhão de 2013 e 2015. O maior evento, o paulistano, congregou 250 mil. Isso na conta da UNE, que — cabe desconto — somou 1,5 milhão no país todo. Não é pouco, mas um único ato do campo patriota em São Paulo, em 2015, reuniu perto de 1 milhão —a PM estimou, reaplique-se o desconto.

SEM NOVIDADES – A esquerda voltou sem as novidades — formas horizontais de organização, tática black bloc— que impactaram em 2013. Trouxe o estilo de protesto usual do campo socialista, com seu arsenal vermelho. Idem para os atores. Além das esperadas associações de professores, funcionários e estudantes, lá estavam os sindicatos, movimentos e partidos de esquerda.

Já o campo patriota atravessou o espelho. Queira ou não, virou governo. Sua unidade vinha do alvo comum. Com o inimigo na cadeia e o amigo no Planalto, a coesão desmanchou. Os subcampos liberal, conservador e autoritário abriram diferenciação entre si. O que o antipetismo uniu, o poder separa.

Quem chama o ato deste domingo (26) são vários movimentos conservadores, o NasRuas à frente, todo o subcampo autoritário (Direita São Paulo, Despertar Patriótico, Avança Brasil, Patriotas Lobos Brasil, São Paulo Conservador etc), mais o Clube Militar, de amplo poder de convocação, e o MC Reaça, o preferido dos Bolsonaros. Movimentos liberais, como o Vem Pra Rua e o MBL, protagonistas no “Fora Dilma”, abandonaram o evento.

A DEFINIÇÃO – Até o fim do domingo se saberá a natureza da relação governo-rua. Se o apoio pender para o subcampo liberal, que recomendou faltar, a mobilização será um fiasco e o presidente (mesmo se ausente, a simpatia é óbvia) queimará pontes.

Mas se o ato dos subcampos conservador e autoritário for expressivo, Bolsonaro se cacifará para peitar o Congresso e obrigará a oposição, para seguir viável, a levar tanto ou mais gente a sua próxima manifestação.

Ao contrário do que dizia o cronista João do Rio, a rua não tem uma só alma. Tem várias. Cedo ou tarde, uma delas tomará o corpo governamental. Seja qual for, não encantará a todos.

19 thoughts on “Se a manifestação for um sucesso, Bolsonaro ganha força para peitar o Congresso

  1. Imprensa em peso torcendo contra, ainda não engoliram a derrota nas urnas, a turminha da tapetão, do quanto pior melhor… dá nojo, total descrédito, principalmente a foice de SP.

    • Que isso cumpanheiro, Bolsonaro quer implantar uma ditadura aqui no Brasil. Enquanto o PT não voltar, eu vou me mudar para a Venezuela ou para Cuba, ali sim, temos uma democracia. A mídia, junto com o STF e Congresso estão implantando um governo paralelo no país. Nossa luta é contra estes, democracia emana do povo e não de políticos.

  2. Caro CN, para Bolsonaro peitar o podre poder, liderado pelo sabujo da OAS e seus 300 ratões, basta o apoio dos tanques. A adesão dos clubes de oficiais das FA é um péssimo sinal para as viúvas da corruptocracia tucano-petelha.

  3. O DIABO É QUE NO BRASIL, face ao sistema político podre, tem muito ladrão gritando pega ladrão, pela direita, pela esquerda e pelo centro, de modo que, como cantou o genial Bezerra da Silva, tem ladrão que não acaba mais. Portanto, não vou, porque não quero a volta de “ladrões” assim como não desejo continuar sendo governado por ladrões, e, na dúvida, prefiro acreditar na sinceridade apartidária do Bezerra da Silva. https://www.youtube.com/watch?v=g_RQYo2olXo

  4. O Recado é duro e verdadeiro, os pseudosdemocratas esquerdopatas, adoradores de Corruptos e Ladrões do Dinheiro Público receberam esse recado duro, forte e objetivo. O Congresso Nacional e o Judiciário também, e os que puxam a corda prá mentir e pedir a volta dos ladrões petralhas também, apertem o cinto o recado tá sendo duro e fatal, talvez seja o último dos Brasileiros de Bem que já não suportam Ladrões e Protetores de Ladrões desmandando nos Poderes da Nação. A OAB virou o que sempre foi, defensor de traidores do Brasil, recebeu também seu recado, e esse papo de comunista corrupto no poder é coisa de bandido mesmo, vide Pernambuco destruído pelos sócios dessa canalha petralha, Humberto e Paulo Câmara, Geraldo Júlio, o recado chegou, é definitivo !!! Onde estão os “Ladrões das Universidades Públicas” ? Seus crimes serão julgados como tantos outros bandidos iguais do lulopetralhismo que assaltou o Brasil na maior Organização Criminosa de nossa História Republicana, Universidade é para Ensinar e Desenvolver e nunca Roubar para Enriquecer Bandidos Esquerdopatas Traidores da Pátria !!!!

  5. Em vez de ficarem falando, deviam ter ido lá em Copacabana, para ver a multidão.
    Na tv aparece alguma coisa, com cortes, sobretudo na globo lixo.

    • Que multidão que nada, só tinha gatos pingados evangélicos a mando de pastores do esquema do “Minto”, o fingido, militares tb do esquema, chapas-brancas, e milicianos, fanáticos, e mais nada. A casa caiu. Na Paulista, reduto das toupeiras, tinha apenas um pequeno aglomerado em frente ao Parque Trianon.

  6. A Globonews vai demitir seus petralhas porque acabaram as tetas federais para adoração do capo do agreste e sua quadrilha, pagaram pelo mal que fizeram em sociedade com eles ao Brasil e ao seu povo, a audiência tá derretendo e os patrocínios também, insistem para mentir, mas, o povo deu recados imensos. Como diria um dos membros do “togalula”…”Tempos estranhos estes onde homens de bem saem às ruas para expulsar os ladrões de todos os podresres..” !!!!!!

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