Se Dilma não o tivesse pressionado, Mantega tentaria esquecer o escândalo da Casa da Moeda.

Carlos Newton

É impressionante o que acontece em Brasília. A presidente Dilma Rousseff precisou entrar em ação e mandar que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rompesse o silêncio, mantido há quase uma semana, sobre as denúncias de irregularidades que levaram à exoneração do ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci.

Mantega estava saindo de fininho, apesar de o presidente do PTB, Roberto Jefferson, tê-lo acusado de haver indicado pessoalmente Denucci para a Casa da Moeda. O ministro não queria responder. Mas a ordem do Planalto o apanhou de surpresa e na sexta-feira ele teve de alterar sua agenda, adiando uma viagem a São Paulo, para discutir as denúncias com a própria presidente Dilma.

Depois, Mantega deu uma rápida entrevista de 11 minutos, para dizer que não conhecia Denucci e que o nomeou por indicação do PTB. Como se sabe, este ex-subordinado de Mantega é acusado de ter movimentado US$ 25 milhões em contas bancárias em paraísos fiscais no exterior, em nome de membros de sua família.

O velho ditado popular nos ensina que “quem não deve, não teme”. Mantega mostrou o contrário. Tentou fugir do assunto, exatamente como continua fazendo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que segue se recusando a explicar as “consultorias” que concedeu a empresários, em atividades semelhantes às desenvolvidas por Antonio Palocci e que acabaram por derrubá-lo da Casa Civil.

Na verdade, é inacreditável o que está acontecendo. Um governo demitir seis ministros por corrupção, no prazo de apenas um ano, é recorde absoluto. Nunca se viu nada igual. E a degola continua. Em 14 meses, contando com Mário Negromonte, das Cidades, já são sete ministros defenestrados, com mais três sob suspeição: Guido Mantega, Fernando Pimentel e Fernando Bezerra, da Integração Nacional, não se esqueçam dele.
É coisa para levar o governo brasileiro ao Livro Guinness de Recordes.

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