Se filmou um depósito, quantos personagens a Polícia Federal terá filmado?

Mulher de Vaccari só depositava 9,5 mil, para não cair na malha fina

Pedro do Coutto

Esta é a pergunta lógica que todos fazem depois de ler a reportagem de Estelita Carrazai, Flávio Ferreira e Graciliano Rocha, Folha de São Paulo edição de 22, focalizando a filmagem feita em duas agências do Itaú-Unibanco em São Paulo, no momento em que Marice Correa de Lima, cunhada, ou Giselda de Lima, casada com João Vaccari, realizava depósito no caixa eletrônico. Giselda, em carta ao juiz Sérgio Moro, assumiu ser ela a depositante. Então, Sérgio Moro decidiu suspender a prisão temporária de Clarice, embora permaneça no processo como acusada de articular recebimentos do esquema de corrupção.

O episódio, contudo, possui implicações. Se a Polícia Federal pesquisou hábitos, horários das idas de alguém a agências bancárias, ou pesquisado filmes de posse do Itaú-Unibanco, nesse caso, quantas filmagens e fotografias possui em seus arquivos sobre a enorme lista dos acusados através das delações premiadas? Muitas. Claro que sim.

Assim, os apontados por Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff de terem se encontrado com eles, ou com Pedro Barusco, não poderão negar tais encontros, como vêm fazendo, porque as imagens não mentem e nem podem ser apontadas como efeito de montagens. Ia esquecendo de citar Renato Duque, acusado de operar a teia, mas que não figura na equipe dos delatores.

Não serão convincentes em negar os recebimentos, sejam através de recibos de depósitos bancários, transferências para o exterior ou dinheiro vivo. Tais entregas ocorreram em hotéis, restaurantes ou quaisquer outros pontos de contato, onde há filmagens.

SÓ OS ENCONTROS

Vamos admitir a hipótese de que dificilmente os filmes e fotos podem ter registrado o repasse dos valores, mas facilmente confirmaram os encontros. Dessa forma, esta parte da negativa dos acusados que se encontram sob investigação torna-se impossível. As imagens não mentem, tampouco podem ser forjadas. Se os encontros ocorreram, claro, eles foram registrados pela Polícia Federal. Até porque jamais pensaram que tal tipo de prova pudesse emergir do passado recente para a superfície dos processos criminais do tempo presente.

Eles acabaram prisioneiros de si próprios, presos na própria teia que armaram para se proteger. Afinal, a corrupção não inclui recibos.

Não inclui recibos, mas inclui comprovações pelas imagens que esclarecem tacitamente os objetivos semiocultos das coincidências verificadas. Porque, no final da ópera, acusados iriam almoçar ou jantar com outros acusados da corrupção que abalou, não somente a Petrobrás, mas o próprio governo e, acima dele, escandalizou a Nação, deixando-a exposta a um sentimento de revolta e indignação. Tais sentimentos, na verdade, são essenciais ao desempenho da economia. Os prejuízos causados, portanto, não se limitam ao momento que atravessamos. Não. Ao contrário. Estendem-se a todo o mandato do governo.

IMAGEM PERDIDA

Recuperação difícil da imagem perdida junto à população, que ao sentimento de revolta e indignação soma o de vergonha. Sente-se iludida por governantes, que criaram a imensa rede de corruptos e corruptores, ou que, pelo menos, se omitiram em combatê-la e destruí-la logo nos seus primeiros movimentos. Mas esta é outra questão.

O tema em foco, assustador para os acusados, é até onde chegaram as lentes da Polícia Federal fotografando ou filmando encontros que não foram mera coincidência.

 

 

7 thoughts on “Se filmou um depósito, quantos personagens a Polícia Federal terá filmado?

  1. Nesse quesito de quadrilheiros corruptos os franco-tucanos-suiços são mais a´geis e com mais carga de vivência em depósito de bilhões desviados dos cofres públicos paulista e brasileiro.
    São experts em contas no Exterior, éé só ver as várias contas nas Suiças e Ilhas Tucanaymans por alguns quadrilheiros do Partidão da Ética (qual será o Mistério).,
    Jamais se sujeitariam ao fazer pequenos depósiotos em caixas eletrônicos de banquitolas sonegadores………

  2. Por falar nisso Sr. Pedro Couto, ontem o jornalista ricardo boechat dispensou apenas 30 segundos do seu grande jornal para o Escândalo da Corrupção do Metrô Paulista.
    Veja, 30 segundo e nada mais.
    Qual será o Mistério entre a grande Mídia e o Partidão da ètica.???

  3. Se dessa tsunami corruptiva da Lava Jato e da Operação Zelotes, os responsáveis pelos delitos (me recuso em escrever mal feitos) não forem punidos exemplarmente como são diariamente os pobres no Brasil, humilhados que são pelos policiais na maioria das vezes sem culpa formada, apenas pela suspeição subjetiva dos agentes policiais do Estado, o povo perderá a confiança das autoridades.

    Para o povo humilde a espada da lei, sem direito a ampla defesa e o contraditório, para altos funcionários públicos e dirigentes de empreiteiras surgem mil argumentos a favor de leniência, prisão domiciliar, delação premiada (roubam os cofres públicos e ainda ganham prêmio). Muitos desses ladrões do dinheiro público, sonham diariamente com a possibilidade do STF soltá-los através do milagroso Habeas Corpus. Se assim o fizerem, o povo não acreditará em mais nada. Ficará marcado no inconsciente coletivo que o crime compensa, e que, quem não rouba se trata de um verdadeiro otário de galocha.

    Ou viramos a página da corrupção ou tudo continuará como antes, até o esfacelamento completo da nação, situação a qual, ficará ruim para todo mundo e todos perderão suas boquinhas no aparelho do Estado e os empresários não conseguirão mais os financiamentos de pai para filho dos bancos oficiais. Na África e no Oriente Médio, a destruição das sociedades são o reflexo de décadas de desmando, corrupção, ditaduras e privilégios, que um dia acaba para todos.

    Bom dia para todos.

    • Prezado Roberto, concordo; trabalho na Baixada Fluminense, ando em transportes coletivos e observo, de longa data, que o povão não acredita em mais nada… com relação aos políticos, aos destinos do País e às instituições públicas. A única coisa que mantém o povo humilde de pé ainda é a Fé em Jesus e na Bíblia.

  4. Não só corruptos depositam menos de 9,5 mil para escapar do COAF. Muitos aqui no camelódromo da Uruguaiana, no Rio assim procedem. Imagino também em SP na 25 de março e pelo Brasil afora. Nos EUA há muito é comum depósito de menos de 10 mil dólares para escapar da comunicação bancária ao fisco. Quanto a ser flagrado por câmeras, por um lado é bom, como assinalou o Limongi, principalmente quando se pode identificar um assaltante de uma saidinha bancária numa agência. Por outro, é péssimo quando se intromete na vida privada da cidadania. O corrupto brasileiro em geral é um primário que normalmente apresenta extravagantes sinais exteriores de riqueza.

  5. Só acho estranho que aqui no Brasilll os caixas eletrônicos não tenham a obrigatoriedade de ter câmera digital que tire fotografia frontal de quem esta depositando ou retirando dinheiro.

    Nos EUA, em muitos estados, este procedimento é lei desde 1994.

    Em 1996 minha cunhada sofreu um sequestro relâmpago, na Florida, e a policia chegou ao sequestrador pela foto do caixa eletrônico.

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