Se indústria não se expandir, mercado de empregos não cresce

Pedro do Coutto

Se a produção industrial não se expandir em taxas superiores à do aumento da população, o mercado de empregos não cresce, pois a indústria é a maior empregadora do país e o setor do qual a média salarial é mais alta do que a do comércio e muito mais elevada do que paga a agricultura. Essas afirmações vêm a propósito de reportagem de Mariana Sallowicz, publicada na edição de sexta-feira 10 da Folha de São Paulo.

As comparações cotejam os resultados do primeiro trimestre de 2013 com os de igual período de 2012. A produção paulista cresceu apenas 0,4% no primeiro trimestre deste ano. O número é sobretudo importante porque São Paulo representa 40% de toda produção brasileira. O Rio de Janeiro, entretanto, com base no mesmo cotejo de períodos avançou 5,7%, revela o quadro estatístico que acompanha a reportagem.

A pesquisa foi produzida pelo IBGE, dirigida por André Macedo. No quarto trimestre do exercício passado, o parque industrial paulista havia se expandido em 1%. O crescimento demográfico do país situa-se na escala de 1,2% a cada doze meses. Dois milhões de crianças nascem portanto no Brasil de um ano para outro. André Macedo diz que houve uma perda de ritmo da indústria de São Paulo influenciada negativamente pelos setores de alimentação e farmacêutico.

DESACELERAÇÃO

O setor de alimentos foi um dos principais responsáveis pela desaceleração – assinala a matéria – com uma queda de 1,3%. Para André Macedo, os preços em alta limitaram o consumo e também ocorreu menor exportação de produtos, como foi o caso do açúcar. Acentuou que no início do ano o custo da alimentação no país disparou. Diante disso, o IPCA do IBGE, índice oficial de inflação, acumula a elevação e inclusive atingiu quase o teto da meta prevista pelo governo para 2013. A meta é de 6,5%. Mas de abril de 2012 a abril de 2013 chegou a 6,49 pontos.

A indústria farmacêutica, no primeiro trimestre, apresentou recuo da ordem de 9,9%. Para Macedo, a causa está no aumento das importações. Neste ponto, acho eu, é preciso confrontar a produção industrial brasileira com o consumo registrado no setor. Se as importações substituírem produtos de fabricação brasileira, o fenômeno, embora economicamente negativo, não significa retração do consumo. No caso um consumo obrigatório e indispensável, já que ninguém toma remédios por prazer. Sobretudo a população de mais idade, através inclusive de medicações de uso contínuo.

De outro lado, no entanto, a produção de automóveis e caminhões apresentou o aspecto mais positivo revelado pela pesquisa: cresceu 9,8% nos primeiros três meses deste ano. Por seu turno, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – acrescenta a reportagem – prevê um sensível avanço da indústria paulista: projeta um avanço de 4% na produção ao longo do ano.

A reportagem aponta uma retração de 1,5% na produção de Minas Gerais e um avanço de 5,7% na produção do Rio de Janeiro. E deixa uma dúvida: em termos nacionais, houve evolução ou redução de 0,5%. No mapa estatístico, é assinalado avanço. No texto, recuo. Qual afirmativa será a correta? De qualquer forma, em termos de emprego, o resultado não terá sido positivo.

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