Se nada há de novo, na visão poética de Shakespeare

Gênio da dramaturgia, o inglês William Shakespeare (1564 / 1616) despontava também como ator, compositor e poeta. Vejam esses versos dele e concordem com Rubem Braga que a poesia é mesmo necessária.

William Shakespeare


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SE NADA HÁ DE NOVO

Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.

William Shakespeare, in “Sonetos”
Tradução de Carlos de Oliveira

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