Se o PSDB tivesse escolhido Doria, o resultado da eleição seria bem diferente

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Charge do Frank (A Notícia/PB)

Merval Pereira
O Globo

Mais uma das esquisitices desta eleição é a evidência de que os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais ou não representam a maioria dos seus apoiadores, como é o caso de Bolsonaro, ou são meros prepostos do verdadeiro líder, o caso de Fernando Haddad. Nenhum deles estaria com um pé no Palácio do Planalto por méritos próprios, mas são consequência de uma situação política que não controlam.

Bolsonaro foi beneficiado pelo desmonte dos partidos políticos tradicionais, que deveriam ter canalizado o desencanto do brasileiro para apresentar soluções menos traumáticas. Especialmente o PSDB, que perdeu a conexão com a sociedade ao se converter a um pragmatismo que o colocou no mesmo rol dos partidos fisiológicos.

FISIOLOGISMO – Todo o mundo político sabia que o fisiologismo do MDB colocava em risco seus parceiros e, no limite, a democracia, mas o PT não se furtou a chamá-lo duas vezes para vice de Dilma, assim como o PSDB formou a base de apoio do novo governo.

Ao apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma e, em consequência, a assunção de Temer ao poder, o PSDB estava atuando dentro da democracia, da mesma maneira que fez no governo Itamar. Mas quando Temer perdeu sua legitimidade, em consequência da revelação da conversa nada republicana com o empresário Joesley Batista, os tucanos deveriam ter debandado, colocando-se como oposição a um governo fisiológico, refém de um passado comprovadamente corrupto, que não se emendou.

CORRUPÇÃO ACEITA – Da mesma maneira que o PT, os tucanos passaram a mão na cabeça de seus membros envolvidos em escândalos de corrupção, e carregaram o peso das negociações secretas de seu ex-presidente Aécio Neves com o mesmo Joesley, ou com o presidente Temer nas noites do Palácio da Alvorada, ou ainda da condenação de outro ex-presidente do PSDB, o ex-deputado Eduardo Azeredo.

Se não tivesse se descredenciado como representante de uma parte ponderável da sociedade brasileira, inclusive com votações demagógicas, como quando apoiou o fim do fator previdenciário, o PSDB poderia ser o receptáculo dos votos de quem buscava soluções para nossas mazelas.

Sem uma alternativa viável, com projeto menos radicalizado que o de Bolsonaro, esse eleitor ficou sem opção para tentar impedir a voltado PT ao governo, ainda mais agora que o ex-ministro José Dirceu explicitou o plano de “tomar o poder”, não apenas ganhar a eleição. Até mesmo a definição de Alckmin como candidato à Presidência da República demonstra uma miopia em relação ao momento político que vivemos.

A OPÇÃO DORIA – Se tivesse escolhido o ex-prefeito João Doria, não por seus méritos ou defeitos, mas por seu perfil antilulista, mais coadunado com a exigência de uma batalha política radicalizada, talvez não tivesse dado a chance de Bolsonaro se apropriar do antipetismo que domina a sociedade brasileira.

Provavelmente, Bolsonaro ficaria confinado a ser um candidato nanico, representante do baixo clero, se grande parte do eleitorado que hoje vota nele tivesse outra opção, mais civilizada.

Da mesma maneira, o PT errou ao escolher seu candidato de acordo com os caprichos e vontades de seu grande líder, o ex-presidente Lula, imaginando que ele, mesmo estando na cadeia, e com vários processos em andamento, comandaria as massas. Comandou o partido, mantendo sua candidatura até a undécima hora, e designou Fernando Haddad para representá-lo nas urnas, imaginando que o simples fato de saberem que Haddad é Lula levaria a uma vitória retumbante.

NOVA REALIDADE – Uma parte dos votos que supostamente Lula teria —chegou a ter 39% nas pesquisas—foi para Haddad, mas, diante da rejeição maciça que o lulismo provoca, hoje não dá nem mesmo para afirmar que Lula, acossado por tantas denúncias, ganharia fácil a eleição.

É claro que não se deve subestimar o carisma do ex-presidente, e sua capacidade de comunicação, mas a rejeição a Haddad se deve a Lula. Provavelmente, o erro de Lula foi não ter apoiado Ciro Gomes como candidato, numa coalizão do PT como PDT. Ao não abrir mão de liderar a esquerda brasileira, sem dar espaço dentro do PT, nem em outras agremiações, para novas caras, Lula manteve sua liderança incontestada, sua hegemonia pessoal. Mas pode ter sido o responsável pela derrota da esquerda que se avizinha. Se, numa reviravolta, conseguir eleger seu preposto, se consagra.

Se tivesse escolhido Doria, o PSDB talvez não desse a chance de Bolsonaro se apropriar do antipetismo que domina o país.

22 thoughts on “Se o PSDB tivesse escolhido Doria, o resultado da eleição seria bem diferente

  1. Ouso discordar elegantemente do acadêmico e jornalista Merval Pereira.

    João Dória foi eleito prefeito da capital paulista, em 2016, sob o guarda chuva do governador Geraldo Alkmim. O empresário Dória se apresentou aos paulistanos como um empresário e não político, denominado outsider. Um animal político distanciado das lides partidárias. Com esses mitos, enganou o eleitor e venceu o candidato do PT no primeiro turno, apoiado pela máquina pública do governo estadual.

    Afirmou na campanha, que cumpriria o mandato até o fim. Tinha um trato com o governador, que consistia no seu apoio como prefeito na campanha de Alkmin para presidente.

    No entanto, Dória traiu o governador, se apresentando como candidato a presidente, porém, a força do Geraldo e o apoio de FHC, manteve o candidato natural. O estrago estava feito na amizade de ambos. Mas, a ambição desse outsider era muito maior do que o governador acreditava, então, sobrou para ele a candidatura ao governo do Estado, em substituição ao seu mentor político. Rasgou a promessa feita aos eleitores e entregou a prefeitura a seu vice, filho de Mário Covas. A boca pequena, dizem que estava entediado a frente da administração municipal, cheia de problemas.

    O povo paulista sentiu o cheiro do falso profeta não cumpridor de promessas de campanha e está lhe dando um castigo abissal, porque ele não consegue ultrapassar o fraco candidato do PMDB, o empresário presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf. Se tivéssemos mais uma semana de campanha, o atual governador França chegaria ao segundo turno e derrotaria tanto Dória quanto Skaf.

    Resumindo Sr. acadêmico Merval Pereira, um candidato com essas credenciais, com dificuldades na eleição estadual, teria condições fáticas de vencer a disputa presidencial? Já estamos cansados de outsiders neoliberais, que só falam em alienar o Estado e suprimir direitos sociais adquiridos, através de reformas de bastidores, no Congresso Nacional. Os empresários são muito bons na administração de suas empresas, quando alçados ao governo, se tornam um verdadeiro desastre.

    O PSDB está fora da disputa, pelo seu comprometimento com o governo TEMER, que chegou ao poder e iniciou agendas voltadas para prejudicar a classe trabalhadora. O povo sentiu o cheiro da traição, na pele e na mesa do almoço.

  2. Se Urubu cantasse eu teria um aqui na gaiola.

    O PSDB acabou faz tempo.

    Merval Pereira nosso encontro é amanhã na GloboNews e vou ver com prazer a sua chorumela junto com seus colegas Fabianos/Vermelhos .

    Game Over!

  3. Como o povo está desinformado, isso é muito ruim.
    Não conhecem o próprio candidato.

    Hoje fui trocar o óleo do meu carro.
    Sou cliente desta loja há anos.

    Meu diálogo com o nobre trabalhador da loja.

    Eu: Bom dia, trocar o óleo.
    Ele: OK

    Ele: vai de Bolsonaro?
    Eu: Não

    Ele: Por que?
    Eu: não acho um bom candidato.

    Eu: Por que você vai de Bolsonaro?
    Ele: Sou militar.

    Eu: está na ativa ou foi reformado remunerado.
    Ele: Nenhum dos dois

    Eu: Ué então não és militar..
    Ele: É mesmo.

    Eu: Você sabia que:

    Bolsonaro se reformou no exército aos 33
    anos de idade com16 anos de tempo de
    serviço ganhando remuneração?

    Ele é político há quase 30 anos?

    Ele tem 3 filhos na política?

    Ele quer dificultar e reduzir o valor das
    aposentadorias e pensões ?

    Ele quer colocar as leis trabalhistas beirando
    a informalidade?

    E muita mais….

    Ele: Não sabia nada disso.
    Eu: Pois é

    Ele: vou pedir a minha filha para verificar isso na internet hoje e se confirmar não voto nele nem a pau.

    Então quem conhece não vota.

    • Eu tb já fiz esse teste por aqui, é a mesma coisa, trata-se de um onda de ignorância brutal, à moda maria-vai-com-as-outras para o brejo sem saber para onde está indo, levados por mentiras, na balada do antipetismo, anti-sistema, evangelismo, militarismo, sem noção do que estão fazendo. Faltou o Outsider, de fato anti-sistema, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, e daí o charlatanismo oportunista, como de costume, ocupou o espaço, e vamos continuar com a mesma agonia.

  4. Merval dizer que Bolsonaro não representa aqueles que é uma temeridade que não condiz com a categoria de jornalista o Bolso é um fenômeno político que não cabe nos modelitos da estrutura polícia caduca e atrasada
    Como e possível esse apoio espontâneo em todo o país, como irá explicar isso lá em casa Merval????

  5. Dória talvez até tivesse mais intenções de voto, mas o problema do PSDB é o próprio partido, seu histórico de corrupção e o legado de FHC. Dória talvez tivesse mais chance por um partido de aluguel.

  6. Faltou o Outsider, de fato anti-sistema, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, cercado que foi pelo PSOL capturado pelo PT, via Boulos, e daí o charlatanismo oportunista, como de costume, ocupou o espaço do novo de verdade, e deu no que deu. Vem ai mais agonia, porque o Brasil, nação, não aceita mais o velho que já morreu, e continua apaixonado pelo novo de verdade que urge se estabelecer que é o Projeto Novo e Alternativo de Política e Nação, como já demonstrou nas ruas do país, nas cabeça e no coração da população desde Junho de 2013. O Brasil, ao que parece, está preferindo morrer a continuar dominado pelo velho que já morreu, que é o $istema político apodrecido.

  7. KKK o Dória não foi eleito somente com os votos dos tucanos, por isto se elegeu no primeiro turno. E a tucanalha mais experiente, gente como o FHC e o picolé de chuchu sabiam disto, também sabiam que a vez dos tucanos mais uma vez vai ficar para a próxima vez. Como o pestismo eles sabem
    que sempre tiveram um só candidato, ou é ele ou nada.

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