Se perder embargo infringente, Dirceu buscará asilo político

 
 
Pedro do Coutto
 
Na sua página domingo passado no Globo, edição de primeiro de setembro, Élio Gáspari publicou que uma pesquisa realizada junto SOS ministros do Supremo, apontou a tendência de a Corte rejeitar, por princípio, a apresentação de embargos infringentes para matéria penal. Isso de um lado. De outro, reportagem de Severino Mota, Folha d São Paulo, também no domingo, revelou que o STF, ainda esta semana, poderá determinar a prisão imediata  de condenados. O relator da matéria será o ministro Joaquim Barbosa. Os embargos declaratórios já foram esgotados para os principais réus, o mais importante deles José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula. Na minha impressão, ele já está articulando a obtenção do asilo político, uma salvaguarda semelhante que julga capaz de livrá-lo da cadeia. Poderá tentar Cuba, Bolívia ou Venezuela, talvez Colômbia. Mas existe uma dificuldade ao lado de uma facilidade.
A facilidade está no precedente do asilo concedido pelo governo brasileiro ao senador boliviano Roger Pinto Molina, na medida em que coloca o tema na ordem do dia. Obter o salvo conduto não será problema, uma vez que, como já escrevi, a presidente Dilma Rousseff só chegou ao posto porque substituiu Dirceu na Casa Civil, senão seria ele o candidato do PT. Assim, o episódio do mensalão somou para a presidente, pois lhe proporcionou um espaço e um caminho inesperado. José Dirceu deixar o país não será o problema principal.
O problema principal, e aí a dificuldade, é a alegação de perseguido político. Perseguido por quem? Pelo governo do Partido dos Trabalhadores? Não convence. Perseguido pelo Suprem Tribunal Federal? Não convence. Perseguido pelo Supremo Tribunal Federal? Seria um caso único na história alguém julgar-se cassado e caçado por uma decisão da Justiça, independentemente de qualquer ação de governo. Pois a única ação de governo contra ele foi o decreto do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, demitindo-o da Casa Civil, inclusive porque a denúncia contra ele não foi encaminhada pelo Poder Executivo, apesar de ter tido seu mandato de deputado cassado pela Câmara Federal, mas sim pelo Procurador Geral da República. Se tentar o asilo, eis aí um caso bastante sensível e complicado. Sobretudo porque só poderá formulá-lo a partir do momento em que a Corte Suprema mandar recolhê-lo à prisão.
RENÚNCIA DE CABRAL

Na edição de 2 de setembro, segunda-feira, a Folha de São Paulo publicou reportagem revelando que o governador Sérgio Cabal encontra-se de saída do cargo, vai renunciar, por dois motivos: projetar intensamente a imagem pública de seu candidato, o vice Luiz Fernando Pezão; viabilizar a candidatura de seu filho a deputado federal. Mas quanto a este segundo aspecto, poderia esperar até 5 de abril de 2014, seis meses antes das urnas. Dentro de tal circunstância, ele, Sérgio Cabral, deverá candidatar-se ao Senado, o que ajudaria seu filho, embora seja facilmente eleito de qualquer maneira. Certa, portanto, a vitória de Marco Antonio. Duvidosa a de Sérgio para o Senado, inclusive porque haverá em 2014 apenas uma vaga em disputa. 

Mas, além desse quadro, existe um outro fator provavelmente pesando na antecipação da renúncia: o esgotamento em que se encontra causado pela rejeição da opinião pública. Tanto assim que, depois de exigir até da presidente Dilma Rousseff, a retirada da candidatura Lindberg Farias à sucessão estadual, o governador recolheu-se em silêncio e, segundo a Folha, sofre com a retirada do apoio do PT, PSB e PDT à sua administração. Sinal de um novo tempo pela frente.

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2 thoughts on “Se perder embargo infringente, Dirceu buscará asilo político

  1. Não duvido que esse senhor multi-faces (a maioria delas esculpidas em diversos tipos de madeira) venha com mais esse golpe. O que duvido muito é que Dilma jogue fora sua reeleição se conceder-lhe o salvo conduto. Seria mais um tabefe na cara do povo, e esse sim, de fácil exploração pela nossa incompetente oposição e de leve digestão para a horda de analfabetos funcionais que o partido do Foro de São Paulo se apoia para enfrentar eleições

  2. Pelo que eu entendi, Cabral PRETENDE renunciar pra poder alavancar Pezão. O que me parece coerente. Inclusive, o mesmo já está participando de reuniões referente a seu possível futuro cargo. Agora, quanto ao desgaste da imagem do Cabral, realmente, existe desgaste, mas não acho que isso poderá prejudicar a candidatura do Pezão. E digo mais, prefiro mil vezes Cabral, ou Pezão, a Garotinho ou Cesar Maia com seus respectivos métodos inúteis e patéticos de governar.

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