Se responder às acusações do ministro da Agricultura, o irmão de Romero Jucá pode se tornar uma nova espécie de Pedro Collor. A briga entre os dois está apenas começando.

Carlos Newton

É uma briga boa. O primeiro round foi ganho por Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que deixou o cargo empunhando uma metralhadora-giratória. O segundo round foi do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que em depoimento na Câmara, negou as acusações de Jucá Neto e centrou suas declarações em destacar que foi o ex-diretor quem  cometeu irregularidades.

Como se sabe, Jucá Neto foi exonerado na semana passada, depois que a revista “Veja” revelou que ele havia autorizado um pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa fantasma que já foi ligada à sua família e que hoje tem como sócios dois laranjas, um pedreiro e um vendedor de carros, vejam a que pontos chegamos.

Depois de demitido, Jucá Neto deu entrevista à revista denunciando que o esquema de desvio de recursos públicos na Conab é comandado pelo próprio ministro Wagner Rossi e que há um “consórcio” entre o PMDB e o PTB no controle do ministério.

Entre as irregularidades, citou um acerto com a Caramuru Alimentos para postergar o pagamento de uma dívida em troca de recebimento de propina. E o senador Gim Argello (PTB-DF), que por coincidência também era vendedor de carros, foi acusado por Jucá Neto como homem influente na Conab e beneficiário de um esquema de venda de terrenos da Conab abaixo do preço de mercado.

Rossi absorveu os golpes, foi à Comissão de Agricultura da Câmara e acusou Jucá Neto de querer tornar sua demissão num ato político. “Ele tenta transformar um caso estritamente administrativo, em que ele foi pego em infração gravíssima, ele quis transformar em caso político. Agredindo a todos, seus colegas de trabalho na Conab e inclusive esse ministro que aqui está” – disse Rossi, alegando que Jucá Neto saiu da Conab depois que utilizou verba carimbada – destinada apenas à compra de estoque regulador – para fazer pagamento a uma empresa.

Acontece que, na entrevista , Jucá Neto, disse na Conab “só tem bandido”, o que não representa nenhuma novidade, pois desde tempos imemorais já se sabe que este órgão é uma espécie de Dnit (ex-DNER) da Agricultura.

Além do caso da empresa Caramuru, Jucá Neto denunciou a venda, em janeiro deste ano. de um terreno da Conab em Brasília. Foi leiloado por R$ 8 milhões, mas valeria muito mais, e o comprador é vizinho do senador Gim Argelo do PTB, é mesmo muita coincidência. Por que alguém iria majorar o valor de uma dívidapara beneficiar uma empresa”, indagou.

Na entrevista, o irmão do líder do governo ainda afirma que Rossi foi nomeado ministro por indicação direta do vice-presidente Michel Temer. E acrescentou que, no ministério, Rossi faz o que Temer manda. “Deve proporcionar ao vice-presidente muita coisa boa que eu com certeza não proporcionaria”. frisou.

Segundo a reportagem, a demissão de Juca Neto teria provocado uma dura discussão entre Temer e o irmão dele, senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo. Mas Temer é cauteloso e não quis entrar na briga com Jucá Neto. A assessoria do vice-presidente informou que ele não iria comentar as acusações e que as explicações seriam dadas pelo ministro da Agricultura, conforme está acontecendo. Ou seja, Temer nem entrou no ringue.

 Com toda certeza, Jucá Neto tem mais munição na algibeira. Se decidir enfrentar Rossi em campo aberto, ninguém pode prever aonde essa contenda vai parar. Seria Jucá Neto um novo Pedro Collor? Esta é a grande dúvida do momento político.

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