Se Temer desconhecia a anistia ao caixa 2, quem está governando chama-se Padilha

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Charge do Luscar, reprodução da Charge Online

Carlos Newton

A Agência Brasil informa que o presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira (21), em Nova York, que foi surpreendido com a notícia de que tinha sido incluída na pauta da Câmara dos Deputados uma proposta de anistia aos crimes eleitorais de caixa 2. Em entrevista coletiva durante encontro com empresários norte-americanos, Temer ressalvou que a proposta que criminaliza o caixa 2 é uma questão do Poder Legislativo, mas salientou que, a seu ver, a medida não é boa para ninguém. “Eu, pessoalmente, não vejo razão para prosseguir, prosperar nessa matéria. Isso foi surpreendente para mim, eu li a notícia aqui. Quando chegar lá [no Brasil], eu vou examinar essa questão”, afirmou, dizendo que pretende colocar o país nos trilhos, mesmo que isso resulte em uma queda ainda maior de sua popularidade.

A afirmação de Temer é da máxima importância. Se ele não sabia de nada sobre a fraude da anistia ao caixa 2, articulada pelo próprio líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE) com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e lideranças dos mais diversos partidos, incluindo oposição, com o PT e o PCdoB, quem é que está no governo?

SITUAÇÃO ESTRANHA – A situação é muito esquisita, porque pode comprovar que Michel Temer perdeu o controle da situação, está refém dos caciques do PMDB e o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, é quem está comandando a política governamental, como ficara evidenciado há duas semanas no episódio da demissão do ministro-chefe da AGU, Fábio Medina Osório, decidida por Padilha sem consultar o presidente.

Temer viajou para os Estados Unidos levando cinco ministros – Henrique Meirelles (Fazenda), José Serra (Relações Exteriores), Maurício Quintella (Transportes) e Fernando Bezerra (Minas e Energia), além de Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O governo oficialmente foi entregue ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas na verdade Padilha ficou decidindo tudo, com a colaboração direta de Geddel Vieira Lima, secretário de Articulação Política da Presidência, que deu várias entrevistas na terça-feira defendendo a anistia aos crimes eleitorais do caixa 2, como se fosse uma posição oficial do governo, sem autorização prévia de Temer, vejam a que ponto chegamos.

REINA A ESCULHAMBAÇÃO – Temer reassume a Presidência nesta quinta-feira, em meio à maior crise já vivida desde o impeachment. Apesar da declaração em Nova York, ele continua sob suspeita, como principal beneficiário da fraude para anistiar aos crimes do caixa 2 de campanha eleitoral, porque essa inovação jurídica evitaria que houvesse a cassação da chapa Dilma/Temer pela Justiça Eleitoral e o presidente poderia tentar a reeleição em 2018.

Se Michel Temer realmente não tinha conhecimento dessa manobra absurda e abjeta, logo se saberá, porque ao reassumir ele terá de demonstrar o maior rigor contra Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima, para mostrar que não está servindo de marionete para os caciques do PMDB. Mas se Temer continuar de beijos e abraços com essa dupla, sem tomar uma providência dura, isso será sinal de que foi ele que determinou a aprovação da anistia ao caixa 2 e agora está querendo sair de fininho.

De toda forma, uma coisa é certa: pode-se dizer que o Brasil jamais viveu uma esculhambação institucional como nos dias de hoje.

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