Se tivesse saído em 2010, Dilma ficaria na História com uma biografia limpa

Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

Roberto Nascimento

Ninguém consegue se aliar ao que há de pior na vida pública e privada, para depois querer sair incólume. Empreiteiros e empresários não doam para campanhas políticas sem que depois haja contrapartida maior do que o patrocínio solicitado. É o que determina a chamada “lógica dos fatos”, muito bem engendrada pelo genial filósofo Aristóteles, há mais de 2,3 mil anos.

E o fato é que o líder metalúrgico se aliou ao grupo conservador da nação para obter a manutenção do poder a qualquer preço. Para ficar bem com o sistema, Lula e o PT então começaram a empreender um expurgo sem precedentes da ala à esquerda do arco de aliados formadores da sigla.

Foram sacrificadas algumas de suas maiores cabeças coroadas, como Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Luiza Erundina, Vladimir Palmeira e Bete Mendes, lideranças que citamos aqui em nome das centenas de quadros qualificados intelectualmente que foram discriminados e progressivamente banidos do Diretório Nacional do Partido. Não podia dar certo, como de fato não deu.

PARTIDO NANICO – O PT caminha celeremente para se tornar um partido nanico, com pouca influência no Senado e na Câmara dos Deputados. E tudo começou em 2010, quando Lula tinha variadas opções para sucedê-lo, mas não quis prestigiar nenhuma liderança emergente e escolheu a pior solução, indicando a neopetista Dilma Rousseff, que nunca disputara cargo eletivo e não tinha o menor traquejo na luta política, que não perdoa amadores.

Agora, Lula fica pelos chorando pelos cantos, a lamentar a péssima escolha. Decidiu sozinho, à moda dos piores líderes, que não ouvem o clamor das ruas nem consultam o próprio partido. Se tivesse a humildade de fazer prévias para a escolha do candidato do PT, como vemos agora na disputa presidencial americana, dividiria a decisão com seus pares. Mas optou pela decisão solitária e errou feio. A escolhida não abriu espaço para sua volta em 2014, deixando Lula a ver navios e perplexo.

DILMA, ENLOUQUECIDA – Errou também a presidente Dilma. Primeiro, por não cumprir o compromisso assumido com seu único criador e mentor, pois deveria esquentar a cadeira por somente quatro anos. Achou que tinha direito a reeleição, rompendo com o ex-chefe e provocando a crise.

Se Dilma tivesse saído ao final do mandato, não teria passado pela série de constrangimentos que vem sofrendo nesse longo e sofrido processo de impeachment. Hoje, o problema da Lava Jato seria exclusivamente de Lula. Portanto, Dilma teria saído incólume, como a primeira mulher a presidir o Brasil, um nome na História.

Agora, Lula e o PT ainda tentam jogar um bote salva-vidas para tirá-la da tormenta do oceano de lágrimas. É uma tragédia anunciada nas hostes petistas, digna de uma peça de teatro da vida humana, envolvendo os mais diversos equívocos e conflitos.

Como no filme épico italiano “O Incrível Exército de Brancaleone”, de Mario Monicelli, inspirado no “Dom Quixote” de Cervantes, o herói se lança de espada em punho em louca disparada. Para quê? Para nada! Aqui no Brasil, o PT saiu em louca disparada rumo ao poder, para agora ver a sigla morrer na praia e entregar a nação nas mãos do PMDB, seu antigo aliado. Pergunto aos líderes do PT: o povo que os elegeu por quatro mandatos consecutivos merecia isso? É uma pergunta que não tem resposta, mas fazê-la-ei, sabendo que ecoará no vazio.

3 thoughts on “Se tivesse saído em 2010, Dilma ficaria na História com uma biografia limpa

  1. Devemos agradecer pela incompetência dos dirigentes desse partido que se mostrou ser nada mais que uma organização criminosa inépta, pois, se assim não o fosse, em breve estaríamos passando pelo que vem vivenciando o povo venezuelano.

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