Seis ex-ministros do governo Dilma irão votar a favor do impeachment dela

Charge do Benett, reprodução da Folha

Mariana Haubert
Folha

Seis ex-ministros do governo de Dilma Rousseff estão no grupo de senadores que no final deste mês deve votar a favor do afastamento definitivo da petista. Demonstrando ressentimento e afirmando que a presidente afastada cometeu erros, eles representam um certo constrangimento para a presidente afastada— se ainda tivesse o apoio desses seis, Dilma estaria a apenas um voto de conseguir barrar o seu impeachment.

Oficialmente esses senadores, do PMDB (quatro) e do PSB (dois), argumentam que votarão contra a petista por fidelidade à decisão de seus partidos, que em determinado momento romperam com o governo do PT. Os seis ex-ministros são Garibaldi Alves (PMDB-RN), Eduardo Braga (PMDB-AM), Marta Suplicy (PMDB-SP), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Eduardo Lopes (PRB-RJ).

Reservadamente, porém, alguns apontam motivações mais pessoais. Lembram que não tinham acesso a Dilma e que ela não se preocupou em construir uma relação de proximidade com seus ministros. Há até os que recordam constantes “broncas” sofridas da ex-chefe como razão para lhe negar agora o apoio.

ROMPIMENTO – O PMDB rompeu com Dilma quando tomou corpo a percepção de que o processo de impeachment tinha condições de ser aprovado pela Câmara. O hoje presidente interino, Michel Temer, é um dos principais caciques do partido.

Já o PSB saiu do governo ainda antes da reeleição de Dilma para lançar ao Palácio do Planalto o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014.

“O que me colocou no Senado foi a representação do povo do Amazonas e ele tem se manifestado claramente e majoritariamente em todas as pesquisas com relação ao afastamento. Isso não significa que eu não respeite e não tenha consideração pessoal pela presidente”, afirmou Eduardo Braga, que foi ministro de Minas e Energia de Dilma até abril deste ano.

SEM PERGUNTAS – O senador do Amazonas disse que, assim como os ex-colegas de Esplanada, não fará perguntas a Dilma na sessão em que ela fará a sua defesa, no dia 29. Mas afirma que é preciso que ela reconheça sua sua situação.

“Me parece que está claro e não há mais dúvida de que o impeachment está dado. Nesse momento é preciso ter a humildade de perceber que não existe mais governança”, afirmou Braga.

Para Garibaldi Alves, que comandou a Previdência, julgar Dilma é “uma árdua missão”, mas ele diz estar convencido de que a petista cometeu crime de responsabilidade. E cita a carta a senadores em que a petista, embora negue ter cometido os crimes, admite erros.

Marta suplicy, ex-petista que comandou a Cultura e hoje adversária do partido na disputa à Prefeitura de São Paulo, defendeu a saída de Dilma já na primeira votação que o Senado fez no processo, em maio, quando a presidente acabou sendo afastada.

“Cresce na população uma esperança: a esperança de podermos virar a página e de começarmos a recuperar o país. Estamos escolhendo a esperança, e não o caos sem amanhã”, disse, na ocasião.

21 A FAVOR – Na última votação do processo em plenário, só 21 senadores ficaram ao lado dela, contra 59 que se posicionaram a favor da formalização da denúncia. Para não sofrer impeachment, ela precisa do apoio (ou ausência) de pelo menos 28 senadores.

Dilma teve nove dos atuais 81 senadores entre seus ministros. Hoje, apenas três ainda a apoiam publicamente: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Kátia Abreu (PMDB-TO) e Armando Monteiro (PTB-PE).

12 thoughts on “Seis ex-ministros do governo Dilma irão votar a favor do impeachment dela

  1. A Skafete Marta Suplício é mais uma Santa….

    17/01/2014 23h15 – Atualizado em 18/01/2014 14h57

    Marta Suplicy é condenada e tem direitos políticos cassados por 3 anos

    Ministra é acusada de improbidade administrativa frente à Prefeitura de SP.
    Segundo denúncia, ela contratou ONG sem licitação; defesa vai recorrer.

  2. “Oficialmente esses senadores, do PMDB (quatro) e do PSB (dois), argumentam que votarão contra a petista por fidelidade à decisão de seus partidos, que em determinado momento romperam com o governo do PT.”
    São senhores como estes que ajudam a tornar a política pior ainda. Ao invés de combaterem os colegas mais corruptos, usam argumentos pífios para se esconder.
    Ora, votar por fidelidade ao partido! E a nação, seus eleitores, o povo brasileiro e a política séria não seriam suficientes?
    Pena que o povinho não consegue enxergar isto, compreender e tomar posição.
    Sem consciência e algum conhecimento político, nada mudará.

  3. Um museu de novidades…

    Expresso

    Eles foram ministros de Dilma. E agora defendem seu impeachment

    José Roberto Castro
    29 Abr 2016
    (atualizado 29/Abr 21h50)

    Dez ex-integrantes do primeiro escalão da presidente vão para a oposição e agora ajudam o vice Michel Temer na montagem de equipe

  4. Exemplo de uma coligação ‘ ideológica ‘…kkkkaass

    Aguardando julgamento
    Situação Candidatura
    PV / PDT / PC do B / PTN / PRB / PT / PSL / SD / PTB / PMDB / PPS / PP / PRP / PEN / PMB / PRTB / REDE / DEM / PR

  5. ” Ideologia ” ??? Negócios, apenas negócios… A ex queridinha do Zé Dirceu na Anac, que batia muito de testa com a filha do cumpadre a Waleska Teixeira, quando essa advogava para a Gol, está com o Dória e não abre ! kkkkaaaass

    Conhecida pela crise aérea, Denise Abreu vira cabo eleitoral de João Doria

    THAIS BILENKY
    DE SÃO PAULO
    21/08/2016 02h00
    O candidato a prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) encontrou em Denise Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), uma aliada entusiasmada.
    Atual presidente do Partido da Mulher Brasileira paulistano, a advogada de 54 anos se tornou tornou um dos símbolos do chamado “apagão aéreo” entre 2006 e 2007, no governo Lula.
    Longos atrasos, cancelamentos de voos e uma greve de controladores paralisaram os aeroportos na época.
    Abreu diz hoje que se “reinventou” e participa com motivação da campanha.
    Em evento na última terça (16), dançou e cantou o jingle de Doria, balançando a bandeira com o rosto do tucano. Presente aos eventos de Doria, ela costuma ser convidada a discursar para representar as mulheres.
    Ela se diz “antifeminista”: “O que a gente observa é muito preconceito do núcleo feminista contra a mulher que não trabalha, não é justo”.
    Também na esfera digital, a advogada se empenha. No Facebook, ela curte e incentiva o tucano em quase todas as postagens. Em troca, recebe agradecimentos cordiais de sua equipe. Abreu também vigia os comentários. Quando são críticos, rebate.
    “Eu adoro”, contou à Folha. Afinal, foi a rede social que permitiu o retorno à vida pública, após o acidente do avião da TAM que não conseguiu parar na pista de Congonhas e explodiu, matando 199 pessoas, em 2007.
    Então ligada ao petista José Dirceu, ela era diretora da Anac e foi denunciada pelo Ministério Público sob acusação de agir com imprudência ao liberar a pista do aeroporto paulistano.
    Abreu diz que entrou em depressão depois de sua renúncia ao cargo, em agosto de 2007. Ela já tinha reputação controversa. Meses antes, durante a greve de controladores, fora fotografada em uma festa fumando charuto.
    Com a execração pública e o sentimento de abandono, se enclausurou. “Briguei com Deus”, relata.
    Até que um amigo a levou ao convento das Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo, em São Paulo.
    A “católica de berço” se converteu ao “catolicismo de verdade”, em sua definição. Lá, passou por “três horas de revelação”. “Sangrei durante três horas pelo nariz”, lembra ela.
    “Isso é exorcismo, entendeu?”, confidencia, baixando a voz. “A guerra política perpassa, sim, outras questões. É, sim, uma luta do bem contra o mal.”
    Era 5 de maio de 2008. As irmãs disseram que a paciente espiritual teria de enfrentar “sete anos de calvário e a verdade viria”. Em 5 de maio de 2015, Abreu foi absolvida em primeira instância. “Se foi uma coincidência, te digo que sou escolhida para grandes coincidências”, afirma.
    Ela se considera de centro. É a favor da redução do tamanho do Estado e contra a legalização do aborto. Passou a maturar posições políticas no “autoexílio”, ao qual se impôs depois do acidente aéreo. Ameaçada de morte, diz, passou seis meses em Washington e viveu “clandestinamente” depois no Rio. Até que descobriu o Facebook.
    A coordenação de campanha de Doria diz que a participação da aliada “se limita a suas atividades como presidente municipal do PMB”. Nessa condição, ela já promoveu um evento na zona leste e vai promover outros até a eleição. Diz estar apta a assumir diferentes postos numa eventual gestão Doria. Mas o sonho é ser deputada federal. “Preciso interferir no destino do país.”

    • SE EU QUISER FALAR COM DEUS
      Gilberto Gil
      1980

      Se eu quiser falar com Deus
      Tenho que ficar a sós
      Tenho que apagar a luz
      Tenho que calar a voz
      Tenho que encontrar a paz
      Tenho que folgar os nós
      Dos sapatos, da gravata
      Dos desejos, dos receios
      Tenho que esquecer a data
      Tenho que perder a conta
      Tenho que ter mãos vazias
      Ter a alma e o corpo nus
      Se eu quiser falar com Deus
      Tenho que aceitar a dor
      Tenho que comer o pão
      Que o diabo amassou
      Tenho que virar um cão
      Tenho que lamber o chão
      Dos palácios, dos castelos
      Suntuosos do meu sonho
      Tenho que me ver tristonho
      Tenho que me achar medonho
      E apesar de um mal tamanho
      Alegrar meu coração
      Se eu quiser falar com Deus
      Tenho que me aventurar
      Tenho que subir aos céus
      Sem cordas pra segurar
      Tenho que dizer adeus
      Dar as costas, caminhar
      Decidido, pela estrada
      Que ao findar vai dar em nada
      Nada, nada, nada, nada
      Nada, nada, nada, nada
      Nada, nada, nada, nada
      Do que eu pensava encontrar

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