Sem conseguir superar as várias crises, o governo não controla mais a imagem externa

TRIBUNA DA INTERNET | A falta que faz a Bolsonaro a existência de ...

Charge do Duke (Arquivo Google)

William Waack
Estadão

O “custo” da perda de imagem do Brasil no exterior é difícil de ser colocado em números, mas uma carta enviada ao governo brasileiro e assinada por dezenas de instituições financeiras que operam no mundo inteiro oferece uma base de cálculo. Juntas, elas gerenciam cerca de US$ 3.7 trilhões (mais ou menos o dobro do PIB brasileiro).

Ameaçam retirar parte disso do País, caso continue subindo o ritmo de desmatamento da Amazônia. Alegam que há uma “incerteza generalizada sobre as condições para investir ou proporcionar serviços financeiros no Brasil”, devido ao fato de que não só emissões de dívida do governo brasileiro mas também o valor de companhias expostas à questões ambientais acabam sendo atingidos pelas queimadas.

UMA QUESTÃO BÁSICA – Pelo jeito, o governo brasileiro, que anda sem ministros para coisas tão básicas como educação e saúde, se esqueceu de que a questão ambiental é considerada básica lá fora. E que exatamente essa ameaça de desinvestimento estava explícita na última cúpula de Davos – a do mundo pré-pandemia. Formulada pelo setor financeiro global, o tal que manipula o oxigênio da economia.

O setor financeiro brasileiro entrou na mesma linha e, num enorme evento da Febraban que deveria discutir tecnologias bancárias para o século 21, os presidentes das maiores instituições nacionais preferiram falar de desmatamento.

Eles sabem que a ameaça de desinvestimento é grave e real, atingiria a cadeia inteira de suprimentos no setor agrícola e de pecuária, e não dão tanta bola para a frase “o mundo precisa comer, o Brasil produz comida, logo vão comprar da gente não importa o que aconteça” – muito repetida no setor retrógrado do agro (ele existe, e funciona como bola de ferro para o restante do setor).

POSTURA EQUIVOCADA – Agora que o general Hamilton Mourão assumiu os esforços de colocar um pouco de ordem no caos legal da Amazônia, o governo brasileiro se empenha com ainda mais ênfase em dizer que críticas desse tipo, praticada por instituições financeiras, são “desinformadas”. E aqui está o nó da questão: já não importa se as informações que o governo brasileiro fornece são exatas, confiáveis, precisas, bem apuradas ou não.

A realidade para a qual Brasília abriu os olhos parcialmente e muito tarde é a de que perdemos a guerra da comunicação lá fora, nossa imagem é hoje incomparavelmente pior do que foi no último período em que tal deterioração se constatava (a do regime militar). A crise do coronavírus tornou mais graves e evidentes alguns aspectos que já existiam, como pobreza, desigualdade e incompetência geral do governo, e entre eles está o da imagem externa.

Na questão ambiental, tão básica lá fora, consolidamos a proeza de passar da turma dos países que tem problemas mas pareciam caminhar para resolvê-los para a turma de países vilões que se esforçam em piorar os problemas.

UM DEBATE MUNDIAL – Sim, é uma simplificação brutal da questão, mas é em torno de simplificações brutais desse tipo que se dá o amplo debate da formação de opiniões e condutas também em escala mundial – atingindo mídia, consumidores, corporações e governos.

Nesse sentido, a mais recente “proeza” do nosso País é ser rotineiramente citado como mau exemplo no combate ao coronavírus – inclusive pelo “amigo” Trump, que não é exatamente uma boa referência quando se trata de enfrentar uma epidemia. No acumulado de mortes já estamos em segundo lugar no mundo e aproximando-nos dos EUA.

A maneira como esses fatos da realidade são vistos lá fora é devastadora para nossa imagem: é a de um País desigual, pobre, destruidor do meio ambiente e agora, ainda por cima, infectado e infectando. Nas mãos de um governo visto como incapaz de controlar qualquer crise, seja de ambiente seja de saúde pública.

12 thoughts on “Sem conseguir superar as várias crises, o governo não controla mais a imagem externa

  1. A inaptidão total desse governo merece que o George Soros e a Greta Thunberg assumam o controle do Brasil e das queimadas da amazônia brasileira, mas só a nossa.
    A Floresta Amazônica perpassa por nove países, Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname, Equador e Guiana Francesa.
    E quais os trilhões que vão ser negados aos citados?
    Esse papo de coveiro pra molestar defunto já encheu o saco.
    Tenho a impressão que esse tipo de mídia elegeu Bolsonaro como o Nero Amazônico e o dono da Tribuna da Internet virou o fornecedor de gasolina para o fim a que se destina.

  2. E o coice de porco serviu até pra atingir o Trump.
    Tá na hora dos redatores fazerem uma matéria acusando Benjamim Netanyahu de ter destruído com queimadas todas as florestas israelenses, a terra onde jorrava leite e mel se tornou num deserto desgraçado, miserável e ressequido por culpa de Bibi.

  3. Artigo escrito por quem é íntimo do Tio Sam. Acrescentaria ainda q JB e nosso Chanceler, estão pouco se lixando. Para eles todos são comunistas, menos o amigo Trump.

    • Eu quero ver quando Trump perder… como passará o Brasil nos dois anos em isolamento.

      Se fosse ao invés de Biden, o Sanders (mais à esquerda dos Democratas), seria ainda pior…

  4. Assistindo uma Live de Jamil Chade, que cobre a ONU faz 20 anos, ele disse que, hoje, as autoridades mundiais fazem questão de se distanciarem do Presidente brasileiro, de modo que não fiquem enquadrados em qualquer foto.
    Saudades quando o Presidente americano comentava com o outro dando tapinha nas costas do brasileiro, falando: “esse é o cara” (né?)

    • Ainda falou o correspondente Jamil Chade, que em outros tempos o Brasil falava ao mesmo tempo com Síria, Irã e EUA, abrindo canais…
      Hoje o Brasil é mais do que nanico diplomático.

  5. O Brasil mesmo na sua insignificância diplomática, militar, econômica etc. quer copiar o modelo norte-americano em tudo.
    O país viverá um drama por isso.
    É a impressão que tenho assistindo ontem à Live do blog do Villa entrevistando Bresser Pereira.

  6. Que interessa a ideologia, religião ou amizades do articulista? No meu entender, interessam os Fatos, e todos os expostos me parecem irrefutáveis.Eu não sou tucano e sou um tanto crítico em relação ao governo FHC, com sua reeleição e privatização no limite…, maaas, uma coisa eu tenho que reconhecer, nas minhas viagens a Europa, somente no período do seu primeiro governo é que eu vi o brasileiro valorizado no exterior, chegando ao extremo de serem abordados por cambistas de rua atrás do real$.

  7. O Brasil vem sendo olhado há décadas pelas nações desenvolvidas, e são olhos que cobiçam essa terra desde que descoberta!

    Décadas atrás, e não se falava em política ambiental, preservação de matas, rios, ecossistema.
    Os países precisavam crescer, desenvolver-se, e milhões de árvores foram derrubadas para esse objetivo; dezenas de espécies de animais foram extintas; cursos d’água secaram; mares desapareceram (Morto, nos seus estertores e Aral desapareceu)!

    De todas as nações do globo terrestre, apenas uma tem condições de sustentar a humanidade com água e produção de alimentos, o Brasil!
    Se as demais nações quiserem se manter por centenas de anos, então o Brasil, Uruguai, Chile e Argentina, o Cone Sul, o resto do mundo viveria em segurança por muito tempo ainda.

    Logo, a nossa terra é vista com olhares de concupiscência, pois temos atrações que inexistem nos demais continentes, principalmente aquelas que os deixariam viver por mais tempo.

    Dito isso, a eleição de Bolsonaro veio a calhar para as críticas que já éramos alvos, evidentemente em grau menor.
    Coincidindo com o período das queimadas na Amazônia, uma oposição política abjeta, uma imprensa traidora do país, e ideologicamente transformada de suas funções, França, Alemanha, Noruega, iniciaram uma campanha contra o Brasil e seu recém eleito presidente, alegando que estaríamos destruindo a Amazônia.
    Recursos foram cancelados, tivemos até mesmo um incidente diplomático com a esposa do mandatário francês, discussões com Merkel, mas a nossa imagem havia ficado deteriorada para sempre.

    Waack, nesse seu artigo, se quis alertar o nosso país quanto à nossa imagem no exterior, a meu ver não agiu como deveria e se esperaria de um jornalista brasileiro.
    Acusou, criticou, e foi taxativo que não temos mais como refazer o país lá fora, ainda mais que salientou – mesmo sendo verdade absoluta! – o nosso gravíssimo problema social, com pobres e miseráveis aos milhões.
    Pronto.
    Quadro da dor sem moldura.

    Na condição de crítico veemente de Bolsonaro, sinto-me à vontade para dizer que o ex-militar recebe sobre as suas costas décadas de descaso e desprezo pela nossa Natureza tão abundante e farta, quanto aos maus tratos que o povo sofre desde o nosso descobrimento!
    Vieram à tona nossos problemas, que um dia teriam de ser enfrentados, justamente na administração atual.

    Analisando friamente a questão, impossível para qualquer pessoa que fosse eleita, equacionar nossos problemas tão variados e intensos em certas áreas.
    No entanto, Bolsonaro colaborou com a gravidade da situação porque naturalmente incompetente e despreparado, ofereceu à mídia nacional e internacional, às nações que desejam o retorno do Brasil colônia, a chance que buscam freneticamente há tempos para nos invadir ou, eufemisticamente falando, intervierem com o intuito de preservar a Amazônia.

    Definitivamente não se pode atribuir a Bolsonaro o caos reinante.
    Podemos e devemos acusá-lo de descaso pela situação grave que nos encontramos, pois nada realizou para amenizá-la, mormente a questão social, porém, que o estado pré-falimentar que apresentamos é de sua responsabilidade, inclusive a péssima imagem nossa no exterior, Waack se perde no seu próprio raciocínio!
    A menos que os presidentes, reis e rainhas das demais nações, deixaram de ser honestos.
    Se o nosso maior ladrão e genocida, Lula, ainda contar com popularidade e ótimo conceito político na Europa, decididamente os europeus estão sendo governados pelos mesmos bandidos que foram os petistas, e estão adorando!

    Logo, Bolsonaro deve ser mesmo repudiado e criticado, pois os cofres do país foram fechados aos roubos antes institucionalizados.
    Isso que não podemos mais dizer que o presidente é inatacável em se tratando de corrupção, pois o seu filho e aproximação com o Centrão afirmam que o presidente tem as suas falhas, suas desonestidades, mas infinitamente incomparável com Lula!
    Se o ex-presidiário hoje livre por determinação da Suprema Corte, em nova interpretação sobre a prisão em Segunda Instância, deixa de anular os crimes praticados pela quadrilha petista mesmo com Lula livre, Bolsonaro jamais poderia ser tão criticado e contestado lá fora!

    Waack exagera, e conforme as lentes que usa para escrever o presente artigo, demonstrou estar muito longe da verdade, da realidade brasileira, e das verdadeiras intenções que muitos países têm pelo Brasil.
    A começar que a nossa própria imprensa não nos defende mais de injustiças que são cometidas contra essa terra, pelo contrário, colabora em avolumar os comentários mais desairosos possíveis contra esta nação e seu povo.
    Se não sabe (a mídia) discernir a origem dos nossos deploráveis aspectos sociais, econômicos e políticos, muito menos poderia se aliar às manobras geopolíticas que desejam retalhar o Brasil!

    Waack está sendo mal educado e grosseiro com as suas palavras ao se referir a Bolsonaro e ao Brasil. Só podia, o artigo em tela, advir de um profissional que tem contra si a pecha de racista!

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