Sem crescimento, Japão vai perdendo importância

Flávio José Bortolotto

A economia do Japão, hoje com 130 milhões de habitantes, em meio a pequenas flutuações, cresceu a “taxas chinesas” desde a Guerra da Coréia (1950 -1953), até 1990. Atingiu um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 4,6 Trilhões, com renda razoavelmente distribuída (per capita, de  US$ 36 mil/ano), nada mal.

Mas a partir daí, entrou em estado estacionário, com leve deflação. São 22 anos de produção, salários, taxa de juros básica etc., tudo próximo a zero ou até negativo.

Como a População cresce a 0,2% ao ano, também está quase estacionária, e administraram esses 22 anos de estagnação sem grandes danos, conseguindo manter um desemprego baixo, c erca de 4,5%, mandando embora quase todos os trabalhadores estrangeiros.

Eram a segunda economia do mundo. O problema é que nesses 22 anos, a China ultrapassarou a economia do Japão. A China, atingindo já um PIB de US$ 5,5 Trilhões, continua crescendo a “taxas chinesas”, embora já desacelerando, e a Índia, com todas as suas complexidades, vem crescendo bem já há 12 anos e tem potencial para ultrapassar também o Japão em futuro distante, e até as Coréias que um dia vão se unificar, chegarão perto de um Japão estacionário.

Solução para o Japão não ficar um país “sem importância”: tem que voltar a crescer. O atual primeiro-ministro Shinzo Abe, PLD, ganhou as eleições do fim do ano, com a Plataforma Política de Crescimento da Economia.

Como, depois de 22 anos de estagnação, fazer pegar no tranco a terceira economia do mundo? O premier Shinzo Abe prometeu e está fazendo: na política monetária, dobrar a quantidade de moeda circulante (crédito bancário), saindo de uma deflação para uma inflação de 2% a/a, em 2 anos, estimando que a taxa básica de juros sairá de zero para cerca de 3% a/a.

Na política fiscal, apesar do já grande endividamento público, em 236% do PIB, aumentar o Orçamento Federal e, consequentemente, a dívida pública ainda mais, e fazer grandes obras de infraestrutura etc. E depois que a economia voltar a crescer, aumentar bastante os impostos de consumo.

Na Política Cambial, desvalorizar o iene em cerca de 20% para ativar a exportação. Tudo isso visando um crescimento do PIB de cerca de 4% a/a.

É fascinante acompanhar como tudo isso vai evoluir. Uma coisa é certa, sem crescimento, o Japão vai perdendo importância.

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3 thoughts on “Sem crescimento, Japão vai perdendo importância

  1. Muito obrigado aos senhores que me honraram com Comentários. Permitam-me Responder.

    Sr. Wagner Pires.

    Realmente seria muito bom que o Japão voltasse a crescer bem, pois assim compensaria a natural desaceleração do crescimento Chinês. Eu tenho uma grande admiração pelo Japão. Que Povo Patriota, Disciplinado e bem Instruído, justamente orgulhoso de suas grandes conquistas. Um grande Modelo para o Brasil se inspirar. Em 44 anos, a Revolução Meiji (1868 – 1912), tirou o Japão do Mundo Medieval e o colocou na dianteira da Revolução Industrial, com um mínimo de turbulências. Agora, para voltar a crescer, para “fazer pegar no tranco a 3ª Economia do Mundo”, no momento está tudo trepidando por lá, Bolsa de Valores principalmente. Fascinante ver a evolução. Abrs.

    Sr. Darcy.

    As Agências de Rating, entre elas a Standard & Poor´s, cometeram erros grotescos na avaliação das Ações de Bancos, em 2007, um dos quais faliu espetacularmente (Banco Lehman Brothers), para assustar bem o Povâo, sendo todos os outros resgatados pelo Banco Central com Dinheiro Público. Não obstante tudo isso, fazem parte do Sistema Financeiro Internacional, e já estão “botando banca” e rebaixando o Rating de Países e Empresas, ao seu bel prazer. E temos que engolir, pois quem Deve é escravo do Credor. Abrs.

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