Sem ligar para ajuste, Congresso e TCU gastam mais do que antes

Marcelo da Fonseca
Estado de Minas

Levantamento feito pelo Estado de Minas no Portal da Transparência e no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostra que os gastos da Presidência da República, ao invés de diminuírem, aumentaram em 36% nos primeiros quatro meses de 2015. mostra que o governo não seguiu sua própria determinação de apertar os cintos durante a crise econômica. Outros órgãos federais pesquisados também estão custando mais caro aos cofres públicos em 2015.

O exemplo de boas atitudes para enfrentar o cenário adverso de austeridade, que vem sendo percebido pelos brasileiros no dia a dia, também não é seguido pelo Senado Federal ou do Tribunal de Contas da União (TCU). Os dois órgãos aumentaram suas despesas gerais acima da inflação nos primeiros meses deste ano. Segundo os dados do Siafi, o TCU aumentou suas despesas em 10% no início de 2015. Em comparação com o mesmo período no ano passado, o tribunal aumentou em R$ 50,5 milhões seus gastos, passando de R$ 511,9 milhões para R$ 562,4 milhões.

TCU ELEVA SALÁRIOS

Em nota, o TCU apresenta como razões para o aumento o reajuste para os servidores aprovado pelo Ministério do Planejamento e a posse de 76 servidores depois de 30 de abril de 2014, “que elevam o custo mensal da despesa de pessoal do TCU em cerca de R$ 1,4 milhão, ou seja, impacto de R$ 5,7 milhões maior do que o período quadrimestral comparativo”.

Já o Senado, que, no primeiro quadrimestre de 2014, gastou R$1,103 bilhão, desembolsou neste ano R$ 1,215 bilhão, aumento de 10,2%. Entre os gastos no mínimo curiosos registrados neste ano pela Casa estão R$ 9,6 mil para a compra de oito máquinas de lavar roupas. As despesas com cota para exercício parlamentar dos senadores até metade de maio chegaram a R$ 6,3 milhões, sendo R$ 2 milhões para compra de passagens aéreas, aquáticas e terrestres.

SUPREMO COMPRA TVS

A Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal (STF) também aumentaram os montantes gastos entre o ano passado e este ano, embora a alta tenha ficado abaixo da inflação no período. Os dois órgãos, em alguns casos, também usaram o dinheiro público de forma curiosa. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, o Supremo desembolsou este ano R$ 35,2 mil para a empresa Idelcar – Centro de Embelezamento Automotivo, para atender os 11 ministros. O tribunal empenhou ainda R$ 54,9 mil na compra de 52 televisores, sendo R$ 34,5 mil para 20 aparelhos de 42 polegadas da marca Phillips, e o restante, R$ 20,4 mil, para a compra de 32 monitores de 22 polegadas da marca OAC.

CÂMARA VAI ÀS COMPRAS

Já a Câmara registrou como despesa no início deste ano, um montante de R$ 21,6 mil para a compra de oito celulares do tipo iPhone S4 e outros R$ 19,9 mil para mais 48 unidades de telefones celulares. Segundo a assessoria da Casa, “os aparelhos foram licitados na forma de registro de preço. O que não implica obrigatoriedade de aquisição de todos os produtos contratados. Ou seja, a instituição adquire conforme a necessidade de substituição”.

Por meio de nota, a assessoria informou ainda que, “com base em uma política de enxugamento de despesas com pessoal, a Câmara estima uma economia da ordem de R$ 40 milhões, e estão em planejamento cortes de projetos referentes a obras em um total de R$ 100 milhões”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A reveladora matéria enviada pelo comentarista Wilson Baptista Jr. diz tudo, mostrando que os três Poderes da República realmente estão apodrecidos. Aceitam corte em saúde, educação, segurança e tudo o mais, porém continuando gastando sem parar o dinheiro da viúva, como se dizia antigamente. (C.N.)

4 thoughts on “Sem ligar para ajuste, Congresso e TCU gastam mais do que antes

  1. Esse facínoras eleitos pelos viúvos e viúvas do stalinismo, pelos mulambentos do bolsa miséria e os esfarrapado do minha casa minha dívida vivem num mundo diferente do nosso, lá não há restrições a nada, eles sequer usam o dinheiro deles, mas o nosso que é espoliado via Receita Federal, eles vivem num mundo de fantasias.
    A atual situação dessa masmorra disfarçada de país me faz lembrar os fatos ocorrido na França há 226 anos, quando a Realeza se empanturrava de comida e o povo se matava de trabalhar para sustentar a nobreza, Maria Antonieta me Lembra muito a nossa Rainha de Copas, não seu passado, pois Maria Antonieta era fidalga, não assaltava bancos, não jogava bombas em militares. Mas as semelhanças são muitas entre as duas rainhas, a França estava atolada em dívidas, o povo reclamando sem serem ouvidos. Aqui como lá havia o Cardeal Mazarino com suas frases de efeito negativo para o povão
    “Dissimulador é aquele que ora censura, ora recomenda uma mesma atitude, conforme lhe vem ou cai melhor” G. Mazzarino – Breviário dos políticos (Carnets), muito atual essa pequena pérola que é dita num outro tom e contexto, mas a mesma frase serve para os escândalos que assolam esse reino de barro. outro conselho do mesmo Mazarino “Desconfia de um homem que faz promessas fáceis. É geralmente um mentiroso e um pérfido”, essa nos faz lembrar os nobres deputados. Mais interessante é esse dialógo de Colber, ministro de finanças da França com o Cardeal Mazarino: • Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Primeiro-Ministro, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…

    • Mazarin: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se…Todos os Estados o fazem!

    • Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

    • Mazarin: Criam-se outros.

    • Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

    • Mazarin: Sim, é impossível.

    • Colbert: E então os ricos?

    • Mazarin: Os ricos também não. Se o fizéssemos eles deixariam de gastar dinheiro, e um rico que gasta dinheiro faz viver centenas de pobres.

    • Colbert: Então como havemos de fazer?

    • Mazarin: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.
    Muito semelhante a esse paraíso de corrupção, a lição foi seguida à risca, nesse infindável mar de safadezas os ministros fazem exatamente isso, arrancam as tripas dos pobres mas poupam os ricos.
    Sabemos como terminou na França, a Rainha Maria Antonieta perdeu a cabeça, literalmente, o povo esfolado de tanto trabalhar para sustentar os mandriões no poder fizeram a Revolução Francesa, hoje vemos as mesmas manobras podres, para roubar os menos afortunados, aumento brutal da carga tributária, enquanto o Congresso vai construir um shopping para os ladrões se esparramarem e fuçarem o quanto quiserem, deputados viajando para Israel com suas esposas às custas do contribuinte otário que é extorquido pela Receita Federal por quatro meses, e como na França de 1789 os ricos são poupados, nada de taxar suas fortunas, isso é tabu, a criminalidade aumentando exponencialmente, o desemprego como um fantasma pairando sobre os cidadãos, a indústria se desmanchando.
    Nossa rainha de Copas não diz mais ao saber da miséria do povo, “se não tem pão que comam brioches” mas pedala sua bicicleta importada sem se importar com o clamor dos famintos, se esconde das vaias.
    Espero muito que as semelhanças com a França do século XVIII continuem. Quem sabe a queda do Planalto…

  2. Então, de acordo com a nota da redação, estamos num impasse. O impeachment da presidenta não mudaria substancialmente nada e até poderia agravar a crise econômica com desdobramentos de uma luta política entre o atual vice e o presidente da Câmara que ficaria na linha imediata de sucessão. O Temer nem cacife eleitoral e político tem para arrochar o povo, convencer poderes independentes a cortes de gastos, quanto mais submetê-los. A via crucis da Dilma lembra em certa medida a do FHC no segundo mandato, quando foi atacado do início ao fim politicamente, massacrado nos artigos do Helio e na antiga seção de cartas dos leitores da Tribuna da Imprensa.

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