Sem Lula, crescem Marina, Ciro e Joaquim Barbosa contra Bolsonaro

Resultado de imagem para pesquisa datafolha 15/04/2018Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada ontem pela Folha de São Paulo, reportagem de Ricardo Baltazar, revela que sem a candidatura de Lula crescem a de Marina Silva, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa, enquanto Jair Bolsonaro mantém-se na dianteira com 17% das intenções de voto. Marina é a que mais se aproxima dele, registrando 15 pontos. Ciro Gomes e Joaquim Barbosa empatam com 9% cada um. O Datafolha apresentou diversos cenários, principalmente com Lula e sem Lula no páreo.

Mas, a meu ver, a alternativa de maior substância é a que exclui o ex-presidente, uma vez ter sido ele declarado inelegível pela Justiça Federal.

TRANSFERÊNCIA – O Datafolha assinala que, se candidato fosse, Luiz Inácio da Silva estaria na escala de 31% e que teria o poder de transferir 30% de seus eleitores para outra candidatura. Porém, não é bem assim. Se transferir para Fernando Haddad ou Jaques Wagner, proporcionará a um deles pelo menos dez pontos somente na corrida para as urnas de outubro. Portanto, dentre os candidatos mais viáveis, com ou sem o apoio de Lula destacam-se Marina Silva, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa. Isso porque os demais estão muito fracos em matéria de perspectiva de voto.

O ex-governador Geraldo Alckmin, por exemplo, é o candidato de uma faixa que oscila entre 7 e 8%. Muito fraca pontuação. Afinal, o ex-governador de São Paulo situa-se muito abaixo de Marina e um pouco abaixo de Ciro Gomes e Joaquim Barbosa. Desempenho muito frágil para um governador que foi eleito em 2010 e reeleito no primeiro turno em 2014. A mim parece que sua candidatura não entusiasmou as bases do PSDB, seu próprio partido, ou então a legenda sofreu um desgaste muito grande com o episódio da gravação da conversa entre Aécio Neves e Joesley Batista.

MARINA EM ALTA?– Hoje, projetando-se o presente para o futuro próximo, Marina Silva é a que se encontra mais próxima de Bolsonaro, uma vez que o percentual a ela atribuído varia entre 15 e 16%, tecnicamente empatada com Bolsonaro. O Datafolha revela também que a percentagem de Bolsonaro permanece inalterada em todas as variações da pesquisa. Ele mantém-se no 17º andar.

Os dois têm chances de chegar no segundo turno de outubro. Esta é uma perspectiva. Mas pode haver surpresas. Um outro aspecto do levantamento é o de que nãi existe perspectiva alguma de êxito nas urnas para Michel Temer, Meirelles, Fernando Collor e o empresário Flávio Rocha, controlador da rede de lojas Riachuelo. Os percentuais de todos eles variam de 1 a 2 pontos. O ex-presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro varia de 0 a 1%.

SALVA-SE ALVARO DIAS – Entre os que obtiveram percentuais mais baixos, salva-se o Senador Álvaro Dias com 5% das intenções de voto. A Deputada Manuela D’Avila encontra-se parada entre o 1º e 2º andar. O quadro básico das eleições, nesta fase, está traçado. Bolsonaro representa a extrema direita e como tal, enfrentaria em desvantagem qualquer um dos principais nomes. Entre Marina, Ciro e Barbosa, quem possui maiores possibilidades de projetar sua candidatura e disputar a presidência da República com o deputado Jair Bolsonaro? Esta, como disse o poeta, para mim, é a questão essencial.

Um dado importante da pesquisa – neste caso reportagem de José Marques – é quanto a capacidade de Lula, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer transferirem em votos aos candidatos que vierem a apoiar. Isso se vierem apoiar alguém, claro.

LULA, FHC E TEMER – Lula, como vimos, transfere 30% de seu potencial político. Mas em compensação, 52% não votariam no candidato indicado por ele, Fernando Henrique Cardoso transferiria 10%, mas sua preferência seria rejeitada por 66% do eleitorado.

Finalmente Michel Temer transfere 3% mas acarreta uma reação contrária também da ordem de 66 pontos, índice igual ao da rejeição de FHC.

Vamos aguardar o desempenho de cada um e a capacidade que tiverem de entusiasmar os eleitores. Quanto aos votos nulos e brancos  o panorama não é dos piores: apenas 19% estão dispostos a não votarem em ninguém.

3 thoughts on “Sem Lula, crescem Marina, Ciro e Joaquim Barbosa contra Bolsonaro

  1. Infelizmente não tem para onde correr, o Lula conseguirá vir candidato (DT será presidente do stf em setembro, e aí terá mais manobra do que corrida de fórmula 1).
    Caso Lula não venha, a disputa poderá ser entre Bolsonaro e Marina.
    Como a Marina tem ao seu lado, uma pessoa como Pedro Simon, acho que ela consegue vencer, pois PEDRO SIMON foi uma figura política de grande respeito e honra ao seu mandato.
    Votaria em qualquer pessoa indicada por ele.

  2. Há que se considerar que estas pesquisas não são infalíveis, pelo contrário. Cabe considerar que a nomeada de Temer para Procuradoria Geral, embarga a urna com voto impresso, trabalhando para que se mantenha uma urna de primeira geração, completamente desatualizada, que não serve mais a nenhuma democracia minimamente evoluída, cujas suspeitas de manipulação de votos é alardeada pelos que mais intendem do assunto. Cabe também ressaltar que urnas fraudáveis, sem um suporte nas pesquisas levantariam enormes suspeitas contra o eleito. A maioria da classe política não quer ver Bolsonaro presidente de jeito algum. Muitos não políticos também. Quem e por qual razão? Provavelmente não responderiam com total sinceridade. Enquanto Bolsonaro teve grandes dificuldades em escolher um partido com que pudesse disputar, Joaquim Barbosa escolheu ou foi escolhido pelo PSB, partido que não é nenhum totem de moralidade, pelo contrário. Por enquanto ainda é cedo para qualquer tipo de projeção. Vejamos primeiro em quanto tempo Joaquim Barbosa permanece candidato do PSB.

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